Porque é importante uma alimentação saudável no regresso às aulas?
A incorporação de hábitos alimentares saudáveis desde cedo pode ajudar a prevenir doenças crónicas e metabólicas na vida adulta, como
obesidade,
diabetes,
doenças cardiovasculares e alguns tipos de
cancro.
É especialmente importante no regresso às aulas porque contribui para o crescimento, a concentração, a aprendizagem e o bem-estar das crianças e jovens.
Comece o dia com um pequeno-almoço equilibrado
Depois de várias horas sem comer, o corpo precisa de energia para começar o dia. Um pequeno-almoço equilibrado ajuda a responder a essa necessidade, independentemente da idade.
Um pequeno-almoço equilibrado deve incluir:
- um alimento do grupo dos lacticínios (ou uma alternativa nutricionalmente equivalente)
- pão ou cereais, preferencialmente integrais
- uma peça de fruta
Ao longo do dia, o consumo diário de leite e derivados também deve ser assegurado, garantindo que é feito na dose certa.
Nota: o leite não deve acompanhar as refeições principais uma vez que o seu teor de cálcio diminui a capacidade de absorção de ferro pelo organismo (o ferro pode ser encontrado na carne, peixe, marisco, leguminosas, frutos oleaginosos e alguns alimentos fortificados).
Saiba mais sobre:
O leite na alimentação infantil
Principais benefícios de um bom pequeno-almoço
- fornece energia para o crescimento e para as atividades diárias
- melhora a atenção, memória e o rendimento escolar
- ajuda na regulação do humor
A água não deve ser esquecida
A água é a bebida mais indicada para manter uma hidratação adequada e deve acompanhar crianças e jovens ao longo de todo o dia.
Uma boa hidratação contribui para o funcionamento normal do organismo e pode ajudar a manter a concentração durante as aulas.
- garanta que há sempre água nos lanches das crianças e adolescentes
- invista em garrafas reutilizáveis e atrativas com que as crianças se identifiquem
- incentive o consumo de água ao longo do dia, especialmente em dias mais quentes ou quando a atividade física aumenta
Prepare lanches saudáveis e apelativos
As escolhas alimentares dos lanches da manhã e da tarde devem ser baseadas não só nas preferências das crianças e jovens, mas também nas necessidades nutricionais dos mesmos.
Os alimentos processados - como por exemplo bolachas, snacks doces e salgados, fiambre, salsichas, bebidas refrigerantes, entre outros - são alimentos produzidos industrialmente, que habitualmente apresentam adição de sal, açúcar, gordura e outros aditivos e não acrescentam valor nutricional.
O que incluir numa lancheira saudável?
- água - bebida de eleição
- fruta fresca e da época - no seu formato original, evitanto puré/saquetas de fruta na rotina habitual
- hortícolas - como palitos de cenoura ou tomate-cereja
- pão de mistura, centeio ou integral - evitanto pães de forma processados
- iogurte natural
- leite simples meio gordo ou magro (ou alternativa vegetal equivalente)
- queijo com baixo teor de sal
- frutos secos ao natural - quando adequados à idade
- panquecas ou queques caseiros adoçados com fruta
- ovo cozido
Privilegie refeições variadas e coloridas
Variar os alimentos que consumimos dentro de cada grupo de alimentos é uma das regras de ouro da alimentação saudável.
Para garantir que as crianças e jovens obtêm todos os nutrientes de que necessitam, o padrão alimentar deve seguir três princípios fundamentais:
- Completo - consumir diariamente alimentos de todos os grupos da Roda da Alimentação
- Equilibrado - comer em maior quantidade alimentos dos grupos com maior dimensão e em menor quantidade alimentos dos grupos mais pequenos
- Variado - consumir alimentos diferentes dentro de cada grupo, ao longo do dia e das diferentes épocas do ano, respeitando a sazonalidade
Frutas e hortícolas
Comer fruta e hortícolas nas quantidades necessárias é a regra de ouro da alimentação saudável. O consumo diário recomendado é de, pelo menos, 400g de fruta e hortícolas (cerca de 5 porções).
Como atingir esta recomendação? É simples: basta consumir uma peça de fruta ao pequeno-almoço + sopa de hortícolas e uma fruta ao almoço + sopa de hortícolas e uma peça de fruta ao jantar.
Peixe
O consumo de peixe apresenta diversos benefícios para a saúde, é de fácil digestão e tem elevado valor nutricional. É uma importante fonte de gordura saudável, de proteína de alto valor biológico e de nutrientes essenciais como o selénio, iodo, fósforo e vitaminas. Varie as espécies ao longo da semana para enriquecer a dieta familiar. Não esquecendo que para crianças até aos 10 anos, grávidas ou lactantes as espécies com maior teor em mercúrio devem ser evitadas como o atum fresco, cação, espadarte, maruca, pata-roxa, peixe espada e tintureira).
Transforme as refeições em momentos de família
Embora a escola tenha um papel importante na educação alimentar de crianças e jovens, os bons hábitos alimentares começam em casa, em família.
- faça refeições em conjunto (adultos e crianças) e torne-as em momentos de convívio e partilha
- dê o exemplo e sirva a mesma refeição a todos os membros da família (se quer que a criança coma sopa, faça-o também)
- faça refeições sem ecrãs
- inclua as crianças e adolescentes na preparação e na confeção das refeições, dando-lhes tarefas adequadas à idade e com progressiva autonomia
Em resumo: Ajude as crianças a criar uma relação saudável com a alimentação
Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 390 milhões de crianças e adolescentes entre os 5 e os 19 anos tinham excesso de peso em 2022, incluindo 160 milhões que viviam com obesidade.
Saiba aqui:
Obesidade Infantil: a importância de prevenir e diagnosticar precocemente
Promover uma alimentação saudável não depende apenas do que as crianças comem, mas também da forma como aprendem a relacionar-se com a comida.
Para incentivar hábitos alimentares saudáveis e uma relação positiva com os alimentos, tenha em conta as seguintes recomendações:
- não demonize os alimentos não saudáveis menos nutritivos
- as necessidades energéticas da criança são diferentes das do adulto e não é expectável que coma a mesma quantidade que um adulto
- incentive a experimentar novos alimentos, mas sem pressionar
- não use a comida como recompensa ou castigo, e evite frases como: “se não comeres a sopa, não comes sobremesa” ou “se te portares bem, compro-te um gelado”
- não faça comentários sobre o peso da criança nem de outros, e não fale com ela sobre dietas e perda de peso
Lembre-se que criar rotinas alimentares no regresso às aulas é um investimento simples na saúde, no bem-estar e no rendimento escolar dos mais novos. O objetivo não é a perfeição, mas sim ajudar as crianças e os jovens a terem uma relação equilibrada com a alimentação.