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Dicas essenciais para uma exposição solar segura

data de atualização13 agosto 2026 Joana Paço artigo revisto por
Dra. Joana Paço  |  Médica de Medicina Geral e Familiar
Imagem Lateral
mãe passa protetor solar na filha na praia durante as férias de verão para a proteger dos raios uv do sol
Aproveitar o sol e as atividades ao ar livre faz parte do nosso dia a dia, especialmente nos meses mais quentes. 
No entanto, proteger a pele é um passo fundamental para evitar queimaduras, prevenir o envelhecimento precoce e, a longo prazo, reduzir significativamente o risco de cancro da pele.

Desfrute do sol em segurança

Lembre-se que a radiação ultravioleta (UV) está presente mesmo em dias nublados ou mais frescos. 
Por isso, a proteção não é apenas para os dias de praia: deve ser um cuidado diário e transversal a todas as idades.
Para desfrutar o sol em segurança, incorpore estes hábitos na sua rotina:

  • consulte o índice UV antes de sair de casa: verifique o índice UV diário (disponível no site do IPMA ou em aplicações de meteorologia) para planear as suas atividades ao ar livre com maior segurança
  • evite o sol nas horas de maior risco: entre as 11h e as 17h, a radiação UV atinge o seu pico. Sempre que possível, procure estar à sombra ou agende os seus passeios e exercícios para fora deste horário
  • use protetor solar diariamente: mesmo dentro de casa ou no escritório. Escolha um protetor com FPS idealmente de 50, adequado ao seu tipo de pele. Se trabalha longas horas em frente a ecrãs e a sua pele tem tendência para desenvolver manchas, opte por um protetor com cor e proteção contra a luz azul (HEV) para prevenir o agravamento da hiperpigmentação
  • prefira protetores solares minerais (ou com cor): os protetores minerais refletem a radiação UV em vez de a absorver, sendo uma excelente opção, sobretudo para pele sensível. Adicionalmente, os protetores com cor (com pigmentos de óxido de ferro) oferecem uma barreira física reforçada contra a luz visível e a luz azul. Aplique cerca de 20 minutos antes de sair de casa e renove a aplicação a cada 2 horas (ou no final da jornada de trabalho), sem esquecer áreas sensíveis como orelhas, lábios, nuca, peito do pé e costas das mãos
  • aposte em roupa e acessórios adequados: se tem pele sensível ou crianças pequenas, invista em peças de roupa com proteção UV integrada. Atenção: a roupa molhada perde parte da sua capacidade de proteção
  • não se esqueça do chapéu e dos óculos: um chapéu de aba larga é ideal para proteger o rosto, as orelhas e o pescoço. Combine-o com uns bons óculos de sol com proteção UVA/UVB, essenciais para prevenir cataratas e outros problemas oculares, mesmo quando o céu está cinzento

Saiba mais sobre: Cuidados a ter com sol durante o Verão
 

Suplementos orais: uma ajuda extra

Para além dos cuidados aplicados diretamente na pele, existem suplementos orais ricos em antioxidantes (como Polypodium leucotomos, vitamina C, vitamina E e carotenoides) que ajudam a: 

  • aumentar a resistência da pele à radiação, em algumas pessoas
  • diminuir o risco de reações indesejadas, como alergias solares ou escaldões, principalmente em pessoas com pele mais clara ou sensível


No entanto, é muito importante reter: estes suplementos não substituem o uso de protetor solar. Funcionam apenas como um complemento. 
 

Hidratação: fundamental sob o sol

Estar ao sol faz transpirar e perder líquidos, muitas vezes sem se aperceber. Por este motivo, é crucial ir bebendo água ao longo do dia para manter o corpo hidratado. 
Este cuidado deve ser redobrado se estiver a tomar medicação (como anti-hipertensores), pois o risco de desidratação aumenta. Sumos naturais ou tisanas sem açúcar são também excelentes alternativas. A regra de ouro é: não espere por ter sede para beber água!
 

O mito da vitamina D

É comum ouvir dizer que o uso de protetor solar impede a produção de vitamina D, mas a prática clínica diz-nos o contrário. 
Basta uma exposição solar breve — cerca de 10 a 15 minutos, em pequenas áreas expostas como os braços ou o rosto, alguns dias por semana — para que o seu corpo produza a vitamina D de que necessita, mesmo utilizando proteção solar. Não é necessário apanhar escaldões nem se expor de forma desprotegida. 
Se tem dúvidas sobre os seus níveis de vitamina D, avalie a situação com o seu médico assistente. Se houver um défice real, a suplementação segura será prescrita.
 

Solários: um risco real para a sua pele

Os solários nunca devem ser encarados como uma alternativa segura ao sol natural. Pelo contrário, a sua utilização aumenta drasticamente o risco de desenvolvimento de cancro da pele e acelera o envelhecimento cutâneo. 
É importante desmistificar a ideia de que existe um "bronzeado saudável" quando falamos de solários.
 

E se acontecer um escaldão?

Sabemos que, mesmo com os devidos cuidados, podem ocorrer descuidos. Se notar que a sua pele ficou muito vermelha, quente ao toque, ou se surgirem bolhas e manchas suspeitas, não ignore os sinais. 

  • arrefeça a pele com água fresca ou compressas frias e hidrate bem a área afetada com loções calmantes (como o aloe vera)
  • reforce a ingestão de água
  • procure apoio médico imediato se a queimadura for extensa, causar dor intensa ou febre.


Lembre-se que a repetição de escaldões ao longo da vida é um dos maiores fatores de risco para problemas dermatológicos graves no futuro.

Saiba mais sobre: As queimaduras solares e o impacto dos raios UV
 

Curiosidades sobre o sol que talvez desconheça

Existem vários factos sobre a radiação solar e o seu impacto no organismo que passam despercebidos à maioria das pessoas. 

Fique a conhecer alguns dos mais importantes:

  • as nuvens não bloqueiam todos os raios UV: até 80% da radiação ultravioleta consegue atravessar a nebulosidade. É por isso que se pode queimar num dia nublado.
  • as superfícies refletem radiação: a areia, a água e a neve funcionam como espelhos para os raios UV. Pode perfeitamente apanhar um escaldão estando à sombra de um chapéu de sol.
  • o bronzeado não é sinal de saúde: o escurecimento da pele é, na verdade, um mecanismo de defesa do seu corpo em resposta aos danos celulares causados pelos raios UV, promovendo fotoenvelhecimento e aumentando o risco de cancro de pele.
  • cuidado com a medicação: certos medicamentos (como antibióticos, anti-inflamatórios e alguns cremes) aumentam a sensibilidade da pele ao sol (fotossensibilidade), deixando-a mais vulnerável a queimaduras. Confirme sempre esta informação com o seu médico ou farmacêutico.
  • a pele tem memória: os danos solares acumulam-se silenciosamente ao longo da sua vida, mesmo na ausência de escaldões visíveis.
     

Cuide da sua pele todos os dias 

Cuide da sua pele todos os dias — e não apenas durante as férias de verão. A prevenção é, sem dúvida, o melhor investimento que pode fazer pela saúde da sua pele.
Pequenos cuidados ajudam a prevenir queimaduras, envelhecimento precoce e outros danos provocados pelo sol.

Artigo revisto por

Joana Paço

Médica de Medicina Geral e Familiar (Cédula Profissional: OM 60615)

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