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As queimaduras solares e o impacto dos raios UV: o “perigo invisível” dos escaldões

data de atualização27 julho 2026
Imagem Lateral
mulher aplica protetor solar na pele para evitar uma queimadura solar
De acordo com os dados partilhados pela Liga Portuguesa contra o Cancro, a radiação solar é responsável por cerca de 90% dos casos de cancro da pele, sendo a exposição excessiva durante a infância e a adolescência uma preocupação acrescida. 
Neste artigo, vamos abordar de forma clara o impacto da radiação ultravioleta (UV) na nossa pele e partilhar orientações essenciais para prevenir e gerir os escaldões.

Quais são os principais tipos de raios solares?

O sol emite radiações com vários comprimentos de onda que, se ultrapassarem os limites de segurança, representam graves riscos para a saúde. 
É fundamental conhecer os principais componentes da luz solar:

Raios UVA
Penetram tanto na superfície da pele (epiderme) como nas camadas mais profundas (derme). Estão fortemente associados ao envelhecimento precoce da pele (fotoenvelhecimento) e causam uma pigmentação imediata, mas pouco duradoura. 
Contribuem significativamente para o risco global de cancro cutâneo por dano cumulativo no ADN através de mecanismos indiretos.

Raios UVB
Não ultrapassam a epiderme, sendo os grandes responsáveis por estimular a produção de nova melanina — o que confere o bronzeado duradouro. 
Não se esqueça que o bronzeado representa uma resposta de defesa da pele após agressão pela radiação UV. Contudo, os Raios UVB são também os principais causadores dos escaldões e provocam mutações diretas no ADN das células da pele, assumindo o papel principal no desenvolvimento do cancro cutâneo.

Raios UVC
Este tipo de radiação é totalmente filtrada pela camada de ozono na estratosfera, pelo que a radiação UVC natural não atinge a superfície terrestre, nem tem impacto direto na nossa saúde.

Radiação Infravermelha
Penetra até à camada mais profunda da pele (hipoderme) e contribui principalmente para a sensação térmica de calor que sentimos no corpo sob exposição ao sol.

AVISO IMPORTANTE – Cuidado com os dias nublados!

Nos dias nublados ou com o céu esbranquiçado, a radiação infravermelha é parcialmente retida pelas nuvens, o que reduz drasticamente a perceção de calor na pele. 
No entanto, até 80% da radiação UV consegue atravessar as nuvens mais finas. Como não sentimos calor, tendemos a descurar a proteção, mas o risco mantém-se significativo e os raios UV continuam a causar queimaduras solares, potencialmente graves. Não descure o protetor solar mesmo com o céu coberto!
 

O que é um escaldão e como se classifica?

O escaldão é uma queimadura provocada pela exposição excessiva da pele aos raios ultravioleta, que desencadeia uma resposta inflamatória do organismo. 
Podem classificar-se de acordo com o nível de gravidade das lesões:






Alerta:
apesar de a maioria dos escaldões superficiais sarar espontaneamente, eles deixam sequelas invisíveis e cumulativas. Podem provocar o envelhecimento precoce da pele e ser a causa direta do cancro cutâneo anos ou décadas mais tarde. Múltiplos estudos apontam para um risco significativamente maior em pessoas que sofreram episódios repetidos de escaldões na infância e na adolescência, reforçando a responsabilidade crucial dos pais na proteção e educação dos filhos.
 

Como evitar os escaldões?

É possível aproveitar os dias de sol em segurança e reduzir significativamente o risco de escaldões através de algumas medidas simples:

  • Vestuário adequado: use roupas frescas de mangas compridas, chapéu de abas largas e óculos de sol com lentes que tenham filtro UV certificado
  • Atenção às horas perigosas: evite a exposição solar direta nos períodos de maior intensidade da radiação ultravioleta, que habitualmente correspondem ao período entre as 11h e as 17h, nos meses de Verão em Portugal
  • Protetor solar sem falhas: aplique um protetor solar com fator de proteção elevado (FPS 50+) cerca de 15 a 30 minutos antes de sair de casa. Repita a aplicação a cada 2 horas ou imediatamente após sair da água, mesmo que a embalagem indique resistência à água
  • Procure a sombra: permaneça em locais abrigados do sol direto sempre que possível e evite longos períodos contínuos de exposição solar

O tempo necessário para sofrer uma queimadura varia com o fototipo (cor de pele e capacidade de bronzear) de cada pessoa. Uma pessoa ruiva ou muito clara sofrerá um escaldão muito mais depressa do que alguém moreno. 
Consulte o seu Dermatologista para perceber o seu fototipo e os seus riscos específicos.
 

Apanhei um escaldão! O que posso fazer agora?

Muitas vezes, conseguimos sentir que estamos a começar a ficar com um escaldão. Assim que notar os primeiros sinais de vermelhidão deve agir imediatamente para aliviar o desconforto e evitar maiores danos. Saiba aqui os passos que deve seguir:

  • Saia do sol de imediato – interrompa qualquer exposição solar direta
  • Dispa a roupa justa –  ao chegar a um local resguardado, retire as roupas em contacto direto com a zona afetada para evitar a retenção de calor na pele
  • Arrefeça a pele – use água fria da torneira ou aplique compressas húmidas. Nunca use gelo ou água gelada, pois o frio extremo funciona como uma agressão térmica adicional para a barreira cutânea já fragilizada
  • Hidrate profundamente – aplique um creme hidratante ou loção pós-solar calmante (sem perfume) na zona afetada
  • Roupas largas – vista peças de vestuário largas, leves e de tecidos naturais como o algodão
  • Beba água – mantenha uma boa hidratação por via oral para compensar a perda de líquidos e apoiar a recuperação
  • Não mexa nas bolhas – caso surjam bolhas na pele, nunca as rebente nem remova a pele descamada, diminuindo desta forma o risco de infeções bacterianas secundárias

 

Quando procurar ajuda médica?

Procure ajuda médica ou dirija-se a um serviço de urgência se o escaldão for muito extenso, se a dor for intolerável, se afetar um bebé ou criança pequena ou se notar sinais de infeção secundária, tais como: 

  • aumento marcado da dor
  • vermelhidão progressiva que se espalha
  • presença de pus ou febre 

Lembre-se que, após recuperar do escaldão, a pele recém-formada é ainda extremamente frágil e exige proteção absoluta: é fundamental evitar apanhar sol a curto prazo.

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