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As queimaduras solares e o impacto dos raios UV: o “perigo invisível” dos escaldões

data de atualização27 julho 2026 Dr. Miguel Alpalhão autor do artigo
Dr. Miguel Alpalhão  |  Dermatovenereologista
Imagem Lateral
mulher aplica protetor solar na pele para evitar uma queimadura solar
De acordo com os dados partilhados pela Liga Portuguesa contra o Cancro, a radiação solar é responsável por cerca de 90% dos casos de cancro da pele, sendo a exposição excessiva durante a infância e a adolescência uma preocupação acrescida. 
Neste artigo, vamos abordar de forma clara o impacto da radiação ultravioleta (UV) na nossa pele e partilhar orientações essenciais para prevenir e gerir os escaldões.

Quais são os principais tipos de raios solares?

O sol emite radiações com vários comprimentos de onda que, se ultrapassarem os limites de segurança, representam graves riscos para a saúde. 
É fundamental conhecer os principais componentes da luz solar:

Raios UVA
Penetram tanto na superfície da pele (epiderme) como nas camadas mais profundas (derme). Estão fortemente associados ao envelhecimento precoce da pele (fotoenvelhecimento) e causam uma pigmentação imediata, mas pouco duradoura. 
Contribuem significativamente para o risco global de cancro cutâneo por dano cumulativo no ADN através de mecanismos indiretos.

Raios UVB
Não ultrapassam a epiderme, sendo os grandes responsáveis por estimular a produção de nova melanina — o que confere o bronzeado duradouro. 
Não se esqueça que o bronzeado representa uma resposta de defesa da pele após agressão pela radiação UV. Contudo, os Raios UVB são também os principais causadores dos escaldões e provocam mutações diretas no ADN das células da pele, assumindo o papel principal no desenvolvimento do cancro cutâneo.

Raios UVC
Este tipo de radiação é totalmente filtrada pela camada de ozono na estratosfera, pelo que a radiação UVC natural não atinge a superfície terrestre, nem tem impacto direto na nossa saúde.

Radiação Infravermelha
Penetra até à camada mais profunda da pele (hipoderme) e contribui principalmente para a sensação térmica de calor que sentimos no corpo sob exposição ao sol.

AVISO IMPORTANTE – Cuidado com os dias nublados!

Nos dias nublados ou com o céu esbranquiçado, a radiação infravermelha é parcialmente retida pelas nuvens, o que reduz drasticamente a perceção de calor na pele. 
No entanto, até 80% da radiação UV consegue atravessar as nuvens mais finas. Como não sentimos calor, tendemos a descurar a proteção, mas o risco mantém-se significativo e os raios UV continuam a causar queimaduras solares, potencialmente graves. Não descure o protetor solar mesmo com o céu coberto!
 

O que é um escaldão e como se classifica?

O escaldão é uma queimadura provocada pela exposição excessiva da pele aos raios ultravioleta, que desencadeia uma resposta inflamatória do organismo. 
Podem classificar-se de acordo com o nível de gravidade das lesões:






Alerta:
apesar de a maioria dos escaldões superficiais sarar espontaneamente, eles deixam sequelas invisíveis e cumulativas. Podem provocar o envelhecimento precoce da pele e ser a causa direta do cancro cutâneo anos ou décadas mais tarde. Múltiplos estudos apontam para um risco significativamente maior em pessoas que sofreram episódios repetidos de escaldões na infância e na adolescência, reforçando a responsabilidade crucial dos pais na proteção e educação dos filhos.
 

Como evitar os escaldões?

É possível aproveitar os dias de sol em segurança e reduzir significativamente o risco de escaldões através de algumas medidas simples:

  • Vestuário adequado: use roupas frescas de mangas compridas, chapéu de abas largas e óculos de sol com lentes que tenham filtro UV certificado
  • Atenção às horas perigosas: evite a exposição solar direta nos períodos de maior intensidade da radiação ultravioleta, que habitualmente correspondem ao período entre as 11h e as 17h, nos meses de Verão em Portugal
  • Protetor solar sem falhas: aplique um protetor solar com fator de proteção elevado (FPS 50+) cerca de 15 a 30 minutos antes de sair de casa. Repita a aplicação a cada 2 horas ou imediatamente após sair da água, mesmo que a embalagem indique resistência à água
  • Procure a sombra: permaneça em locais abrigados do sol direto sempre que possível e evite longos períodos contínuos de exposição solar

O tempo necessário para sofrer uma queimadura varia com o fototipo (cor de pele e capacidade de bronzear) de cada pessoa. Uma pessoa ruiva ou muito clara sofrerá um escaldão muito mais depressa do que alguém moreno. 
Consulte o seu Dermatologista para perceber o seu fototipo e os seus riscos específicos.
 

Apanhei um escaldão! O que posso fazer agora?

Muitas vezes, conseguimos sentir que estamos a começar a ficar com um escaldão. Assim que notar os primeiros sinais de vermelhidão deve agir imediatamente para aliviar o desconforto e evitar maiores danos. Saiba aqui os passos que deve seguir:

  • Saia do sol de imediato – interrompa qualquer exposição solar direta
  • Dispa a roupa justa –  ao chegar a um local resguardado, retire as roupas em contacto direto com a zona afetada para evitar a retenção de calor na pele
  • Arrefeça a pele – use água fria da torneira ou aplique compressas húmidas. Nunca use gelo ou água gelada, pois o frio extremo funciona como uma agressão térmica adicional para a barreira cutânea já fragilizada
  • Hidrate profundamente – aplique um creme hidratante ou loção pós-solar calmante (sem perfume) na zona afetada
  • Roupas largas – vista peças de vestuário largas, leves e de tecidos naturais como o algodão
  • Beba água – mantenha uma boa hidratação por via oral para compensar a perda de líquidos e apoiar a recuperação
  • Não mexa nas bolhas – caso surjam bolhas na pele, nunca as rebente nem remova a pele descamada, diminuindo desta forma o risco de infeções bacterianas secundárias

 

Quando procurar ajuda médica?

Procure ajuda médica ou dirija-se a um serviço de urgência se o escaldão for muito extenso, se a dor for intolerável, se afetar um bebé ou criança pequena ou se notar sinais de infeção secundária, tais como: 

  • aumento marcado da dor
  • vermelhidão progressiva que se espalha
  • presença de pus ou febre 

Lembre-se que, após recuperar do escaldão, a pele recém-formada é ainda extremamente frágil e exige proteção absoluta: é fundamental evitar apanhar sol a curto prazo.

Autor do artigo

Miguel Alpalhão

Dermatovenereologista (Cédula Profissional: OM 62405)

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