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Cuidados a ter com o sol durante o verão: guia completo para toda a família

data de atualização15 julho 2026 Dr. Miguel Alpalhão artigo revisto por
Dr. Miguel Alpalhão  |  Dermatovenereologista
Imagem Lateral
família, com ar muito feliz, a brincar na piscina, a aproveitar o verão
A exposição solar faz parte do dia a dia, especialmente durante os meses de verão, mas deve ser feita com moderação e alguns cuidados. Neste artigo, reunimos as principais recomendações para se proteger do sol nesta estação, incluindo conselhos práticos de proteção solar, orientações para o autoexame da pele e sinais de alerta que justificam uma avaliação por um Médico Dermatologista.

Quais são os riscos de uma exposição solar excessiva?

Desfrutar do sol e das atividades ao ar livre traz inúmeros benefícios, mas exige a adoção de medidas de proteção adequadas para garantir que o fazemos com segurança. 
O dano provocado pela radiação ultravioleta é cumulativo ao longo da vida, e os riscos a curto e longo prazo incluem:

  • queimaduras solares agudas (escaldões)
  • reativação de infeções cutâneas (como o herpes labial) (saiba mais
  • agravamento de doenças crónicas com sensibilidade à luz solar (como lúpus e rosácea) (saiba mais)
  • envelhecimento prematuro da pele (rugas profundas, manchas e perda de elasticidade) (saiba mais
  • cancro da pele: o desenvolvimento de carcinomas e melanomas é o risco mais grave associado aos excessos de exposição solar acumulada (saiba mais

Para mitigar estes riscos e prevenir doenças cutâneas graves, a prevenção diária e o rastreio ativo são as suas melhores armas.
 

Quanto tempo por dia posso estar ao sol?

O tempo “seguro” depende do fototipo individual e do índice UV do momento. No entanto, crianças e pessoas de pele clara devem evitar a exposição solar direta nos períodos de pico de intensidade da radiação ultravioleta, geralmente o período entre as 11h e as 17h, nos meses de Verão, em Portugal. 
O uso de solários deve ser totalmente evitado, pois emitem radiação UVA de alta intensidade, associada ao aumento de cancro cutâneo.
 

Como e quando devo aplicar o protetor solar?

O fotoprotetor deve ser aplicado generosamente em toda a pele exposta, cerca de 15 a 30 minutos antes de sair de casa. É fundamental não esquecer zonas anatómicas frequentemente negligenciadas:

  • lábios (com protetor labial específico)
  • orelhas
  • pálpebras/contorno dos olhos
  • dorso das mãos
  • pés
  • couro cabeludo (em pessoas calvas ou com cabelo escasso)

Deve reaplicar, rigorosamente, de 2 em 2 horas e imediatamente após os banhos ou transpiração excessiva. O protetor solar deve ser adequado às características da sua pele e a eventuais problemas dermatológicos que possam coexistir (eczema atópico, acne, rosácea, melasma ou pigmentação excessiva, etc.). O seu Dermatologista saberá recomendar a melhor opção para o seu caso individual.
 

Quais os principais cuidados a ter com bebés e crianças?

A pele dos mais novos é mais fina, possui menor concentração de melanina e é extremamente vulnerável aos malefícios da radiação UV. 
Siga rigorosamente as seguintes recomendações:

  • utilize sempre protetores de fator muito elevado, com Fator de Proteção Solar (FPS) 50+
  • nos bebés e crianças pequenas podem ser preferidos protetores com filtros minerais (óxido de zinco ou dióxido de titânio), sobretudo em pele muito sensível, embora existam também protetores com filtros orgânicos modernos que apresentam bom perfil de segurança
  • reforce a proteção tópica com barreiras físicas: uso de t-shirt (de preferência com proteção UV), chapéu de abas largas que cubra o pescoço e orelhas, e óculos de sol com lentes UV certificadas

Atenção: os bebés com menos de 12 meses nunca devem ser expostos diretamente à radiação solar.
 

Como fazer o autoexame da pele passo a passo?

Vigiar regularmente a pele ajuda a detetar precocemente qualquer alteração suspeita. Crie o hábito de examinar o seu corpo uma vez por mês, sem esquecer as zonas que habitualmente não estão expostas ao sol, utilizando um espelho de corpo inteiro e um espelho de mão:
 

 

A- Rosto: observe detalhadamente o nariz, lábios, orelhas (e a região atrás delas)
B - Couro cabeludo: divida o cabelo com um pente em várias secções. Em caso de calvície, inspecione minuciosamente toda a área
C - Mãos: avalie as palmas, as costas das mãos e os espaços entre os dedos
D - Braços: dobre os cotovelos e examine cuidadosamente os antebraços, a parte superior dos braços e as axilas
E - Tronco: verifique o pescoço, o peito e o abdómen. As mulheres devem levantar as mamas para examinar minuciosamente os sulcos infra mamários
F - Costas: com o auxílio de um espelho de mão, inspecione a nuca, os ombros e toda a extensão das costas
G - Membros inferiores: examine as nádegas, a parte de trás das coxas e pernas. Termine nos pés, avaliando o dorso, a planta e os espaços entre os dedos
 

Quando é que um sinal deve preocupar? 

Memorize a Regra ABCDE, uma estratégia internacionalmente reconhecida para identificar lesões cutâneas potencialmente suspeitas. Estas “regras” servem como um sinal de alerta para agendar uma consulta com o seu Médico Dermatologista, para uma avaliação clínica rigorosa e diferenciada.

A - Assimetria: se dividir, teoricamente, o sinal ao meio, as duas metades são visivelmente diferentes em formato
B - Bordos: contornos irregulares, denteados, serrados ou mal definidos
C - Cor: coloração não uniforme, apresentando múltiplos tons (castanho-claro, castanho-escuro, preto, vermelho, branco ou azul)
D - Diâmetro: tamanho superior a 6 mm (equivalente à espessura da borracha na extremidade de um lápis)
E - Evolução: o sinal mudou de tamanho, forma ou cor ao longo do tempo, ou desenvolveu novos sintomas como sangramento, comichão persistente ou formação de crosta

Outro sinal importante é o chamado “sinal do patinho feio”, isto é, deve alertá-lo uma lesão cujas características são claramente diferentes e se destaca de todas as outras do seu corpo.

Nota: A presença de um ou mais destes critérios não significa obrigatoriamente um diagnóstico de cancro. Da mesma forma, alguns melanomas poderão não ter todos os sinais do ABCDE presentes (nomeadamente, podem ainda ter dimensões inferiores a 6mm em fases iniciais).
 

Com que frequência devo mostrar os meus sinais ao meu médico?

Não existe uma recomendação universal para que toda a população faça uma consulta anual de rastreio da pele. A frequência ideal depende do perfil de risco de cada pessoa.

População em geral e sem fatores de risco

Para a generalidade das pessoas, o foco principal deve ser o autoexame mensal em casa, utilizando a Regra ABCDE. Se não houver alterações nas lesões existentes nem o aparecimento de manchas suspeitas, não é obrigatório um rastreio médico formal todos os anos. O médico assistente poderá fazer uma observação oportuna durante as consultas de rotina. 

Grupos de risco intermédio a elevado 

  • pessoas com historial pessoal ou familiar de cancro da pele ou com historial de sinais previamente removidos e alterados (nevos displásicos)
  • indivíduos com doenças específicas ou certas alterações genéticas que aumentem o risco de cancro de pele
  • pessoas com história de lesões pré-malignas (como as queratoses actínicas ou radiodermites sequelares da radioterapia)
  • indivíduos com mais de 50 sinais no corpo
  • doentes imunossuprimidos
  • pessoas com antecedentes de múltiplos escaldões na infância, uso de solários, fototerapias ou com uma exposição solar muito intensa ao sol ao longo da vida. 

Nestes casos, que não representam uma lista exaustiva, deve haver uma avaliação por um Médico Dermatologista com uma regularidade anual, ou com maior frequência, conforme indicação clínica para cada caso. 

Nota: independentemente do seu grupo de risco ou do tempo decorrido desde a última consulta, deve mostrar de imediato os seus sinais ao médico sempre que detetar um sinal novo suspeito ou uma alteração na forma, tamanho, cor ou relevo de uma lesão antiga (Critério de Evolução).
 

Outras perguntas frequentes sobre a exposição solar e vigilância

Faz bem apanhar sol?

Sim, de forma estritamente moderada. A radiação solar é a nossa principal fonte natural de Vitamina D, essencial para o metabolismo ósseo e regulação do sistema imunitário. Na maioria das pessoas, a exposição solar habitual do dia a dia é suficiente para a produção de vitamina D. 

Posso usar o protetor solar que sobrou da embalagem do ano passado?

Depende. Antes de o utilizar, confirme na embalagem a data de validade, bem como a indicação de estabilidade após abertura e observe se o produto mantém o seu aspeto habitual. 
Se o protetor solar estiver dentro do prazo de validade e de estabilidade após abertura e tiver sido corretamente armazenado (ao abrigo do calor excessivo e da luz solar direta), pode continuar a ser utilizado.
No entanto, se a embalagem já estiver aberta há muito tempo, tiver sido frequentemente exposta ao calor (por exemplo, deixada ao sol na praia ou dentro do automóvel), ou se notar alterações na cor, cheiro ou consistência, é preferível substituí-lo. Estas alterações podem indicar degradação dos ingredientes, reduzindo a eficácia da proteção.

Os bronzeadores são seguros? Protegem a pele?

Depende do tipo de produto. Os chamados “bronzeadores” (óleos, loções ou aceleradores do bronzeado) não substituem o protetor solar. Quando não possuem um fator de proteção solar (FPS) adequado, podem favorecer uma maior exposição à radiação ultravioleta e aumentar o risco de queimaduras solares, envelhecimento precoce da pele e cancro cutâneo.
Por outro lado, os “autobronzeadores” funcionam de forma diferente. Estes produtos apenas conferem uma coloração temporária à camada mais superficial da pele, sem recorrer à radiação ultravioleta. 
Embora constituam uma alternativa mais segura para obter uma aparência bronzeada, não oferecem, só por si, qualquer proteção contra o sol, pelo que continua a ser indispensável utilizar protetor solar sempre que houver exposição solar. Alguns produtos no mercado já têm FPS incluído. Se optar por um destes produtos, deve escolher um FPS elevado, idealmente 50+.

É importante lembrar que não existe um bronzeado "saudável". O bronzeado natural representa uma resposta de defesa da pele perante a agressão provocada pela radiação UV, refletindo a tentativa do organismo de limitar os danos no ADN das células.
Se desejar permanecer ao sol, utilize sempre um protetor solar de amplo espetro (UVA/UVB) com um FPS adequado ao seu fototipo e reaplique-o regularmente. A utilização de bronzeadores nunca deve substituir as restantes medidas de fotoproteção, como procurar a sombra, usar chapéu, roupa adequada e evitar as horas de maior intensidade da radiação UV.

Os medicamentos influenciam a sensibilidade ao sol?

Sim. Uma vasta gama de fármacos de uso comum pode induzir aumento de sensibilidade ao sol. Entre eles destacam-se:

  • alguns antibióticos
  • anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) de uso banal
  • alguns anti-histamínicos tópicos de venda livre
  • diuréticos usados, entre outros, como anti-hipertensores ou no tratamento da insuficiência cardíaca
  • alguns antiarrítmicos
  • determinados medicamentos usados em quimioterapia ou em situações pós-transplante de órgãos
  • alguns psicofármacos
  • alguns medicamentos usados no tratamento de doenças dermatológicas, como por exemplo a acne, a psoríase ou o eczema atópico

Confirme sempre o folheto informativo e esclareça qualquer dúvida com o seu Dermatologista.
 

Proteja a sua pele - a prevenção é a sua maior arma!

Cuidar da pele não significa abdicar do bem-estar que as atividades ao ar livre proporcionam, mas sim adotar uma postura consciente e informada.
Adote comportamentos preventivos: há vários cuidados a ter em consideração antes de se expor ao sol, especialmente em dias em que a radiação ultravioleta está particularmente elevada.
A fotoproteção ativa e a vigilância atenta são as melhores armas para a saúde da sua pele. Proteja-se — o diagnóstico precoce é o seu maior aliado!

Artigo revisto por

Miguel Alpalhão

Dermatovenereologista (Cédula Profissional: OM 62405)

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