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Como o calor afeta o corpo (e como se proteger)

data de publicação09 julho 2026 Ana Margarida Mónica artigo revisto por
Dra. Ana Margarida Mónica  |  Médica de Medicina Interna
Imagem Lateral
Jovem sentada num jardim, visivelmente cansada pelo calor, limpa o suor da testa
O calor intenso não é apenas uma questão de desconforto. Pode afetar o funcionamento de vários órgãos e sistemas. Manter uma hidratação adequada, evitar a exposição solar nas horas de maior calor e permanecer em locais frescos, podem fazer toda a diferença na proteção da saúde.

Porque me sinto mal com o calor?

Para funcionar corretamente o corpo humano precisa de manter uma temperatura interna constante de aproximadamente 36,5ºC e 37ºC. 
Quando a temperatura ambiente aquece em demasia, o cérebro ativa dois mecanismos principais de emergência:
  • vasodilatação: os vasos sanguíneos dilatam (ficam mais largos) para trazer o sangue até à superfície da pele, tentando libertar o calor para o ar. É por isso que ficamos com o rosto vermelho. Como o sangue se espalha mais na periferia, a tensão arterial tende a baixar, o que pode causar tonturas, pernas inchadas (edema), cãibras ou desmaios
  • transpiração: ao evaporar da pele, o suor ajuda a arrefecer o corpo. Contudo, este processo faz-nos perder água e minerais preciosos a um ritmo acelerado. Se não houver reposição, surge a desidratação
Quando estes mecanismos falham e o corpo deixa de conseguir controlar a sua própria temperatura, podemos evoluir para uma emergência médica gravíssima: o golpe de calor ou insolação (quando a temperatura corporal ultrapassa os 40ºC). 
Este estado pode provocar: 
  • confusão mental
  • perda de consciência
  • ausência de suor (a pele fica quente e seca) 
  • morte, em situações extremas
 

O que fazer num dia de muito calor?

Proteger a saúde global no tempo quente exige cuidados em várias frentes. 

Reforce a hidratação 

Beba água sem esperar pela sede. A sede já é um sinal de alerta do cérebro para uma desidratação em curso. Procure beber água regularmente ao longo do dia.

Atenção ao que bebe: evite bebidas alcoólicas ou com elevados teores de açúcar. O álcool e o açúcar aumentam a perda de líquidos através da urina, agravando a desidratação. Opte por água ou sumos de fruta natural sem adição de açúcar.

Faça refeições leves

Dê preferência a refeições frias, leves e fracionadas (comer mais vezes ao longo do dia). Evite pratos pesados, muito quentes ou muito condimentados, que aumentam a produção de calor interno durante a digestão.
Privilegie frutas ricas em água, sopas frias e saladas. 

Proteja a sua casa contra o calor

Durante o dia (nas horas de maior calor), feche as janelas e corra as persianas ou portadas para impedir que a radiação solar entre. 
Ao entardecer e à noite, quando o ar exterior estiver mais fresco do que o interior, abra tudo e deixe o ar circular.
Se a sua casa for muito quente e não tiver ar condicionado, tente passar algum tempo num local fresco ou climatizado (como bibliotecas, museus ou centros comerciais) para permitir que o corpo recupere.

Nota: Sempre que possível, cozinhe durante as horas mais frescas do dia e evite o uso de outros eletrodomésticos que gerem calor desnecessário dentro de casa.

Evite a exposição solar prolongada   

Tente não sair à rua ou fazer atividades físicas intensas no exterior entre as 11h e as 17h. 
Se tiver mesmo de trabalhar ou treinar no exterior, tente fazê-lo acompanhado, pois em situações extremas o calor pode provocar confusão ou perda de consciência súbita.

Use proteção adequada 

Use roupas soltas, de tecidos leves e cores claras (que refletem o calor em vez de o absorver) e não dispense o chapéu e óculos de sol com proteção UVA/UVB.
O protetor solar é obrigatório: aplique um protetor com fator igual ou superior a 30 , pelo menos meia hora antes de sair e renove a aplicação de 2 em 2 horas.

Cuidado com os duches gelados

Tomar um banho de água morna ou tépida é excelente para arrefecer o corpo. Contudo, evite banhos com água gelada imediatamente após apanhar muito calor: o choque térmico abrupto pode ser perigoso, especialmente para crianças ou idosos.
 

Quais as pessoas mais vulneráveis ao calor?

O calor não afeta todos da mesma forma. As temperaturas elevadas representam um risco acrescido sobretudo para idosos, crianças e pessoas com doenças crónicas.
  • As crianças e idosos têm uma menor capacidade de regular a temperatura corporal e sentem menos a necessidade de pedir água. Garanta que bebem líquidos regularmente
  • Pessoas com problemas cardíacos, respiratórios ou renais devem redobrar a atenção, pois a medicação habitual (por exemplo, anti hipertensora e diuréticos) pode necessitar de ajustes no verão. Nunca altere a medicação por iniciativa própria e consulte sempre o seu médico 
  • As grávidas correm um maior risco de desidratação. Durante a gravidez, o organismo sofre alterações que aumentam a produção de calor e modificam a forma como regula a temperatura corporal
  • Quem trabalha ao ar livre deve reforçar a hidratação, fazer pausas frequentes em locais à sombra ou frescos e, sempre que possível, evitar as tarefas mais exigentes nas horas de maior calor
Nunca deixe crianças, idosos ou animais de estimação dentro de um veículo estacionado, nem por "apenas dois minutos". O interior de um carro ao sol transforma-se numa estufa em poucos minutos.
As pessoas que vivem sozinhas devem estar em contacto regular com familiares, vizinhos ou cuidadores, idealmente pelo menos duas vezes por dia, para dar conta do seu estado de saúde. 
 

Quais são os principais sinais de alerta?

Esteja atento aos sinais do seu corpo e dos que o rodeiam. Procure um local fresco e hidrate-se se sentir:
  • sede intensa 
  • boca seca 
  • urina escura 
  • tonturas 
Ligue para a Linha SNS 24 (808 24 24 24), em caso de:
  • transpiração abundante 
  • náuseas 
  • fraqueza 
  • pele fria 
Ligue imediatamente para o 112 perante sinais de gravidade, como:
  • alteração de comportamento
  • desmaio
  • convulsões
  • pele vermelha e quente
 

Desfrute do verão, mas respeite os sinais do seu corpo

O calor intenso pode afetar qualquer pessoa, mas compreender como o organismo reage às temperaturas elevadas é o primeiro passo para prevenir problemas como a desidratação, a exaustão pelo calor e o golpe de calor.
É fundamental manter uma boa hidratação, evitar a exposição solar nas horas de maior calor e reconhecer os primeiros sinais de alerta.
Sempre que surgirem sintomas preocupantes, procure ajuda médica sem demora.

Artigo revisto por

Ana Margarida Mónica

Médica de Medicina Interna (Cédula Profissional: OM 44922)

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