Facebook

Depressão pós-férias: como lidar com o regresso à rotina

data de publicação14 setembro 2026 Joana Alves artigo revisto por
Joana Alves  |  Psicóloga
Imagem Lateral
Mulher, com a mão na cabeça e uma expressão cansada, sentada à mesa a olhar para um portátil
Regressou de férias, voltou ao trabalho e só pensa que precisava de sair para férias de novo? Saiba que não está só. Este sentimento tem nome - depressão pós-férias ou síndrome pós-férias - e a maioria das pessoas passa exatamente pelo mesmo. 

O que é a depressão pós-férias?

A depressão pós-férias, também chamada síndrome pós-férias, é uma dificuldade temporária em retomar os horários, as responsabilidades e o ritmo do dia-a-dia depois de um período de descanso.
O regresso ao trabalho ou à escola, o trânsito, os horários mais rígidos e a acumulação de tarefas podem contrastar com o ritmo descontraído das férias, tornando essa transição mais desafiante.

Algumas pessoas podem sentir: 
  • ansiedade
  • stress
  • irritabilidade
  • alguma tristeza
  • dificuldade em dormir
  • dores musculares
  • alterações do apetite
  • sensação persistente de cansaço
É neste contexto que surgem expressões como “preciso de férias das férias” ou “ainda agora vim de férias e já estou cansado”.
Embora seja comum chamar a este conjunto de sensações depressão pós-férias ou síndrome pós-férias, esta designação não significa que exista um diagnóstico de depressão.

Depressão pós-férias não é o mesmo que depressão

É importante não confundir uma fase de adaptação ao regresso à rotina com um quadro depressivo.
Uma depressão é estado clínico que tem um impacto relevante na vida da pessoa.
Pode provocar sintomas mais intensos e persistentes, como tristeza profunda, perda de interesse ou prazer, alterações significativas do sono ou do apetite, falta de energia e dificuldade em realizar as atividades do dia a dia.
Já este mal-estar associado ao regresso das férias corresponde a uma dificuldade temporária de readaptação ao ritmo habitual, que tende a melhorar à medida que a pessoa recupera as suas rotinas.
 

Como preparar o regresso às rotinas?

As férias contribuem para reduzir o stress e dar tempo ao corpo para recuperar das exigências do dia-a-dia. Por isso, o regresso às rotinas não tem de ser feito de forma abrupta. 
Algumas estratégias podem ajudar a tornar esta transição mais gradual e a reduzir o impacto das mudanças nos horários, no sono e nas exigências do quotidiano.

6 dicas para ajudar no regresso ao trabalho

  • evite regressar de viagem na véspera de voltar ao trabalho. Reserve 1 a 2 dias em casa para desarrumar malas, ajustar horários de sono e organizar a semana com calma
  • comece a regular os horários de deitar e acordar alguns dias antes do regresso oficial, equilibrando o relógio biológico
  • regresse a meio da semana. Marque o regresso para uma quarta ou quinta-feira, para que a primeira semana seja mais curta e a adaptação mais suave
  • não remeta o convívio e o descanso apenas para as próximas "férias grandes". Mantenha pequenos momentos de prazer durante a semana (um jantar com amigos ou um passeio ao fim da tarde)
  • no primeiro dia de trabalho, dê prioridade a tarefas simples. Evite agendar reuniões decisivas ou tentar responder a todos os pedidos acumulados nas primeiras horas de trabalho
  • a prática de exercício físico moderado pode ajudar a aliviar a tensão e as dores musculares e estimular a libertação de endorfinas, podendo contribuir para uma melhoria da qualidade do sono e do apetite
 

Respeite este período de adaptação e peça ajuda se necessário!

Nem sempre é possível recuperar imediatamente a energia e a motivação. Aceitar que os primeiros dias podem ser mais exigentes ajuda a evitar a pressão de ter de voltar ao “ritmo normal” de um momento para o outro.
Mas se, apesar das estratégias aconselhadas, a tristeza, a ansiedade ou o cansaço se mantiverem ou começarem a interferir com a sua vida, fale com um profissional de saúde: nem todo o mal-estar depois das férias é uma depressão, mas sintomas persistentes merecem atenção.
 

Artigo revisto por

Joana Alves

Psicóloga (Cédula Profissional: OPP 013908)

Faça o seu comentário

Envie-nos o seu comentário, questão ou opinião.