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Como a solidão e o isolamento afetam a saúde

data de publicação18 maio 2026 Joana Paço artigo revisto por
Dra. Joana Paço  |  Médica de Medicina Geral e Familiar
Imagem Lateral
mulher com semblante triste está deitada na cama, sugerindo estar sozinha
Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que a solidão e a falta de laços sociais são consideradas uma crise de saúde pública global, afetando 1 em cada 6 pessoas em todo o mundo. Mas qual é a relação da solidão e do isolamento social com a nossa saúde?

Qual é a diferença entre solidão e isolamento social?

De acordo com Serviço Nacional de Saúde (SNS), isolamento social e a solidão estão interligados, mas apresentam diferenças importantes:

Isolamento social - condição objetiva de ausência de envolvimento social, como:
  • falta de contacto social ou familiar
  • ausência de participação na comunidade 
  • dificuldade ou ausência de acesso a serviços 
Solidão - experiência subjetiva, caracterizada por sentimentos de desconexão ou falta de pertença, incluindo: 
  • sensação de estar sozinho mesmo na presença de outros 
  • perceção de ausência de apoio emocional 
É importante sublinhar que apesar de serem conceitos diferentes, o isolamento social pode desencadear o sentimento de solidão.
 

Só os mais velhos se sentem sozinhos?

Não. Embora a população idosa seja particularmente vulnerável, a solidão pode afetar qualquer pessoa em diferentes fases da vida. 
Em algum momento, todos podem sentir-se profundamente sós e incompreendidos, independentemente da idade, género, situação laboral, estado civil ou local de residência (urbano ou rural).
 

Existem fatores de risco para a solidão ou isolamento social?

Algumas condições ou circunstâncias podem aumentar o risco de isolamento social, por exemplo:
  • doença mental grave
  • doença crónica
  • mobilidade reduzida ou incapacidade (por exemplo, surdez)
  • dependência de substâncias psicoativas
  • ser um cuidador informal permanente
  • condições laborais específicas (longas jornadas ou trabalho por turnos) 
  • viver sozinho (pessoas viúvas ou divorciadas)
  • pobreza ou precariedade económica
 

Como a solidão e isolamento social afetam a nossa saúde?

Os sentimentos de solidão não são apenas um estado emocional – desencadeiam respostas biológicas que afetam o sistema imunitário e cardiovascular. 
A solidão crónica mantém o corpo num estado de constante de alerta, aumentando os níveis de cortisol (a hormona do stresse), que provoca inflamação sistémica. 
A OMS alerta ainda que a solidão e o isolamento social aumentam a probabilidade de adotar estilos de vida pouco saudáveis, como fumar, consumir álcool em excesso, praticar pouca atividade física e ter uma alimentação deficiente. 

Riscos para a saúde física e mental:

  • doenças cardiovasculares: aumento de 29% no risco de doença coronária e 32% no risco de AVC (Acidente Vascular Cerebral)
  • Diabetes Tipo 2: risco de desenvolver a doença é até 24% maior em quem se sente sozinho com frequência
  • saúde cognitiva: a solidão está associada ao aparecimento de depressão, ansiedade e ao desenvolvimento de demência
  • qualidade do sono: pessoas isoladas ou solitárias tendem a ter um sono mais fragmentado e menos reparador
  • mortalidade prematura: devido ao declínio geral da saúde e/ou agravamento de outras condições médicas crónicas 
Nota sobre os dados da OMS: o relatório revela ainda que o isolamento social está associado a cerca de 871 mil óbitos por ano, em todo o mundo. 
 

Como se pode combater a solidão e o isolamento social?

Existem estratégias e hábitos que podem ajudar a reduzir a solidão e a manter contactos sociais regulares: 
  • convide alguém para conversar - em casa, no café ou no trabalho, vale a pena convidar um amigo, vizinho ou colega para um momento de conversa descontraída, respeitando sempre o ritmo do outro
  • ofereça escuta ativa - esteja disponível para ouvir, sem julgar, mostrando interesse genuíno pelo que as pessoas sentem e pensam
  • mantenha relações no trabalho - cultive ligações com colegas, pergunte pelo seu dia ou partilhe interesses para além do trabalho
  • participe na comunidade - informe-se sobre iniciativas, eventos ou atividades locais e envolva-se - é uma excelente forma de conhecer pessoas novas e sentir-se integrado
  • apoie quem vive sozinho - incentive o convívio entre vizinhos ou familiares que moram sozinhos, mesmo que seja através de pequenos gestos ou convites simples
  • use tecnologias de comunicação - aproveite chamadas, videochamadas ou mensagens para manter o contacto com quem está longe, criando pontes mesmo à distância
  • junte-se a atividades em grupo - explore clubes de leitura, caminhadas, aulas de dança, voluntariado ou qualquer grupo ligado aos seus interesses
  • partilhe hobbies - cozinhar, jogar, fazer jardinagem ou passear podem ser ainda melhores quando partilhados com outros — desafie alguém a juntar-se
  • crie pequenas rotinas de contacto - estabeleça o hábito de enviar uma mensagem ou ligar a alguém regularmente, só para saber como está ou desejar um bom dia
  • procure apoio profissional ou grupos de suporte - se sentir isolamento persistente, grupos de apoio ou sessões de grupo podem ser uma ajuda preciosa para criar ligações
 

A importância de não estar sozinho para proteger a saúde

A solidão e o isolamento social são problemas crescentes de saúde pública, com impacto direto na saúde física, mental e na qualidade de vida. Estão associados a um maior risco de doenças crónicas, como doenças cardiovasculares, diabetes e depressão, além de contribuírem para a mortalidade prematura.
Combater a solidão e o isolamento é um investimento vital no nosso bem-estar global. Se se sentir só ou socialmente isolado, procure ajuda - as ligações humanas são essenciais para uma vida mais saudável.

Artigo revisto por

Joana Paço

Médica de Medicina Geral e Familiar (Cédula Profissional: OM 60615)

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