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Hipertensão: aprenda a controlar o seu coração

data de atualização17 maio 2026 Anai Durazzo artigo revisto por
Prof. Dra. Anai Durazzo  |  Cardiologista
Imagem Lateral
profissional de saúde mede a tensão arterial a um homem
A Hipertensão Arterial é a principal causa de doença cardiovascular e de morte prematura. Fique a conhecer mais sobre esta condição que, de acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), e tendo por base dados da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), afeta mais de 3 milhões de pessoas em Portugal, com idade superior a 18 anos.

O que é a Hipertensão Arterial?

A força com que o sangue circula nas artérias do corpo é conhecida como Pressão Arterial (PA), ou por Tensão Arterial. Ao contrair, o coração bombeia sangue pelas artérias, veias e vasos capilares, irrigando músculos, tendões, tecidos e órgãos do corpo. 
Esta contração para bombear o sangue gera uma pressão que se denomina sistólica. Quando o coração relaxa para voltar a encher-se de sangue, provoca uma pressão conhecida como diastólica. 

Ao medir a sua pressão arterial, o valor mais elevado corresponde à pressão sistólica (“máxima”) e o valor mais baixo corresponde à pressão diastólica (“mínima”).
O aumento da pressão sobre as paredes das artérias, provocado por determinados fatores, dão origem ao que chamamos de Hipertensão Arterial (HTA). 
 

Quais são os tipos de Hipertensão que existem?

Existem dois tipos:

Hipertensão Arterial Primária - a mais frequente (90% a 95% dos casos), para a qual não é conhecida a causa, apesar de se identificarem como fatores de risco o consumo excessivo de sal, a obesidade, o envelhecimento, o stress, fatores genéticos, sedentarismo e consumo de álcool 

Hipertensão Arterial Secundária - tipologia associada a uma causa específica, possibilitando assim um tratamento ou cuidados direcionados. Nesse sentido, existem determinadas condições ou situações que a podem provocar, das quais se destacam:
  • apneia do sono (saiba mais)
  • doença renal (saiba mais)
  • síndrome de Cushing (excesso de cortisol no organismo)
  • feocromocitoma (tumor raro nas glândulas suprarenais)
  • hiperaldosteronismo primário (superprodução de aldosterona que provoca retenção de líquidos)
  • coartação da aorta (má-formação congénita que se caracteriza por um estreitamento da artéria aorta)
  • doenças da tiroide e paratiroide
  • contracetivos orais, descongestionantes nasais e fármacos dietéticos
  • gravidez (saiba mais)

 

Quais são os valores de Pressão Arterial?

Os valores da PA têm vindo a ser atualizados ao longo dos anos. Em 2024, foi proposta uma nova forma de classificação, que os organiza em: 

  • Pressão Arterial Não Elevada
  • Pressão Arterial Elevada
  • Hipertensão Arterial (HTA)

Valores atuais de referência da Pressão Arterial


 Fonte: Sociedade Europeia de Cardiologia / European Society of Cardiology
 

O que provoca a Hipertensão Arterial?

A HTA afeta mais os homens (cerca de 40%) e a faixa etária a partir dos 65 anos (mais de 70%). Porém, a partir dos 55 anos, mais de metade dos adultos sofre de Hipertensão.
Por outro lado, além das condições e patologias que podem provocar Hipertensão Arterial, destacam-se também como fatores de risco determinadas condicionantes como:

  • stress
  • excesso de Peso (Obesidade) (saiba mais)
  • consumo exagerado de sal, açúcar ou álcool
  • tabagismo
  • sedentarismo
  • colesterol elevado

 

Quais são os sintomas da tensão alta?

Na maioria dos casos, a HTA é uma doença silenciosa. Porém, com o passar dos anos, pode danificar vasos sanguíneos e órgãos como o cérebro, rins e o coração. Nessa fase podem surgir sintomas como:

  • dores de cabeça
  • tonturas
  • zumbidos
  • aumento dos batimentos cardíacos
  • dor no peito
  • falta de ar

 

Quais são as consequências da Hipertensão Arterial?

Uma das formas mais graves de Hipertensão é a crise hipertensiva, que resulta de um aumento rápido da pressão arterial e possíveis lesões que possa causar a órgãos como o coração, rins ou cérebro. Tal pode constituir uma emergência e ameaçar a vida.
A Hipertensão Arterial representa um dos principais fatores de risco de inúmeras condições cardiovasculares, algumas das quais constituem as principais causas de morte prematura. 
Entre elas destacam-se:

  • Acidente Vascular Cerebral (AVC) (saiba mais)
  • arritmias (em particular a Fibrilhação Auricular) (saiba mais)
  • demência vascular
  • Enfarte do Miocárdio (Ataque Cardíaco) (saiba mais)
  • insuficiência cardíaca (saiba mais)
  • insuficiência renal (saiba mais)
  • perda gradual da visão
  • disfunção eréctil (saiba mais)
  • doença arterial periférica (diminuição do fluxo sanguíneo do tronco, braços e pernas)

Portugal é um dos países da Europa que apresenta a maior taxa de mortes por doenças cerebrovasculares. 
 

Como se faz o diagnóstico de Hipertensão Arterial?

Apesar de ser uma doença silenciosa, a Hipertensão pode ser detetada através da medição da Pressão Arterial.
É importante esclarecer que uma medição isolada de valores elevados não equivale a um diagnóstico de Hipertensão. Há fatores circunstanciais que podem provocar valores acima do normal. Por isso, antes de cada medição, deve evitar:

  • fumar
  • beber café
  • praticar exercício físico nos 30 minutos anteriores

Deve permanecer sentado durante cerca de 5 minutos para permitir a estabilização dos valores.

A medição da pressão arterial deve ser repetida pelo menos três vezes, com um intervalo mínimo de 1 a 2 minutos entre cada avaliação.
A medição fora do consultório é recomendada, quer através da auto-medição domiciliária, quer por meio do MAPA (Monitorização Ambulatória da Pressão Arterial).
Este exame é realizado através de um aparelho que mede a pressão arterial ao longo do dia (24 horas), precavendo situações como a hipertensão de “bata branca” (que ocorre quando se registam valores elevados de pressão arterial derivados da ansiedade de se ir ao consultório). 
O MAPA é também importante para avaliar a eficácia da medicação, analisar o perfil da pressão arterial ao longo do dia e verificar a sua redução durante o sono, contribuindo para um melhor acompanhamento a longo prazo.
 

Qual é o tratamento para a Hipertensão Arterial?

O principal objetivo do tratamento é reduzir o risco cardiovascular, que deve ser sempre avaliado.
O tratamento da Hipertensão Arterial começa, sobretudo em situações menos graves, pela adoção de estilos de vida saudáveis
Dependendo da gravidade da hipertensão e do risco cardiovascular global, o médico poderá também prescrever medicação anti-hipertensora - isoladamente ou em combinação - com o objetivo de controlar os valores da pressão arterial e reduzir o risco de complicações.

Destaca-se que, dos mais de 3 milhões de portugueses com Hipertensão, menos de metade está medicada e apenas 11,2% tem a sua condição controlada, o que reforça a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento regular e da adesão ao tratamento.
 

É possível prevenir a Hipertensão Arterial?

Numa palavra, sim!
O primeiro passo é adotar comportamentos saudáveis, a começar pelas crianças. De acordo com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), nos últimos anos, tem-se observado um aumento do excesso de peso e obesidade nestas faixas etárias, calculando-se que entre 2,2% e 13% de crianças e adolescentes entre os 4 e os 18 anos sejam hipertensas. 

Nesse sentido, e tendo em mente a população em geral, as melhores formas de prevenir a Hipertensão Arterial são:

  • deixar de fumar
  • ter uma alimentação saudável (controlando a ingestão de sal, sódio e açúcar)
  • fazer exercício físico de modo regular
  • evitar o consumo excessivo de álcool
  • manter um peso saudável
     

Não se esqueça de controlar a sua Pressão Arterial!

Cuidar da saúde cardiovascular é um compromisso diário que começa na prevenção e se reforça na vigilância contínua. Não descure a medição regular da sua Pressão Arterial, nem a adoção de hábitos de vida saudáveis. Pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença na proteção do seu coração. 

Artigo revisto por

Anai Durazzo

Cardiologista (Cédula Profissional: OM 48876)

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