Evite os escaldões na praia: conselhos para o verão

27 Julho 21   |   405

Os escaldões no Verão podem ser dolorosos. Mas as suas consequências podem ir além da pele vermelha durante 2 ou 3 dias. Cerca de 90% dos casos de cancros de pele têm um historial de exposição solar excessiva, sobretudo na infância e adolescência. Vejamos então a influência da radiação ultravioleta na pele e o que fazer para evitar os escaldões na pele.

 

Radiação ultravioleta: A e B (e C)

O sol emite radiações com vários comprimentos de onda. Fique a conhecer os vários tipos e como afetam o nosso organismo:

  • UVA: têm a capacidade de penetrar na superfície da pele (epiderme) e nas camadas mais profundas (derme). Estimula a produção de melanina, hormona responsável pelo tom de pele (e pelo bronzeado). Este tipo de radiação é frequentemente associado ao envelhecimento precoce da pele, mas existem estudos que encontraram indícios do seu papel na formação do cancro da pele.
  • UVB: ficam-se pela epiderme e são responsáveis pelo tom bronzeado com que regressamos nas férias. São também responsáveis pela maior parte dos escaldões e podem provocar mutações no DNA das células da pele. Este tipo de radiação é o principal responsável pelo cancro da pele.
  • UVC: felizmente, este tipo de radiação é normalmente filtrado na sua totalidade pela camada de ozono na estratosfera.

 

Escaldões: como evitar

Os escaldões são eritemas solares provocados pela exposição da pele aos raios ultravioleta do sol. São uma resposta do organismo ao excesso de exposição solar. Podem considerar-se estas queimaduras solares em três graus:

  • Ligeiros, com vermelhidão da pele e ardor
  • Segundo grau, com formação de bolhas e dor intensa
  • Terceiro grau, com destruição de tecidos da pele, situação de extrema gravidade a curto, médio e longo prazo.

Apesar da grande maioria dos escaldões ser curado de forma espontânea, podem deixar sequelas que provocam o envelhecimento precoce da pele ou mesmo vir a serem responsáveis por cancro da pele várias décadas depois. Aliás, alguns estudos apontam para um maior risco de cancro da pele em pessoas que tiveram muitos escaldões na infância e adolescência, sendo assim extremamente importante que os pais protejam os seus filhos e os eduquem relativamente a boas práticas na exposição solar.

 

O que fazer se tiver um escaldão?

Muitas vezes, conseguimos sentir que estamos a começar a ficar com um escaldão. Saiba o que fazer:

  • Saia do sol.
  • Retire a roupa que possa estar em contacto com a zona da pele afetada de modo a não acumular calor nessa zona.
  • Arrefeça a zona do escaldão com água fria da torneira ou aplique uma compressa humedecida. Não coloque água gelada nem gelo, uma vez que as baixas temperaturas ainda irão queimar mais essa zona.
  • Aplique um creme hidratante sem perfume na zona afetada. Dependendo dos casos, poderá ser necessário a observação por um médico especialista.
  • Vista roupa larga e fresca.
  • Reforce a hidratação bebendo muita água.
  • Opte por alimentos ricos em vitamina A, como a papaia, manga ou romã.
  • Esteja atento a uma possível infeção.
  • Se for caso disso, tome um analgésico ou anti-inflamatório para controlar o ardor e combater a inflamação provocada pelo escaldão.

Após recuperar do escaldão, é importante ter um cuidado extremo numa nova exposição ao sol. A pele está mais frágil e ainda em recuperação. Aplique um protetor solar de maior FPS (fator de proteção solar), procure a sombra e saia do sol assim que sentir que a pele está a queimar outra vez.

 

Marque uma consulta com o seu Dermatologista

Os escaldões são um dos sinais mais comuns de uma exposição solar nefasta para o organismo. Quanto mais a pele for exposta a essas agressões maior a probabilidade de complicações graves na sua saúde. Adotar comportamentos saudáveis na exposição solar, como evitar a exposição solar nas horas mais perigosas (entre as 10h e as 17h) ou usar protetor solar com um FPS adequado, pode diminuir o risco de cancro da pele no futuro.

Por isso, esteja atento aos sinais e manchas cutâneas e, se for caso disso, marque a sua consulta de Dermatologia para obter um diagnóstico especializado da saúde da sua pele.

Autor do artigo

Adelina Costin

Dermatologista