Uma das complicações mais frequentes da Diabetes é o Pé Diabético, em que surgem feridas crónicas e de difícil cicatrização nos pés, com risco elevado de amputação do membro afetado.
Os mais recentes números da
Sociedade Portuguesa de Diabetologia indicam que, em Portugal, cerca de 1,1 milhões de adultos vivem com Diabetes. No ano de 2024, foram identificados mais 88.476 novos casos.
O que é o Pé Diabético?
O Pé Diabético é um termo geral que descreve diferentes problemas nos pés causados pela Diabetes. Estas complicações podem acontecer devido:
- à pressão contínua que os pés suportam ao sustentar o peso do corpo
- à estrutura óssea dos pés, que pode sofrer deformações
- à maior facilidade dos pés para sofrerem traumatismos e lesões
Mas muitos doentes diabéticos podem desenvolver também:
- Neuropatia Diabética - alterações nas pernas e pés, como problemas motores e de sensibilidade
- Artropatia Diabética - alterações na posição das articulações do pé
Fatores que podem provocar Pé Diabético
O Pé Diabético não surge de forma súbita. É, muitas vezes, resultado de uma combinação de fatores que aumentam a probabilidade de lesões nos pés. As pessoas diabéticas com maior risco de desenvolver Pé Diabético incluem:
- Diabetes de longa duração
- historial clínico de feridas nos membros inferiores
- má circulação
- mau controlo da glicose
- tabagismo
- visão diminuída (dificulta a inspeção dos pés)
- idade avançada
Sintomas do Pé Diabético
O Pé Diabético pode apresentar sintomas incapacitantes que devem ser devidamente acompanhados e tratados.
Os principais sintomas do Pé Diabético são:
- feridas e úlceras
- dormência ou perda de sensibilidade
- alterações da pele
- deformidades nos pés
- dor ao caminhar
Porque é que o pé diabético não cicatriza?
Nos doentes diabéticos, é comum existir Doença Arterial Periférica (DAP), que provoca obstrução das artérias e dificulta a circulação do sangue.
Com menos fluxo sanguíneo para os pés, as feridas demoram mais a cicatrizar e aumenta o risco de complicações.
Riscos e Complicações do Pé Diabético
Além dos sintomas é, igualmente, importante compreender os riscos associados a esta condição.
Devido à dificuldade de cicatrização, as feridas na pele podem ser uma porta de entrada para fungos e bactérias causadores de infeções. Estas infeções, quando não tratadas a tempo ou quando evoluem de forma agressiva, podem originar complicações graves.
O maior risco que pode afetar doentes com Pé Diabético é a amputação do pé na sua totalidade (amputação major) ou de parte deste membro (amputação minor). Quando as complicações são de tal forma graves, em alguns casos, a amputação pode ser a única solução para controlar a propagação de uma infeção.
Como Prevenir o Pé Diabético
Também é possível que as lesões que originam o Pé Diabético não provoquem dor ou manifestem sintomas.
Por isso, a pessoa com Diabetes deve ter uma atitude ativa e preventiva nas rotinas diárias com os seus pés:
- inspeção - verificar os pés diariamente, incluindo entre os dedos, em local bem iluminado
- higiene - lavar os pés diariamente com água morna e evitar deixá-los “de molho” por mais de 5 minutos. É importante secar bem os pés, especialmente entre os dedos, com um tecido macio, sem esfregar
- calor - evitar fontes diretas de calor, como sacos de água quente ou aquecedores. Para aquecer os pés, deve-se utilizar meias de algodão ou de lã macia.
- hidratação - aplicar creme hidratante em todo o pé, exceto entre os dedos
- unhas - cortar as unhas com objetos apropriados, sempre a direito. Também é aconselhado limar as unhas semanalmente com uma lima de cartão.
- calosidades - evitar remover calosidades em casa ou lugares não especializados. Para ter um tratamento adequado, a pessoa com Diabetes deve procurar a ajuda de um profissional qualificado
- meias – usar meias de algodão ou lã macia de cores claras e trocá-las todos os dias. Deverão ser evitadas meias com elástico apertado ou costuras salientes
- calçado – evitar sapatos abertos, apertados e de materiais sintéticos. O ideal seria recorrer a sapatos e palmilhas feitos “à medida” por um técnico especializado
Tratamento do Pé Diabético
Se tiver uma pequena ferida no pé, deve lavá-la cuidadosamente com soro fisiológico, manter uma vigilância constante e contactar o seu médico ou enfermeiro para que possa ser avaliada.
Se a lesão apresentar sinais de infeção - como vermelhidão, inchaço, presença de pus, calor local ou mau cheiro - deve procurar um profissional de saúde imediatamente.
Além do cuidado com as feridas, é fundamental controlar rigorosamente a Diabetes, a hipertensão arterial e o colesterol.
O tabagismo prejudica a circulação sanguínea e aumenta significativamente o risco de amputação em pessoas com Diabetes, pelo que deixar de fumar é essencial para proteger a saúde dos seus pés.
Conclusão
Os pés das pessoas com Diabetes exigem cuidados e, acima de tudo, vigilância. O bom controlo da Diabetes e dos fatores de risco cardiovasculares (hipertensão arterial, dislipidemia, não fumar, evitar o excesso de peso e praticar atividades físicas) são importantes na redução do potencial de desenvolvimento de feridas nos pés.
O acompanhamento médico regular é fundamental para evitar que situações tratáveis possam evoluir para complicações graves.