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Cancro do Colo do Útero: tudo o que precisa de saber sobre esta doença

data de atualização11 março 2026 Dra. Catarina Santos Costa ginecologista na Cintramédica artigo revisto por
Dra. Catarina Santos Costa  |  Ginecologista
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O Cancro do Colo do Útero é um problema de saúde pública preocupante. Mas com os devidos cuidados, pode ser detetado e tratado precocemente. Neste artigo, abordamos os principais sinais a que deve estar atenta, formas de diagnóstico, tratamento e prevenção.
 

O que provoca o Cancro do Colo do Útero?

O HPV (Vírus do Papiloma Humano) é responsável por cerca de 99% dos casos de Cancro do Colo do Útero. Como esta é frequentemente uma doença silenciosa, a realização do rastreio é fundamental para permitir a deteção precoce e o tratamento atempado.
Esta infeção é muito comum e pode afetar cerca de 75% das mulheres ao longo da vida, embora apenas uma pequena percentagem desenvolva cancro.

Fatores de Risco do Cancro do Colo do Útero:

  • HPV - Papilomavírus Humano: é um vírus que infeta a pele e as mucosas e é transmitido através do contacto sexual. Uma vigilância adequada em consultas de Ginecologia, ajuda a detetar a existência de células afetadas com o vírus e o seu tratamento pode evitar o desenvolvimento do Cancro do Colo do Útero
  • idade: o Cancro do Colo do Útero ocorre com maior frequência a partir dos 40 anos de idade
  • histórico sexual: as mulheres que tenham um número elevado de parceiros sexuais apresentam um maior risco de contraírem a doença
  • tabagismo: as mulheres fumadoras com infeção por HPV apresentam um risco acrescido de contrair Cancro do Colo do Útero
     

Quais são os sintomas de Cancro do Colo do Útero?

No estadio inicial do Cancro do Colo do Útero, a mulher não sente qualquer tipo de dor, sendo por isso importante consultar o seu médico de forma regular. 
Só numa situação mais avançada é que começam a surgir os primeiros sintomas da doença, altura em que o tratamento poderá ser mais complexo.

Os principais sintomas do Cancro do Colo do Útero são:

  • corrimento vaginal anormal
  • dor durante as relações sexuais
  • hemorragia entre períodos menstruais regulares
  • hemorragia vaginal anormal
  • hemorragia após relação sexual
  • hemorragia após a menopausa

Em alguns casos, estes sintomas podem estar associados a infeções ou outros problemas de saúde, e só o médico poderá fazer essa avaliação.
 

Como é feito o diagnóstico do Cancro do Colo do Útero?

Se uma mulher apresentar sintomas sugestivos, resultados do Teste de Papanicolau (citologia) ou teste HPV alterados, o médico poderá recomendar exames adicionais para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento mais adequado.

Exame de Colposcopia

A colposcopia é um exame que permite observar detalhadamente o colo do útero, vagina e vulva através de um colposcópio, um instrumento que funciona como um microscópio com uma lente de aumento e uma fonte de luz.
Geralmente realizada em consultório ou clínica, a colposcopia ajuda a identificar áreas suspeitas que possam necessitar de análise adicional com biópsia.

Análise de Biópsia em Anatomia Patológica

Durante a colposcopia, o médico pode recolher uma pequena amostra de tecido (biópsia) para investigar células pré-cancerígenas ou cancerígenas.
A maioria das biópsias é feita no consultório com anestesia local, e o tecido é posteriormente analisado em Laboratório de Anatomia Patológica.
 

Qual o tratamento para o Cancro do Colo do Útero?

A escolha do tratamento depende sobretudo do tamanho do tumor e da sua possível disseminação (metastização). Para uma mulher em idade fértil, a escolha do tratamento pode ainda depender da sua intenção, ou não, em engravidar.
As mulheres com Cancro do Colo do Útero podem ser tratadas através de: 

  • cirurgia 
  • radioterapia
  • quimioterapia
  • radioterapia com quimioterapia 
  • combinação dos três métodos - cirurgia, radioterapia e quimioterapia

Em qualquer fase, as mulheres com esta doença podem ser medicadas no sentido de controlar a dor e outros sintomas, para aliviar os efeitos secundários dos tratamentos e ajudar a lidar com dificuldades emocionais.
Este tipo de tratamento é designado por cuidados de suporte, gestão dos sintomas ou cuidados paliativos.
 

Como prevenir o Cancro do Colo do Útero?

Homens e mulheres podem transmitir o vírus, sendo a atividade sexual a forma mais frequente de contágio.
A vacinação contra o HPV é a forma mais eficaz de prevenção. Tal como outras vacinas, estimula o sistema imunitário a reconhecer o vírus e a impedir que as células do colo do útero sejam infetadas. 
Por isso, é importante que a vacina seja administrada antes do início da vida sexual, normalmente durante a infância ou adolescência.

Em Portugal:

  • faz parte do Programa Nacional de Vacinação (PNV) para raparigas aos 10 anos
  • desde outubro de 2020, rapazes nascidos a partir de 2009 também recebem a vacina gratuitamente
  • a vacina contra o HPV é altamente eficaz na prevenção do Cancro do Colo do Útero e os efeitos secundários graves são muito raros

 

Outras perguntas frequentes

A infeção por HPV significa que vou ter Cancro do Colo do Útero?

Não. A maioria das infeções por HPV é temporária e eliminada pelo sistema imunitário. Só uma pequena percentagem de infeções por tipos de HPV de alto risco pode levar ao desenvolvimento de lesões cancerosas. 

Fui vacinada contra o HPV. Tenho de fazer o rastreio?

Sim, é fundamental. O rastreio ginecológico, através de citologia e do teste de HPV, deve ser mantido. A vacina não protege contra todos os tipos de HPV. O rastreio regular é a melhor forma de detetar alterações celulares, mesmo nas mulheres vacinadas.

Tenho 40 anos e nunca fui vacinada contra o HPV. O que devo fazer?

Mesmo que não tenha sido vacinada, é importante continuar a fazer o rastreio regular do Cancro do Colo do Útero, de acordo com as recomendações médicas. O seu médico pode aconselhar se a vacinação ainda é adequada para si, tendo em conta a sua idade, histórico de infeções e outros fatores de saúde. O mais importante é não negligenciar o rastreio, mesmo na ausência de vacinação.
 

Conclusão – Não adie o rastreio!

O rastreio regular é a forma mais eficaz de identificar alterações do colo do útero em fases iniciais. 
Quando diagnosticado precocemente, o Cancro do Colo do Útero tem elevadas taxas de sucesso terapêutico, muitas vezes com tratamentos menos agressivos.
A vacinação contra o HPV e a vigilância ginecológica contínua são ferramentas fundamentais para reduzir significativamente o risco desta doença. Fale com o seu médico e marque o seu rastreio se não o fez recentemente. 

Artigo revisto por

Catarina Santos Costa

Ginecologista (Cédula Profissional: OM 70555)

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