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HPV: o que é e quais os principais sintomas?

data de atualização04 março 2026 Dr. Sérgio Cunha autor do artigo
Dr. Sérgio Cunha  |  Especialista em Análises Clínicas (OB 2999)
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HPV, Vírus do Papiloma Humano, infeção

O HPV (Vírus do Papiloma Humano) é a infeção sexualmente transmissível mais comum no mundo. Muitas pessoas não apresentam sintomas, mas alguns tipos podem causar verrugas genitais ou até cancro do colo do útero. 
Neste artigo explicamos o que é, como se transmite, quais os sintomas e como prevenir.

O que é o Vírus do Papiloma Humano – HPV?

O HPV é um grupo de vírus que infeta a pele e as mucosas humanas e representa a infeção sexualmente transmissível mais comum no mundo. 
Existem mais de 200 tipos de HPV, dos quais cerca de 40 podem infetar a região genital e anogenital.
A maioria das pessoas sexualmente ativas entra em contacto com HPV ao longo da vida — a prevalência global é elevada e muitos casos passam sem sintomas.
 

Como se transmite o HPV? 

O HPV é transmitido principalmente por contacto direto pele-a-pele ou mucosa-a-mucosa com uma pessoa infetada, sobretudo através de:

  • relações sexuais vaginais, anais ou orais
  • contacto íntimo genital mesmo sem penetração
  • contacto com mãos ou brinquedos sexuais que tocaram áreas infetadas
  • transmissão perinatal durante o parto, embora rara

A utilização de preservativo reduz o risco mas não elimina totalmente a transmissão, pois o vírus pode afetar áreas fora da zona de proteção.
 

Qual é a prevalência do HPV, em Portugal e no resto do mundo?

A infeção pelo HPV é o principal fator de risco para o cancro do colo do útero, já que praticamente todos os casos deste cancro estão associados a uma infeção persistente por HPV.

HPV em Portugal

Em estudos epidemiológicos portugueses, a prevalência de HPV em mulheres sexualmente ativas tem sido estimada em cerca de 19–28%, com variações por idade e tipo de população estudada.
Os tipos de HPV de alto risco estão presentes numa proporção significativa desses casos.
Estima-se que a grande maioria das mulheres em Portugal terá contacto com HPV ao longo da vida sexualmente ativa.

HPV no resto do mundo

Globalmente, estima-se que cerca de 12% das mulheres sexualmente ativas testem positivo para DNA de HPV, com taxas superiores em mulheres jovens (<25 anos).
A maioria das infeções é transitória e resolvida pelo sistema imunitário, mas a exposição é altamente comum em todas as populações sexualmente ativas.
 

Existem diferentes tipos de HPV?

Os tipos de HPV dividem-se em dois grandes grupos com impacto clínico diferente:

  • HPV de baixo risco - Tipos como 6 e 11 estão associados a verrugas genitais e anogenitais. Geralmente, não causam lesões pré-malignas.
     
  • HPV de alto risco - Tipos como 16, 18, 31, 33, 45, 52, 58 (e outros) podem causar lesões celulares que podem evoluir para cancro do colo do útero, especialmente se a infeção for persistente.

Os tipos HPV16 e HPV18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de cancro do colo do útero mundialmente.
Infeções por tipos HPV de alto risco tendem a persistir por mais tempo no organismo e têm maior probabilidade de causar lesões pré-malignas, que precisam de acompanhamento e tratamento.
 

Quais são os sintomas da infeção por HPV?

Na maioria dos casos, a infeção não causa sintomas (assintomática) e o vírus não provoca sinais óbvios.
Quando existem sintomas, estes podem incluir:

Lesões de baixo risco

  • verrugas genitais (condilomas): pequenas elevações na vulva, pênis, ânus ou região genital
  • pode haver prurido ou incómodo local

Lesões de alto risco / subclínicas

  • sem sintomas visíveis, mas podem causar alterações celulares detetadas em exames como a citologia líquida
  • podem evoluir para lesões pré-malignas ou cancro ao longo de anos ou décadas
     

Qual é o tratamento para o HPV?

Não existe, até hoje, um tratamento que elimine o vírus do corpo de forma direta. O foco terapêutico é:

  • nas lesões visíveis ou clínicas - remoção ou cauterização das verrugas e lesões (crioterapia, eletrocauterização, laser ou tratamentos tópicos prescritos por um médico).
  • nas lesões pré-malignas - podem necessitar de remoção cirúrgica da zona afetada, geralmente o colo do útero.
  • nas infeções assintomáticas - podem regredir naturalmente, especialmente em pessoas mais jovens com sistema imunitário competente.

A vigilância regular com exames ginecológicos e testes de rastreio são cruciais, mesmo após tratamento de lesões.
 

Os homens também podem ser infetados pelo HPV? 

Como já se disse anteriormente, os tipos de HPV de alto risco estão fortemente associados ao cancro do colo do útero na mulher. 
No homem, contudo, a infeção pelos mesmos tipos é frequentemente assintomática e, na maioria dos casos, transitória. Ainda assim, pode ter relevância clínica e epidemiológica importante.
O HPV infeta células epiteliais da pele e mucosas (pénis, glande, prepúcio, uretra distal, ânus e orofaringe).
Ao contrário das mulheres - onde existe uma zona de transformação no colo do útero particularmente vulnerável - o tecido epitelial peniano parece menos propenso a desenvolver lesões pré-malignas persistentes.

Resultado: muitos homens não apresentam qualquer sintoma, não têm lesões visíveis e desconhecem que estão infetados.

HPV associado a diferentes cancros no homem

Embora menos frequente do que na mulher, a infeção persistente por HPV de alto risco no homem pode estar associada a:

  • cancro do pénis
  • cancro anal
  • cancro da orofaringe

Fatores de risco de HPV no homem

O risco aumenta em:

  • homens com múltiplas parceiras
  • homens que têm sexo com homens
  • imunossuprimidos
  • fumadores

Ainda assim, a probabilidade individual é baixa quando comparada com o risco de lesões do colo do útero na mulher.
A medida mais eficaz é a vacinação contra HPV de rapazes e homens antes da exposição ao vírus.
 

Existe alguma vacina contra o HPV?

Existem várias vacinas profiláticas que protegem contra os tipos de HPV mais associados a verrugas e cancro do colo do útero:

  • Bivalente – protege contra HPV 16 e 18 (alto risco)
  • Quadrivalente – protege contra HPV 6, 11, 16 e 18
  • Nãoavalente – protege contra 9 tipos (incluindo vários de alto risco e 6/11)


Como funcionam as vacinas?

Estimulam o sistema imunitário a produzir anticorpos que bloqueiam infeções pelos tipos incluídos na vacina, antes da exposição ao vírus.


Programa de vacinação em Portugal contra o HPV

Em Portugal, a vacina nãoavalente faz parte do Programa Nacional de Vacinação (PNV), com esquema recomendado para adolescentes e conforme indicação médica.


Efeito da vacinação na prevalência de HPV de alto risco

Vários estudos mostram que a vacinação contra HPV tem reduzido de forma significativa a prevalência de infeções por tipos de alto risco:

  • queda acentuada dos tipos 16 e 18 em populações vacinadas
  • redução global das verrugas genitais em adolescentes após a introdução da vacina
  • evidências de imunidade de grupo — mesmo pessoas não vacinadas podem ter menor risco de infeção quando uma grande parte da população recebe a vacina

Em países com programas de vacinação abrangentes, observou-se quedas de mais de 90% nas infeções por HPV 16/18 em adolescentes vacinadas, e reduções significativas também em não vacinados por efeito indireto.
 

Conclusão

O HPV é muito comum, pode ser transmitido com ou sem sintomas, e embora a maioria das infeções seja benigna e autolimitada, alguns tipos podem levar ao desenvolvimento de cancros potencialmente preveníveis através da vacinação e do rastreio. 
A combinação de várias medidas reduz substancialmente o impacto da infeção por HPV na saúde pública:

  • vacinação eficaz
  • uso correto de preservativos
  • rastreio regular (citologia líquida / testes HPV)
  • acompanhamento médico para lesões detetadas
Dr. Sérgio Cunha

Autor do artigo

Dr. Sérgio Cunha

Especialista em Análises Clínicas (OB 2999)

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