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O HPV (Vírus do Papiloma Humano) é a infeção sexualmente transmissível mais comum no mundo. Muitas pessoas não apresentam sintomas, mas alguns tipos podem causar verrugas genitais ou até cancro do colo do útero.
Neste artigo explicamos o que é, como se transmite, quais os sintomas e como prevenir.
O HPV é um grupo de vírus que infeta a pele e as mucosas humanas e representa a infeção sexualmente transmissível mais comum no mundo.
Existem mais de 200 tipos de HPV, dos quais cerca de 40 podem infetar a região genital e anogenital.
A maioria das pessoas sexualmente ativas entra em contacto com HPV ao longo da vida — a prevalência global é elevada e muitos casos passam sem sintomas.
O HPV é transmitido principalmente por contacto direto pele-a-pele ou mucosa-a-mucosa com uma pessoa infetada, sobretudo através de:
A utilização de preservativo reduz o risco mas não elimina totalmente a transmissão, pois o vírus pode afetar áreas fora da zona de proteção.
A infeção pelo HPV é o principal fator de risco para o cancro do colo do útero, já que praticamente todos os casos deste cancro estão associados a uma infeção persistente por HPV.
Em estudos epidemiológicos portugueses, a prevalência de HPV em mulheres sexualmente ativas tem sido estimada em cerca de 19–28%, com variações por idade e tipo de população estudada.
Os tipos de HPV de alto risco estão presentes numa proporção significativa desses casos.
Estima-se que a grande maioria das mulheres em Portugal terá contacto com HPV ao longo da vida sexualmente ativa.
Globalmente, estima-se que cerca de 12% das mulheres sexualmente ativas testem positivo para DNA de HPV, com taxas superiores em mulheres jovens (<25 anos).
A maioria das infeções é transitória e resolvida pelo sistema imunitário, mas a exposição é altamente comum em todas as populações sexualmente ativas.
Os tipos de HPV dividem-se em dois grandes grupos com impacto clínico diferente:
Os tipos HPV16 e HPV18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de cancro do colo do útero mundialmente.
Infeções por tipos HPV de alto risco tendem a persistir por mais tempo no organismo e têm maior probabilidade de causar lesões pré-malignas, que precisam de acompanhamento e tratamento.
Na maioria dos casos, a infeção não causa sintomas (assintomática) e o vírus não provoca sinais óbvios.
Quando existem sintomas, estes podem incluir:
Lesões de baixo risco
Lesões de alto risco / subclínicas
Não existe, até hoje, um tratamento que elimine o vírus do corpo de forma direta. O foco terapêutico é:
A vigilância regular com exames ginecológicos e testes de rastreio são cruciais, mesmo após tratamento de lesões.
Como já se disse anteriormente, os tipos de HPV de alto risco estão fortemente associados ao cancro do colo do útero na mulher.
No homem, contudo, a infeção pelos mesmos tipos é frequentemente assintomática e, na maioria dos casos, transitória. Ainda assim, pode ter relevância clínica e epidemiológica importante.
O HPV infeta células epiteliais da pele e mucosas (pénis, glande, prepúcio, uretra distal, ânus e orofaringe).
Ao contrário das mulheres - onde existe uma zona de transformação no colo do útero particularmente vulnerável - o tecido epitelial peniano parece menos propenso a desenvolver lesões pré-malignas persistentes.
Resultado: muitos homens não apresentam qualquer sintoma, não têm lesões visíveis e desconhecem que estão infetados.
Embora menos frequente do que na mulher, a infeção persistente por HPV de alto risco no homem pode estar associada a:
O risco aumenta em:
Ainda assim, a probabilidade individual é baixa quando comparada com o risco de lesões do colo do útero na mulher.
A medida mais eficaz é a vacinação contra HPV de rapazes e homens antes da exposição ao vírus.
Existem várias vacinas profiláticas que protegem contra os tipos de HPV mais associados a verrugas e cancro do colo do útero:
Como funcionam as vacinas?
Estimulam o sistema imunitário a produzir anticorpos que bloqueiam infeções pelos tipos incluídos na vacina, antes da exposição ao vírus.
Programa de vacinação em Portugal contra o HPV
Em Portugal, a vacina nãoavalente faz parte do Programa Nacional de Vacinação (PNV), com esquema recomendado para adolescentes e conforme indicação médica.
Efeito da vacinação na prevalência de HPV de alto risco
Vários estudos mostram que a vacinação contra HPV tem reduzido de forma significativa a prevalência de infeções por tipos de alto risco:
Em países com programas de vacinação abrangentes, observou-se quedas de mais de 90% nas infeções por HPV 16/18 em adolescentes vacinadas, e reduções significativas também em não vacinados por efeito indireto.
O HPV é muito comum, pode ser transmitido com ou sem sintomas, e embora a maioria das infeções seja benigna e autolimitada, alguns tipos podem levar ao desenvolvimento de cancros potencialmente preveníveis através da vacinação e do rastreio.
A combinação de várias medidas reduz substancialmente o impacto da infeção por HPV na saúde pública: