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ABC da Doença de Parkinson

data de publicação11 abril 2026 Júlio Barreto artigo revisto por
Dr. Júlio Barreto  |  Neurologista
Imagem Lateral
homem idoso com dificuldades em alimentar-se devido aos problemas resultantes da Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson é a 2.ª doença neurodegenerativa mais frequente, superada apenas pela Doença de Alzheimer. Afeta principalmente o movimento, mas também pode apresentar outros sintomas. Neste guia ABC da Doença de Parkinson pode conhecer diversos conceitos relacionados com esta condição de saúde.

A - Acompanhamento multidisciplinar: envolve Neurologista, Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional e outros profissionais para gerir sintomas motores e não‑motores.

B - Bradicinésia: movimentos mais lentos e dificuldade em iniciar ou executar ações simples, como levantar‑se ou caminhar, são sinais típicos desta condição. 

C - Causa neurodegenerativa: a doença é causada por perda progressiva de neurónios que produzem dopamina no cérebro, comprometendo o movimento e outras funções. 

D - Diagnóstico: não existe um exame específico de confirmação: o diagnóstico baseia‑se na história clínica e observação de sintomas característicos pelo Neurologista. 

E - Exercícios: em contexto de Fisioterapia são realizados treinos de equilíbrio, coordenação, alongamentos e postura que ajudam a reduzir o risco de quedas e a manter a mobilidade diária da pessoa afetada. 

F - Fatores de risco: a idade avançada, ser do sexo masculino, história de traumatismo craniano e exposição a pesticidas ou a outros tóxicos estão associados a maior risco de Parkinson. 

G - Gestão da doença: não existe, à data, uma cura para a doença de Parkinson, mas pode ser gerida com uma terapia adequada. Os tratamentos disponíveis têm um impacto relevante na melhoria dos sintomas, tal como na qualidade de vida doentes.

H - Hipotensão ortostática: diminuição de pressão arterial na mudança da posição deitada/sentada para de pé, o que pode resultar em desmaios.

I - Instabilidade postural: alterações no equilíbrio e dificuldades de marcha tornam‑se mais evidentes com a progressão da doença. 

J - James Parkinson: cirurgião que, em 1817, descreveu pela primeira vez os sintomas desta doença. 

L - Levodopa: é o medicamento mais usado no tratamento de Parkinson. É a substância que tem a capacidade de chegar diretamente ao cérebro e estimular a produção de dopamina, que regula as funções motoras. . 

M - Movimentos involuntários: podem surgir sobretudo quando os doentes estão parados e desaparecem ou atenuam durante a realização de tarefas. Uma descrição clássica é o tremor dos dedos da mão como “se estivesse a contar moedas.”

N - Neurologia: especialidade médica que acompanha diagnosticamente e terapeuticamente a doença de Parkinson. 

O – Obstipação: uma manifestação não‑motora frequente que pode surgir mesmo antes dos tremores. 

P - Parkinson: é a segunda doença neurodegenerativa mais frequente (superada pela doença de Alzheimer). Em Portugal, estima-se que esta doença afete 180 em cada 100 mil portugueses acima dos 50 anos. O pico da incidência da doença é acima dos 70 anos, afetando mais homens que mulheres.

Q - Qualidade de vida: terapias e adaptações no estilo de vida podem melhorar a função diária e bem‑estar global do doente. 

R - Ressonância Magnética: a Ressonância Magnética pode ser útil na confirmação do diagnóstico clínico da doença de Parkinson e na distinção de outras doenças neurodegenerativas.

S - Sintomas não‑motores: perda de olfato, depressão e ansiedade, obstipação, disfunção sexual, distúrbios do sono, deterioração cognitiva são alguns exemplos de sintomas não motores, tão importantes quanto os motores e muitas vezes desvalorizados. 

T - Terapia da fala: em alguns casos, o médico Neurologista pode recomendar uma Consulta de Terapia da Fala para melhorar voz, articulação e deglutição. 

U - Uso de medicação adequada: o controlo da doença depende do uso correto de medicamentos que têm como objetivo restituir os níveis de dopamina, que se encontram diminuídos, devido à degeneração dos neurónios responsáveis pela sua produção.

V - Vigilância neurológica contínua: acompanhamento regular com neurologista ajuda a monitorizar evolução dos sintomas e ajustar tratamentos. 

Z - Zelar pela alimentação: uma dieta variada e equilibrada poderá contribuir para uma vida mais saudável. No particular caso de doentes com obstipação, adequar a quantidade de água e a ingestão de alimentos ricos em fibra pode ser útil.
 

Conclusão: A Doença de Parkinson é uma condição complexa

A Doença de Parkinson envolve sintomas motores e não motores, fatores de risco e múltiplas opções de gestão e tratamento. 
Compreender conceitos como bradicinésia, de instabilidade postural ou de hipotensão ortostática é essencial para melhorar a qualidade de vida dos doentes.
Embora não exista cura, terapias adequadas, exercícios e vigilância neurológica contínua podem fazer uma diferença significativa no dia a dia. 
Se identificar algum dos sinais ou tiver dúvidas sobre os sintomas, consulte um especialista para avaliação e orientação adequada.

Saiba mais: Parkinson – tudo o que precisa de saber sobre uma doença que é para a vida
 

Artigo revisto por

Júlio Barreto

Neurologista (Cédula Profissional: OM 38712)

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