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Neuropsicologia Clínica: o que é, para quem é e quando procurar ajuda

data de publicação08 abril 2026 Joana Sousa Teles psicóloga na Cintramédica entrevista a
Joana de Sousa Teles  |  Psicóloga
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Neuropsicologia Clínica, neuropsicólogo identifica problemas no cérebro que influenciam o comportamento

Esquecimentos frequentes, dificuldades de concentração ou mudanças de comportamento podem ser sinais de que algo não está bem. Nesta entrevista com Joana de Sousa Teles (OPP 976), Psicóloga, com especialização em Neuropsicologia Clínica na Cintramédica, explicamos o que está por trás destas alterações. 

O que é a Neuropsicologia?

- A Neuropsicologia Clínica estuda a relação entre o funcionamento do cérebro e o comportamento, identificando alterações cognitivas e a forma como estas se refletem no dia-a-dia.
É neste contexto que surge o papel do Neuropsicólogo Clínico, um Psicólogo com formação avançada em Neuropsicologia, que avalia o funcionamento cognitivo e comportamental da pessoa. Para isso, recorre a entrevistas, observação e testes neuropsicológicos específicos, cientificamente validados.
 

Qual é a diferença entre um Psicólogo e um Neuropsicólogo?

- O Psicólogo atua na promoção da saúde mental, apoiando o desenvolvimento emocional e o bem-estar psicológico ao longo da vida.
O Neuropsicólogo dedica-se à avaliação e intervenção nas funções cognitivas - como a memória, a atenção e a linguagem. É especialmente importante em:
  • situações de perturbações do neurodesenvolvimento
  • casos de lesões cerebrais
  • doenças neurológicas
 

Quando é que uma criança ou adolescente deve ser avaliado?

- Uma criança ou adolescente deve ser avaliado quando surgem dificuldades persistentes que interferem com o seu desenvolvimento, aprendizagem ou comportamento
  • problemas escolares
  • dificuldades de atenção ou memória
  • alterações na linguagem
  • comportamentos desajustados
  • suspeitas de perturbações do desenvolvimento
A avaliação precoce permite identificar dificuldades numa fase inicial, facilitando uma intervenção mais eficaz. Desta forma, é possível prevenir o agravamento das dificuldades e melhorar a adaptação escolar, emocional e social da criança ou adolescente.
 

Quando é que um adulto ou idoso deve procurar ajuda?

- No envelhecimento, algumas alterações são consideradas normais, enquanto outras podem indicar problemas de saúde.
Em adultos e idosos, esta avaliação é procurada quando existem: 
  • queixas de perda de memória 
  • suspeitas de doença degenerativa (ex. Alzheimer)
  • dificuldades de atenção ou organização
  • alterações no raciocínio
  • mudanças no comportamento e humor 
  • perda de autonomia nas atividades do dia-a-dia
Estes sinais podem indicar doenças neurodegenerativas, como demência, e justificam avaliação profissional especializada.
 

Outros adultos, sem queixas clínicas, também podem usufruir da Neuropsicologia?

- Há também espaço para adultos funcionais, ativos e sem queixas clínicas, que procuram a Neuropsicologia para fins de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.
Nestes casos, a avaliação pode ajudar a:

  • compreender o seu perfil cognitivo (por exemplo, atenção, memória e funções executivas, entre outros)
  • identificar padrões de funcionamento (por exemplo, tendência para impulsividade ou controlo e estilo de tomada de decisão)
  • otimizar desempenho profissional ou académico
  • melhorar estratégias de aprendizagem, organização e produtividade
     

Como a Neuropsicologia pode ajudar nestas situações?

- A Neuropsicologia ajuda a compreender o impacto das doenças degenerativas no funcionamento do cérebro. Através de avaliações, é possível detetar alterações que, muitas vezes, aparecem antes dos sintomas clínicos.
Os resultados dessas avaliações ajudam a:
  • diferenciar tipos de doenças degenerativas
  • acompanhar a evolução da condição
  • orientar estratégias de intervenção, apoio e reabilitação
Em última análise, a Neuropsicologia contribui para melhorar a qualidade de vida do paciente e da sua família.
 

Que tipos de intervenção podem ser propostos?

- Em crianças e adolescentes, a intervenção depende das dificuldades identificadas na avaliação. Pode incluir:
  • programas de treino cognitivo para atenção, memória ou linguagem
  • apoio escolar personalizado
  • estratégias de organização e estudo
  • aconselhamento psicológico para questões emocionais ou comportamentais
  • orientação aos pais e professores para reforçar aprendizagens e hábitos positivos
Nos idosos, as intervenções visam manter ou melhorar a função cognitiva e a autonomia. Podem incluir:
  • exercícios de estimulação cognitiva
  • treino de memória e atenção
  • adaptações nas atividades da vida diária
  • aconselhamento psicológico
  • estratégias compensatórias para dificuldades cognitivas
  • orientação aos familiares sobre como apoiar o paciente
     

Na prática, quanto tempo dura e como funciona a reabilitação neuropsicológica?

- A duração da reabilitação neuropsicológica varia de acordo com vários fatores:
  • natureza e gravidade das dificuldades
  • a idade da pessoa
  • os objetivos definidos
  • a evolução ao longo do processo
Pode decorrer durante algumas semanas ou vários meses, sendo ajustada às necessidades individuais.
O principal objetivo da reabilitação neuropsicológica é ajudar a pessoa a funcionar melhor no seu dia-a-dia, reforçando as suas capacidades e reduzindo o impacto das dificuldades. O foco é sempre aumentar a autonomia, o bem-estar e a qualidade de vida.
 

Qual é o papel da família, pais, professores, cuidadores e outros especialistas neste processo?

- A família desempenha um papel fundamental em todo o processo, tanto na avaliação quanto na intervenção.
Através da figura de referência, quer sejam os pais e professores no caso das crianças e adolescentes, quer sejam cuidadores próximos no caso do idoso, eles fornecem informações importantes sobre o histórico, comportamento e rotina do paciente, ajudando a compreender melhor suas dificuldades, nos diferentes contextos.

Durante a reabilitação podem: 

  • implementar estratégias sugeridas pelo Neuropsicólogo
  • adaptar atividades e rotinas para favorecer o desenvolvimento cognitivo e emocional
  • reforçar as orientações e exercícios da reabilitação, promovendo um ambiente de apoio e continuidade fora das sessões
Sempre que há envolvimento familiar, o sucesso da intervenção é maior.
 

Cuide da sua saúde cognitiva

- O nosso cérebro define quem somos e como nos relacionamos com o mundo, mas nem sempre consegue avisar quando algo não está bem. Detetar alterações cognitivas precocemente não é apenas um diagnóstico: é uma oportunidade para atingir o seu máximo potencial!
Se identificar os sintomas, não hesite em procurar ajuda especializada. Investir na sua saúde cognitiva é investir na sua qualidade de vida.

Entrevista a

Joana de Sousa Teles

Psicóloga (Cédula Profissional: OPP 976)

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