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Diabetes diferentes, sintomas iguais

13 Novembro 20   |   348
A diabetes é uma doença crónica que afeta mais de 1 milhão de portugueses. Os números referem-se a um estudo realizado pelo Observatório Nacional da Diabetes que dá também conta que, em 2015, 44% das pessoas com a doença ainda não tinham sido diagnosticadas.

Neste artigo debruçamo-nos sobre a diabetes tipo 1 e tipo 2. Fique a saber as diferenças entre estes dois tipos de diabetes e qual o impacto na vida de quem com elas tem de viver.
 
O que é a diabetes?
A principal fonte de energia utilizada pelas células é a glucose, ou açúcar. Esta energia vem essencialmente dos hidratos de carbono que ingerimos, como o pão, arroz, massa, fruta, batata, açúcar ou produtos lácteos. O nosso organismo consegue transformar todos estes carboidratos em glucose e, em poucas horas, os níveis de açúcar no sangue elevam-se. Felizmente, existem células específicas no pâncreas que produzem insulina, uma hormona que transforma esse açúcar no sangue em energia. Mas e se esse açúcar ficasse no sangue, sem chegar às células? Ficaria acumulado na corrente sanguínea até ser eliminado pela urina, deixando a sua marca por onde passasse. Iria causar lesões nos vasos sanguíneos, nos nervos, com consequências para inúmeros órgãos, do cérebro à bexiga, literalmente das mãos aos pés. Isto é a diabetes: a incapacidade do organismo converter o açúcar em energia.
 
Dois tipos, duas causas
O excesso de açúcar no sangue é denominado hiperglicemia e é o principal sinal de um quadro de diabetes. Tal pode ocorrer por duas razões. Por um lado, pode não existir insulina suficiente para processar o açúcar no sangue. Por outro, a insulina pode não estar a cumprir a sua função com a mesma eficiência que o faz numa pessoa saudável. E é nesta dicotomia que se separam as causas da diabetes tipo 1 e tipo 2.

Na diabetes tipo 1 o pâncreas deixa de produzir insulina porque as células beta, produzidas naquele órgão, são atacadas pelo sistema imunitário. Porquê? A Ciência Médica aponta para causas de origem genética, ambiental ou derivadas da exposição a alguns vírus. No entanto, até hoje, não há consenso científico. Inevitavelmente, uma pessoa com diabetes tipo 1 irá deixar de produzir insulina. Caso não seja tratada, as consequências podem ser fatais.

Já na diabetes tipo 2, além de se observar um défice de insulina no sangue, a que permanece vai perdendo a sua capacidade de metabolizar a glucose. Num primeiro momento, o organismo produz mais insulina porque está a tentar colmatar esse desequilíbrio. Podem até observar-se valores de açúcar no sangue normais (e valores de insulina mais elevados). Mas à medida que o tempo passa, a ineficácia da insulina produzida pelo corpo torna-se visível, assistindo-se à subida dos níveis de açúcar no sangue. No início, a diabetes tipo 2 é silenciosa. Mas com o passar do tempo e com o agravamento dos fatores de risco, num cenário sem controlo metabólico, podem surgir complicações crónicas. Entre estas inclui-se a cegueira, insuficiência renal, acidente vascular cerebral (AVC), enfarte agudo do miocárdio ou pé diabético, condição que pode conduzir à amputação.

 

Sintomas comuns
Existem vários sinais que são semelhantes nos dois tipos de diabetes. No entanto, os sintomas da diabetes tipo 1 são visíveis, de maneira geral, ao fim de poucas semanas. Nesse sentido, é de extrema urgência atuar assim que se verificarem os sintomas. Além dos níveis elevados de glucose no sangue, despistados apenas através de uma análise ao sangue, aqui apresentamos uma lista de sintomas que podem requerer um diagnóstico especializado:
  • Vontade de urinar frequente
  • Sentimento de sede e vontade de beber muita água
  • Fome
  • Visão enevoada
  • Cortes ou feridas que demoram a sarar.
  • Irritabilidade e alterações de humor
  • Perda de peso não intencional
  • Dormência e formigueiro nas mãos e pés.

 

Fatores de risco
A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune que surge, na maioria dos casos, durante a infância e adolescência. Por outro lado, existem fatores genéticos que se podem agravar derivado a condicionantes ambientais ou devido a um vírus.

Por outro lado, os fatores de risco da diabetes tipo 2 são bem conhecidos:
  • Ter pré-diabetes (glicemia após 8 horas em jejum entre 100 e 125 mg/dL)
  • Ter excesso de peso ou obesidade
  • Ser sedentário
  • Ter mais de 45 anos
  • Ter tido diabetes gestacional
  • Ter um elemento da família com diabetes tipo 2
  • Ter síndrome do ovário poliquístico.

 

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da diabetes é realizado com base em vários parâmetros. Assim considera-se um quadro de diabetes quando:
  • Glicemia em jejum ≥ 126 mg/dl, ou
  • Sintomas clássicos e glicemia ocasional ≥ 200 mg/dl, ou
  • Glicemia ≥ 200 mg/dl às 2 horas, na prova de tolerância à glicose oral (PTGO) com 75g de glicose, ou
  • Hemoglobina glicada A1c (HbA1c) ≥ 6,5%.
Há que referir que, em casos assintomáticos, o diagnóstico não deve ser realizado tendo apenas por base um único valor anormal. Nesse sentido, deve ser confirmado por uma segunda análise, realizada uma ou duas semanas depois.

 

Abordagens terapêuticas
Não há cura para a diabetes tipo 1. As pessoas com esta doença têm de tomar insulina todos os dias. Para tal, têm de a administrar através de uma agulha num tecido mole (barriga, braço, nádega), várias vezes ao dia, ou através de uma bomba de insulina que fornece uma quantidade regular de insulina.

Por outro lado, a diabetes Tipo 2 pode, em alguns casos, ser gerível através da alimentação. Neste sentido, é importante adotar uma dieta com restrição calórica, sobretudo com a abstenção do consumo de açúcares simples. A perda de peso e a manutenção da atividade física são também medidas estratégicas importantes para o controlo dos níveis de glicemia.

No entanto, caso não seja possível baixar os níveis de açúcar com estas medidas, o seu médico pode recomendar-lhe a toma de alguns medicamentos como:
  • Biguanidas para reduzir a quantidade de glicose produzida pelo fígado
  • Inibidores DPP-4 e análogos de GLP 1 para diminuir da glicemia ao aumentar a quantidade de insulina produzida no pâncreas e diminuindo a quantidade de açúcar produzida pelo fígado
  • Insulina, hormona injetável para controlar os níveis de glicemia
  • Inibidores de alfa glucosidade que, após as refeições, abrandam a decomposição dos hidratos de carbono
  • Sulfonilureias e meglitinidas para estimular o pâncreas a libertar mais insulina
  • Glitazonas, que ajudam o organismo a utilizar a insulina e a transportar a glicose para o interior das células.
  • Inibidores de SGLT2 que promovem a eliminação do açúcar na urina.
Uma vez que estes medicamentos atuam em zonas diferentes do corpo, é normal que o seu médico possa optar por uma combinação destes fármacos. No entanto, um dos efeitos secundários frequentemente referidos da medicação é, por exemplo, o aumento de peso. Contudo, e em conjunto com o seu médico, poderá encontrar estratégias para contrariar este efeito adverso.

 

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Referências bibliográficas:

Autor do artigo

Isabel Manita

Endocrinologista