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CBCT: vantagens deste exame na Medicina Dentária e no tratamento de AVC

data de publicação09 junho 2026 Dr. Rui Armindo Neuro radiologista na Cintramédica  entrevista a
Dr. Rui Armindo  |  Neurorradiologista
Imagem Lateral
O CBCT utilizado na Cintramédica tem foco habitual na Medicina Dentária, Otorrinolaringologia e cirurgia maxilo-facial

O Dr. Rui Duarte Armindo, Neurorradiologista na Cintramédica, apresentou um estudo no último congresso da Sociedade Portuguesa de Neurorradiologia onde destaca o papel da tecnologia CBCT na identificação precoce de complicações após um AVC (Acidente Vascular Cerebral).

De forma simples, o que é um CBCT e em que se distingue de uma TC/TAC “normal”?

 - A sigla CBCT significa Tomografia Computorizada de Feixe Cónico e é uma técnica de imagem que utiliza raios‑X para criar uma imagem 3D de uma região específica do corpo. Ao contrário da TC/TAC “normal”, que foi pensada para estudar grandes áreas (como cabeça, tórax e abdómen), o CBCT foca‑se em zonas mais pequenas (como os maxilares, os dentes ou a face). Isto significa que o CBCT é particularmente útil quando precisamos de ver estruturas ósseas finas com grande detalhe, usando equipamentos mais compactos e com doses de radiação mais baixas do que uma TC/TAC convencional para a mesma área. 

É por isso que o CBCT se tornou uma ferramenta de eleição em áreas como a Medicina Dentária (nomeadamente no contexto de Implantologia) na Cirurgia Oral e Maxilo-Facial, Otorrinolaringologia, no estudo da Apneia do Sono com recurso à cefalometria, na disfunção das articulações temporo-mandibulares e na avaliação de patologia inflamatória dos seios perinasais.
 

Quais as vantagens do CBCT, tanto para as equipas médicas como para o doente?

 - Para as equipas médicas, a grande vantagem do CBCT é a combinação entre imagem 3D de elevada resolução e rapidez de execução. O médico consegue ver as estruturas em vários planos, medir distâncias com precisão e planear procedimentos com maior segurança – por exemplo, na colocação de implantes dentários próximos de um nervo ou numa cirurgia junto às paredes do seio maxilar.

Para o doente, os benefícios traduzem‑se em exames rápidos realizados em ambulatório, maior conforto e uma exposição à radiação ajustada à área a estudar.
A visão tridimensional e mais detalhada ajuda a evitar “surpresas” durante os procedimentos e aumenta a probabilidade de um resultado bem‑sucedido.
 

Sabemos que investigou a ligação entre este exame e o tratamento após um AVC. Pode aprofundar um pouco?

 - Num AVC isquémico (causado por um coágulo), é normalmente realizado um procedimento de urgência chamado trombectomia mecânica, que tem como objetivo desobstruir uma artéria cerebral e restaurar o fluxo sanguíneo. 
Em Portugal, a Neurorradiologia é a especialidade médica responsável por diagnosticar bloqueios nas artérias cerebrais de maior calibre no contexto do AVC.
É também a especialidade que realiza este procedimento, através da introdução de um pequeno tubo (cateter) nas artérias para remover o coágulo que está a bloquear o fluxo de sangue no cérebro, em centros especializados.

As tecnologias da “família” do CBCT - por exemplo, o chamado flat-panel CT (um tipo de TAC integrado na sala de angiografia) - permitem avaliar o cérebro logo após o procedimento, sem deslocar o doente.
Isto permite a deteção imediata de eventuais complicações como hemorragia intracraniana ou alterações na barreira que protege o cérebro (barreira hematoencefálica) logo após um procedimento endovascular.

 

De que forma esta deteção precoce pode melhorar o prognóstico do doente após um AVC?

 - Os trabalhos da nossa equipa de investigação demonstraram que ao detetar estas alterações muito cedo, a equipa pode: 
  • adaptar o tratamento (por exemplo, adiar ou ajustar a introdução de medicamentos que tornam o sangue mais fluido, como antiagregantes ou anticoagulantes) 
  • intensificar a vigilância em unidade de cuidados diferenciados 
  • em casos selecionados, discutir diferentes estratégias de intervenção, incluindo opções cirúrgicas
Tudo isto contribui para reduzir o risco de deterioração e melhorar as probabilidades de recuperação e a qualidade de vida do doente após o AVC.
 

Para o doente e a sua família, que efeitos práticos tem a utilização do CBCT na recuperação após um AVC? 

 - Para o doente e para a família, a utilização de técnicas avançadas de imagem após o AVC permite tomar decisões mais seguras e personalizadas. 
Se a equipa consegue identificar rapidamente quem tem maior risco de complicações, pode: 
  • adaptar o plano de vigilância
  • decidir com mais confiança quando iniciar determinados medicamentos
  • em alguns casos, intervir mais cedo para evitar agravamentos
 

Estas técnicas de imagem podem tornar-se a rotina no tratamento do AVC em Portugal?

 - A tendência internacional aponta claramente para uma integração cada vez maior da imagiologia avançada no percurso do doente com AVC. 
Vários hospitais começam a utilizar flat‑panel CT na própria sala de angiografia para avaliação imediata pós‑procedimento. 
Em Portugal, penso que veremos um crescimento progressivo destas práticas, sobretudo nos grandes centros com unidades de AVC e neurorradiologia de intervenção. 
No caso da utilização da CBCT em ambulatório, como na Cintramédica, a tendência será também para o aumento da sua utilização, destacando as vantagens deste exame em relação às técnicas convencionais:
  • melhor planeamento cirúrgico
  • diagnósticos mais precisos
  • maior segurança na proximidade de estruturas delicadas, como nervos ou vasos sanguíneos importantes
  • com exames rápidos, confortáveis e com doses de radiação adaptadas à área estudada
 

O CBCT da Cintramédica usa a mesma tecnologia?

 - É importante reforçar que, embora o CBCT utilizado na Cintramédica tenha foco habitual na Medicina Dentária, Otorrinolaringologia e Cirurgia Maxilo-Facial, pertence à mesma “família” tecnológica usada em hospitais para avaliação pós-AVC. 
A versão ambulatória oferece imagens 3D detalhadas, boa relação qualidade/dose e maior conforto para o doente, estando adaptada às necessidades da prática diária.

Conheça aqui a tecnologia CBCT disponível na Cintramédica

Entrevista a

Rui Armindo

Neurorradiologista (Cédula Profissional: OM 61453)

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