
O Dr. Rui Duarte Armindo, Neurorradiologista na Cintramédica, apresentou um estudo no último congresso da Sociedade Portuguesa de Neurorradiologia onde destaca o papel da tecnologia CBCT na identificação precoce de complicações após um AVC (Acidente Vascular Cerebral).
- A sigla CBCT significa Tomografia Computorizada de Feixe Cónico e é uma técnica de imagem que utiliza raios‑X para criar uma imagem 3D de uma região específica do corpo. Ao contrário da TC/TAC “normal”, que foi pensada para estudar grandes áreas (como cabeça, tórax e abdómen), o CBCT foca‑se em zonas mais pequenas (como os maxilares, os dentes ou a face). Isto significa que o CBCT é particularmente útil quando precisamos de ver estruturas ósseas finas com grande detalhe, usando equipamentos mais compactos e com doses de radiação mais baixas do que uma TC/TAC convencional para a mesma área.
- Para as equipas médicas, a grande vantagem do CBCT é a combinação entre imagem 3D de elevada resolução e rapidez de execução. O médico consegue ver as estruturas em vários planos, medir distâncias com precisão e planear procedimentos com maior segurança – por exemplo, na colocação de implantes dentários próximos de um nervo ou numa cirurgia junto às paredes do seio maxilar.
- Num AVC isquémico (causado por um coágulo), é normalmente realizado um procedimento de urgência chamado trombectomia mecânica, que tem como objetivo desobstruir uma artéria cerebral e restaurar o fluxo sanguíneo.
Em Portugal, a Neurorradiologia é a especialidade médica responsável por diagnosticar bloqueios nas artérias cerebrais de maior calibre no contexto do AVC.
É também a especialidade que realiza este procedimento, através da introdução de um pequeno tubo (cateter) nas artérias para remover o coágulo que está a bloquear o fluxo de sangue no cérebro, em centros especializados.
As tecnologias da “família” do CBCT - por exemplo, o chamado flat-panel CT (um tipo de TAC integrado na sala de angiografia) - permitem avaliar o cérebro logo após o procedimento, sem deslocar o doente.
Isto permite a deteção imediata de eventuais complicações como hemorragia intracraniana ou alterações na barreira que protege o cérebro (barreira hematoencefálica) logo após um procedimento endovascular.
- Os trabalhos da nossa equipa de investigação demonstraram que ao detetar estas alterações muito cedo, a equipa pode:
- Para o doente e para a família, a utilização de técnicas avançadas de imagem após o AVC permite tomar decisões mais seguras e personalizadas.
- A tendência internacional aponta claramente para uma integração cada vez maior da imagiologia avançada no percurso do doente com AVC.
- É importante reforçar que, embora o CBCT utilizado na Cintramédica tenha foco habitual na Medicina Dentária, Otorrinolaringologia e Cirurgia Maxilo-Facial, pertence à mesma “família” tecnológica usada em hospitais para avaliação pós-AVC.
Aprender a reconhecer sintomas de AVC pode ajudar a salvar uma vida ou a minimizar os danos no cérebro.