Cancro do pulmão: quem afeta e como é feito o diagnóstico

28 Julho 21   |   2341

De acordo com dados do Observatório Global de Cancro, o cancro do pulmão é o que provoca maior mortalidade em Portugal. No entanto, se detetado numa fase inicial, pode ser tratado e abrir a oportunidade a uma vida sem cancro. A Drª Mónica Grafino, Pneumologista na Cintramédica, ajuda-nos a responder a algumas perguntas que uma pessoa que esteja em risco de cancro do pulmão poderia fazer a um especialista.
 

 

Sou fumador. Qual a diferença de risco de cancro do pulmão comparativamente a uma pessoa que nunca fumou?

O tabaco é o principal fator de risco, sendo responsável por cerca de 80% das mortes por este tipo de cancro.

Um fumador apresenta um risco 15 a 30 vezes superior de ter cancro ou de morrer de cancro do pulmão, comparativamente a um não fumador. Mesmo fumando poucos cigarros, ou sendo um fumador ocasional, apresenta maior risco. Destaca-se ainda que o tabagismo passivo e a exposição a outras substâncias, tais como radão (gás encontrado em alguns edifícios do país) e asbestos (amianto), estão associados a maior risco deste tipo de cancro.

 

O cancro do pulmão dá origem a sintomas? Ao que é devemos estar atentos?

Na maioria dos casos não provoca qualquer sintoma ou queixa até evoluir para uma fase mais avançada.

As manifestações podem variar de pessoas para pessoa, sendo as mais frequentes:

- Tosse (agravamento/persistente)

- Falta de ar/cansaço

- Perda de peso

- Eliminação de sangue pela boca/expetorar sangue

- Rouquidão

 

Estou no grupo de risco de cancro do pulmão. Que exames de rastreio devo fazer e quando?

Os principais grupos de risco são as pessoas que foram ou são fumadores ou que estiveram ou estão expostas ao fumo passivo.

Se pertence a um grupo de risco e/ou apresenta alguma queixa, deve consultar o seu médico Pneumologista. Ele poderá ajudá-lo a reduzir o risco de cancro, nomeadamente através da cessação tabágica, assim como avaliar a indicação para rastreio e decidir os exames mais adequados à sua situação.

O rastreio do cancro do pulmão está indicado na ausência de sintomas ou história de cancro, em indivíduos adultos com maior probabilidade de virem a ter cancro do pulmão (pela história de tabagismo e idade) e sem problemas de saúde que limitem a sua esperança de vida e/ou tratamento. O único exame de rastreio recomendado é a TAC do tórax de baixa dose.

 

Fui diagnosticado com cancro do pulmão. E agora?

Atualmente estão disponíveis várias opções de tratamento, que deve ser individualizado, tendo em conta a extensão do cancro (estadiamento), características do próprio tumor (histológicas, presença de mutações genéticas) e presença de outras situações de saúde.

É importante que a avaliação seja feita por médicos especializados no acompanhamento deste tipo de cancro e integrada num grupo multidisciplinar para decidir a melhor opção de tratamento.

 

Quais os benefícios do diagnóstico precoce do cancro do pulmão?

O diagnóstico precoce permite a identificação deste tipo de cancro em fases menos avançadas, nas quais há maior probabilidade de tratamentos curativos e consequente melhor prognóstico.

Uma das principais razões que faz do cancro do pulmão um dos cancros com maior mortalidade é precisamente porque na maior parte dos casos não existem sintomas da doença, sendo apenas detetado em fases mais adiantadas.
 

Marque a sua consulta

Se é fumador está em risco de poder vir a desenvolver um cancro do pulmão. Se já tem esse hábito há muitos anos, consulte o seu Pneumologista para que obtenha ajuda para deixar de fumar e para saber se deve fazer um rastreio.

Autor do artigo

Mónica Grafino

Pneumologista