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Angina de peito: um sintoma de doença cardíaca

23 Fevereiro 22   |   1518
A angina de peito não é, em si, uma doença. É um sintoma de doença cardíaca que se manifesta por uma dor ou desconforto no peito porque o músculo cardíaco não recebe sangue rico em oxigénio em quantidade suficiente.
Fique a conhecer as causas, fatores de risco, métodos de diagnóstico, estratégias terapêuticas e, sobretudo, de prevenção. É que a angina de peito pode ser um sinal de um futuro enfarte do miocárdio.
 
O que é a angina de peito?
De repente, após um esforço físico, depois de, por exemplo, subir umas escadas com as compras do supermercado, sente-se uma dor da parte de trás do esterno, uma pressão, como se alguém nos estivesse a apertar o coração. Outras vezes, esse desconforto pode também sentir-se nos ombros, braços, pescoço, queixo, costas ou barriga. Normalmente é um episódio de curta duração, que dura apenas uns minutos e que, muitas vezes, parece passar com repouso. No entanto, com o tempo, pode repetir-se, ser cada vez mais frequente após o esforço físico, e cada vez mais intenso. É assim que se manifesta a angina de peito, um sintoma de doença cardíaca a que vale a pena estar atento. É que as consequências podem conduzir ao enfarte do miocárdio e, às vezes, à morte.
 
O que provoca a angina de peito?
A principal causa da angina de peito é a aterosclerose, ou seja, a placa de fibra, gordura e cálcio que se fixa nas paredes das artérias e impede o normal fluxo sanguíneo ao coração. Por outro lado, essa dor e desconforto no peito também pode ser provocada por um coágulo que impede a normal passagem de sangue numa artéria. Quer num caso quer no outro, se uma artéria tiver um estreitamento superior a 70%, podem ocorrer os sintomas típicos a que se chama angina de peito.
No entanto, e sobretudo na população feminina, a origem desses sintomas podem dever-se a doença coronária microvascular, uma patologia cardíaca que envolve os vasos coronários de menor calibre mas que pode provocar angina de peito.
Existem também alguns casos de anemia que podem provocar os mesmos sintomas, uma vez que na anemia há menos glóbulos vermelhos para transportar oxigénio ao músculo cardíaco, fazendo com que o coração trabalhe em esforço e provoque a dor no peito característica da angina de peito.
 
Vários tipos de angina de peito
Há casos de angina de peito estável que podem manter-se controlados durante muitas décadas. No entanto, há outras tipologias mais imprevisíveis que podem necessitar de cuidados médicos urgentes. Confira alguns dos principais tipos de angina de peito:
  • Angina Estável

    É o tipo mais comum e dos mais controláveis. Ocorre tipicamente depois do esforço físico e, na maior parte dos casos, deve-se a um estreitamento ou bloqueio das artérias (isquemia). Além de uma pressão no tórax podem ocorrer tonturas, sensação de aperto ou dor no centro do peito, desconforto no pescoço, mandíbula, ombro, costas ou braços.
  • Angina Instável

    Tem esta denominação porque o padrão de sintomas pode-se alterar de episódio para episódio. Estas alterações podem dever-se a um estreitamento súbito de uma artéria coronária devido a um ateroma (placa que se forma nos vasos e artérias) ou coágulo de sangue. O risco de enfarte do miocárdio é elevado neste tipo de angina de peito.
  • Angina Microvascular

    Deve-se a espasmos nas paredes de vasos sanguíneos mais pequenos, o que causa uma redução no fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco. Essa redução do fluxo sanguíneo provoca a típica dor no peito que, normalmente, dura entre 10 a 30 minutos. Pode provocar também falta de ar, distúrbios do sono, fadiga ou falta de energia. Os primeiros sintomas surgem, por exemplo, em momentos de maior stress.
  • Angina Variante

    Ocorre devido a um espasmo de uma das grandes artérias coronárias. Denomina-se “variante” por ser característico haver dor durante o repouso e não durante o esforço.
  • Angina de Decúbito

    Quando a pessoa está deitada (e não necessariamente à noite), há uma redistribuição de líquidos no corpo que exige ao coração maior esforço na distribuição de sangue pelo corpo, provocando a angina de peito.
 
A doença por trás dos sintomas
Como a maior parte das doenças cardíacas relacionadas com a aterosclerose, a angina de peito pode passar décadas assintomática, ou seja, sem se manifestar. Na maioria dos casos, só a partir dos 50 ou 60 anos é que surgem as típicas dores no peito, falta de ar ou fadiga. No entanto, de maneira geral e de acordo com dados citados na Acta Médica Portuguesa, a evolução da doença cardíaca que provoca a angina de peito apresenta o seguinte prognóstico:
- 11% dos sintomas de angina de peito diminuem espontaneamente
- 19% revascularização (intervenção cirúrgica para colocação de bypass na artéria)
- 7% enfarte do miocárdio
- 4% mortes
A angina de peito é sinónimo de doença cardíaca. Nesse sentido, justifica-se a prescrição de exames complementares periódicos e uma vigilância contínua, uma vez que a doença cardíaca é uma doença crónica.
 
Diagnóstico clínico
Qualquer sintoma de dor no peito deve ser avaliado por um profissional de saúde. Em caso de suspeita de angina, um dos primeiros passos é perceber se a angina é estável ou instável. Se for instável, pode constituir um risco de enfarte do miocárdio e necessitar de intervenção médica urgente.
O Cardiologista deverá observá-lo, perguntar-lhe pelos seus sintomas, saber se tem algum fator de risco associado, ou se se tem na família historial de doença cardíaca relacionada.
Além disso, poderá perguntar-lhe:
a) Há quanto tempo se queixa
b) Na escala de 1 a 10 como consideraria a sua dor ou desconforto
c) Que comportamentos provocam a dor, ou seja, se os sintomas aumentam com o esforço físico ou depois de uma refeição

Exames Complementares
O Cardiologista pode prescrever-lhe alguns exames, dependendo do seu caso. Entre eles destacam-se os seguintes exames de complementares disponíveis na Cintramédica:
- ECG (eletrocardiograma)
- Ecocardiograma
- Prova de Esforço
- Análises ao sangue
- Holter ECG 24 horas
- Eco-Doppler Cardíaco
- TAC Angio
- Ressonância Magnética Angio
 
Tratamento da angina de peito: mudar de vida
O tratamento da angina de peito passa por diminuir os efeitos dos principais fatores de risco no agravamento da doença cardíaca. A saber:
- Níveis elevados de colesterol
- Hipertensão arterial
- Ser fumador
- Ter diabetes
- Ter excesso de peso ou obesidade
- Sofrer de síndrome metabólica
- Sedentarismo
- Alimentação desequilibrada
- Idade
De todos estes elementos, apenas a idade não é modificável. Por isso, se sofre de angina de peito é essencial deixar de fumar.
Por outro lado, deverá também adotar uma alimentação com baixo teor de gordura e pobre em hidratos de carbono de açúcares simples.
Deve praticar exercício físico (aconselhado pelo médico) de forma adequada à sua capacidade física e, caso tenha excesso de peso ou obesidade, é fundamental que adote medidas para reduzir o peso corporal.
 
Tratamento da angina de peito: cirurgia e medicação
Muitas pessoas com angina de peito podem reunir as condições para realizarem uma intervenção cirúrgica denominada revascularização. Esta cirúrgia visa restaurar o fluxo de sangue nas artérias afetadas “retirando” os ateromas ou os coágulos que impedem o fluxo normal do sangue.
Por outro lado, podem ser usados ainda uma série de medicamentos que visam combater as causas da angina de peito e doença cardíaca. Focamos aqui os principais:

Nitratos

São um tipo de medicamentos que faz dilatar os vasos sanguíneos de modo a aumentar o fluxo de sangue ao coração. Como exemplo de nitratos temos a nitroglicerina, medicamento de ação muito curta, que alivia um episódio de angina em 1 a 3 minutos, prolongando-se o seu efeito por mais ou menos meia hora. É tomada normalmente como um comprimido que se dissolve na boca ou em forma de spray. Se sofre de angina de peito é natural que o seu médico o aconselhe a andar sempre com este medicamento em caso de SOS.
Existem também nitratos de longa duração, em forma de comprimidos, adesivos ou creme, que devem ser tomados regularmente para reduzir os sintomas de angina. No entanto, este grupo de medicamentos não reduz o risco de enfarte do miocárdio.

Betabloqueadores

Por outro lado, os betabloqueadores são desenhados para diminuir a ação de hormonas como a adrenalina que estimulam o coração a trabalhar mais intensamente, reduzindo assim a pressão arterial e a frequência cardíaca, o que permite diminuir o risco de enfarte do miocárdio, melhorando o prognóstico de doença cardíaca.

Bloqueadores dos canais de cálcio

Estes fármacos evitam que os vasos sanguíneos se estreitem, sendo, por isso, eficazes no tratamento da angina de peito. Reduzem a pressão arterial e a frequência cardíaca, sendo uma alternativa para quem os betabloqueadores ou os nitratos não constituem uma opção terapêutica eficaz.

ECA e BRAs

Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) e os bloqueadores dos receptores da angiotensina II (BRAs)  são outro grupo de medicamentos prescritos para doença cardíaca que reduz a pressão arterial e o risco de enfarte.

Estatinas

As estatinas têm a capacidade de reduzir os níveis de colesterol LDL (mau colesterol) que pode ser um percursor de doença cardíaca.

Antiplaquetários

Os medicamentos antiplaquetários, como por exemplo a aspirina, impedem a acumulação de plaquetas que possam dar origem a um coágulo de sangue que obstrua as artérias e resulte numa isquemia ou trombose.
 
Se suspeitar de doença cardíaca, marque a sua consulta
O coração é um músculo fortíssimo que bate quase 3 mil milhões de vezes durante uma vida. Se tiver angina de peito ou evidências de outra doença cardíaca marque uma consulta com o Cardiologista e ajude o seu coração a cumprir a sua tarefa com maior facilidade.

Artigo revisto por

José Alves

Cardiologista