"Olá, eu sou a Alice!"
Fale por aqui com a
nossa Assistente Digital

Sintomas e contágio da COVID-19: o médico explica

23 Março 20   |   1571

Com o atual surto de Coronavírus a atingir o mundo inteiro, é muito importante estarmos bem informados sobre como funciona este vírus. Em entrevista, o Dr. Abílio Antunes, médico de Medicina Tropical e da Consulta do Viajante da Cintramédica, esclarece-nos algumas questões sobre este vírus, sintomas e contágio.

Os sintomas surgem quantos dias depois do contágio?

O período entre o momento em que a pessoa é infetada e o aparecimento dos primeiros sintomas é designado por período de incubação. Para o vírus SARS-CoV-2, responsável pela doença COVID-19, este período é habitualmente de 2 dias, mas pode variar entre 1 e 5 dias. Ainda assim, a D.G.S. recomenda 14 dias para monitorização ativa, ou quarentena.

Os últimos estudos publicados pela Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, na revista Annals of Internal Medicine, demonstram que, numa amostra de 181 pessoas infetadas com SARS-CoV-2, o período médio de incubação deste novo coronavírus foi de 5,1 dias e que, em 97,5% das pessoas, os sintomas da doença Covid-19 surgem durante os 11,5 dias após a exposição ao vírus.

Este período de incubação é semelhante ao da SARS, um outro coronavírus que também causava uma síndrome respiratória aguda e que esteve ativo entre 2002 e 2004. Já para o MERS – um coronavírus do Médio Oriente que surgiu em 2012 com uma elevada taxa de mortalidade – o período de incubação era entre 5 e 7 dias.

A atual recomendação da D.G.S. de 14 dias para monitorização ativa ou quarentena parece adequada, embora com esse período alguns casos possam não ser detetados a longo prazo.

A transmissão por pessoas assintomáticas, ou seja, que não apresentam sintomas, está ainda a ser investigada.

Os sintomas surgem todos ao mesmo tempo?

Não. À semelhança da constipação, os sintomas surgem de forma gradual, ao contrário do que acontece na gripe de início súbito.

Na Covid-19 não existe uma hierarquia na sintomatologia, podendo surgir de início apenas uma tosse seca, seguida de dificuldade respiratória e febre elevada, ou em alguns doentes infetados nem sequer surgir febre ou apresentarem-se mesmo assintomáticos, ou seja sem sintomas, podendo contudo transmitir a doença.

Se fizer o teste e não estiver com sintomas, pode dar um falso negativo?

No caso de apresentar a sintomatologia da tríade – febre, tosse seca, dificuldade respiratória – e tiver história de contacto prévio com uma pessoa infetada, deverá antes de mais validar a sua história clínica ligando para Saúde 24, onde irão determinar a necessidade da realização de um teste. Desta forma não sobrecarregará as estruturas e evitará despender mais de uma centena de euros. Existem vários tipos de teste acessíveis aos utentes, com maior ou menor fiabilidade e com resultados entre 1h (este tipo de teste está a ser desenvolvido em parceria com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América) e 48h.

Existem apenas alguns testes exequíveis em pessoas que não apresentem sintomatologia da COVID-19, através de pré-marcação obrigatória e com colheita domiciliária, mas limitada a algumas áreas de Lisboa, Cascais, Porto e Faro. Recomenda-se sempre a repetição do mesmo pela possibilidade de apresentarem falsos negativos, em particular, nas pessoas que tenham tido contacto com uma outra pessoa em que a doença foi comprovada.

Outros testes mais específicos e bastante fiáveis (como o teste ARGENE SARS-CoV-2 R-GENE) para a deteção do vírus SARS-Cov-2, permitem detetar seções específicas do genoma do novo coronavírus (gen N, gen E e gen RdRp), evitando-se assim os falsos negativos, no caso de existir uma mutação viral.

Só se deve fazer o teste quando se tem sintomas?

A realização do teste não depende tanto da presença da sintomatologia, mas sobretudo da validação da história clínica.

Quanto tempo dura a fase sintomática?

A duração é muito variável e o estado da arte ainda não permite, neste momento, definir com exatidão o tempo. Depende do escalão etário em que se encontra o paciente, da existência ou não de outras doenças e até da medicação que o mesmo tem em curso.

Quando deixo de ter sintomas continuo a transmitir o vírus? Se sim, durante quanto tempo?

Alguns estudos publicados recentemente sugerem 14 dias para as infeções não graves, e 3 a 6 semanas para as mais graves. Alguns autores, porém, sugerem a realização de um teste 72 horas após a ausência de sintomas.

É seguro estar ao ar livre?

Sendo que a transmissão do vírus ocorre através de gotículas de saliva, espirros, ou tosse, as quais podem ser repassadas por um toque, aperto de mão, objetos ou superfícies contaminadas pelo infetado, dificilmente poderá ser transmitido pelo ar, a menos que uma pessoa chegue de tal modo próximo de uma outra infetada, que as formas de contaminação sejam possíveis. No entanto, e se estivermos junto ou na proximidade de um grupo de várias pessoas, a existência de vento poderá ser um veículo transmissor de partículas virais libertadas por algum desses elementos.

 

Referências:

Autor do artigo

Abílio Antunes

Médico de Clínica Geral

José Manuel Ribeiro Alvega
28 Abril 2021

Qual o período de incubação para se poder fazer o teste ou covid não tento qualquer sintoma?

Obrigado, pela atenção

José Alvega

Olá José Miguel Ribeiro Alvegs. Considera-se que o período de incubação após contacto com o vírus (com ou sem sintomas) seja de 5 dias e que a carga viral máxima se atinja entre o 5º e o 10º dia. De notar que o diagnóstico à COVID-19 deve ser feito no período de maior carga viral para aumentar a probabilidade de deteção do vírus. Obrigado.
Paula Silva
28 Abril 2021
Boa noite eu tenho tosse e espirro devo fazer o teste ?
Olá Paula. Essa avaliação deve ser feita pelo seu médico