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Odontogeriatria: como cuidar da saúde oral dos idosos

data de publicação23 fevereiro 2026 Ana Filipa Gomes autor do artigo
Dra. Ana Filipa Gomes  |  Médica Dentista
Imagem Lateral
Idosa a sorrir para o médico durante um tratamento de saúde oral, Odontogeriatria
O envelhecimento populacional é uma realidade à escala global. Esta situação fez aumentar a procura por cuidados de saúde específicos para a população idosa, incluindo na área da medicina dentária. 
Neste contexto, a Odontogeriatria surge como uma área dedicada à prevenção, diagnóstico e tratamento das patologias orais da população com mais de 60 anos. 
Neste artigo, ficará a saber quais são os principais desafios da saúde oral nesta faixa etária e de que forma a Odontogeriatria pode contribuir para a promoção da autonomia nos idosos.
 

Saúde e Prevenção são essenciais na Odontogeriatria

Com o avançar da idade, ocorrem mudanças naturais no organismo que se refletem também na saúde oral. 
A prevenção assume um papel central na Odontogeriatria, com foco: 
  • na educação para a saúde oral
  • no reforço da higiene oral adaptada às capacidades individuais de cada idoso
  • no controlo de placa bacteriana 
  • no uso de flúor
  • na monitorização regular da saúde oral
A adoção de medidas preventivas, aliada a intervenções precoces e acompanhamento contínuo permite reduzir complicações, preservar as estruturas dentárias remanescentes e melhorar significativamente a qualidade de vida do idoso. 
 

Principais desafios da saúde oral em idosos

A saúde oral em idades mais avançadas apresenta desafios específicos, muitos diretamente relacionados com a medicação contínua, comum nestas faixas etárias. 
Um dos principais desafios é a existência de idosos que fazem um uso simultâneo de muitos medicamentos. 
Muitos idosos fazem uso contínuo de fármacos que podem desencadear efeitos adversos na boca, sendo a xerostomia (boca seca) o mais frequente. 

Entre os medicamentos mais comuns estão:
  • anti-hipertensores 
  • antidepressivos 
  • diuréticos
  • anticoagulantes
  • hipoglicemiantes

A diminuição da produção de saliva compromete a proteção natural dos tecidos orais aumentando o risco de:
  • cárie radicular
  • infeções fúngicas
  • dificuldades na mastigação
  • desconforto associado à prótese
 

Riscos para a saúde dos idosos e abordagem multidisciplinar 

Estudos apontam para a existência de uma relação entre a placa bacteriana, a inflamação periodontal (doença caracterizada pela perda de gengiva e osso que provoca muitas vezes mobilidade dos dentes) e o aumento do risco cardiovascular.
A manutenção de uma higiene oral eficaz, com controlo rigoroso da placa bacteriana, é fundamental não só para a saúde oral, mas também para a saúde geral. 
O médico dentista desempenha um papel crucial na identificação precoce de problemas de saúde oral, devendo existir uma abordagem integrada com outras especialidades, especialmente Cardiologia e Medicina Geral e Familiar.
 

Autonomia e na manutenção da saúde oral nos idosos

Limitações motoras associadas ao envelhecimento comprometem frequentemente a destreza manual necessária para a realização eficaz da escovagem.

Principais limitações:
  • artrite
  • tremores
  • perda de força muscular
  • sequelas neurológicas
Estas dificuldades favorecem a acumulação de placa bacteriana, aumentando o risco do aparecimento de doença periodontal e cárie. 
A adaptação dos instrumentos de higiene oral, como escovas elétricas, escovas de cabo engrossado e dispositivos interdentários simplificados ajuda a tornar os cuidados diários com a saúde oral mais fáceis e eficazes.
 

Reabilitação Oral nos idosos: próteses e implantes

A perda dentária ao longo do tempo compromete vários aspetos do dia-a-dia dos idosos, nomeadamente: 
  • a função mastigatória
  • a fala (fonética)
  • a estética
  • a qualidade de vida

As opções de reabilitação incluem próteses removíveis, próteses fixas e implantes dentários, devendo a escolha considerar: 
  • fatores económicos
  • condições ósseas
  • estado de saúde geral
  • destreza manual
  • expectativas do paciente
  • idade do paciente

Em muitos casos, soluções mais simples e de fácil manutenção revelam-se mais adequadas do que abordagens complexas.
 

Recomendações finais: 

Quando os cuidados dentários não são adequados, a qualidade de vida e autoestima dos idosos podem ser afetadas. 
  • escove os dentes pelo menos 3 vezes ao dia com uma escova macia 
  • use fio dental ou escovas interdentais com a frequência recomendada 
  • beba bastante água 
  • reduza o consumo de açúcar e sal
  • higienize corretamente próteses ou aparelhos. 
  • consulte regularmente o dentista

A Odontogeriatria procura cuidar da saúde oral de forma completa, procurando prevenir problemas antes que se tornem graves. 

Lembre-se: promover a saúde oral nesta população é promover a dignidade, o bem-estar e o envelhecimento saudável.
 

Autor do artigo

Ana Filipa Gomes

Médica Dentista (Cédula Profissional: OM 13033)

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