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O que é o Glaucoma?

data de atualização12 março 2026 Dr, Fernando Baptista oftamologista na Cintramédica artigo revisto por
Dr. Fernando Baptista  |  Oftalmologista
Imagem Lateral
Mulher a realizar exame oftalmológico para deteção de glaucoma e avaliação da visão

O Glaucoma é uma doença grave dos olhos em que o nervo ótico é danificado, associado ao aumento da pressão intraocular, levando à perda progressiva da visão e potencial cegueira se não for tratado. A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) estima que o Glaucoma afete cerca de 200 mil pessoas, em Portugal. 
 

O que é o Glaucoma e como afeta a visão?

O Glaucoma é um conjunto de doenças oculares crónicas caracterizadas por lesão do nervo ótico, a estrutura responsável por transmitir a informação visual do olho ao cérebro.
Esta lesão provoca uma redução progressiva do campo visual e pode levar à cegueira permanente se não for diagnosticada e tratada atempadamente.
O Glaucoma é uma das principais causas de cegueira nos adultos a nível mundial, sobretudo nos países mais desenvolvidos. 

Quais são os principais tipos de Glaucoma?

O Glaucoma pode ser dividido em diferentes formas:

  • de ângulo aberto – é a forma mais frequente, sobretudo em pessoas com mais de 40 anos. Normalmente não causa dor nem sinais visíveis até que a visão comece a diminuir gradualmente. Quando a visão se perde, não é possível recuperá-la, o que torna essencial o diagnóstico precoce
  • de ângulo fechado ou agudo – é muito menos comum, mas mais grave, sendo considerado uma situação de urgência médica. A pressão dentro do olho aumenta de forma súbita e intensa, causando sintomas como dor ocular forte, náuseas e visão turva. Se não for tratado, pode provocar perda permanente da visão de forma muito rápida
  • secundário – surge como consequência de outras doenças ou situações, como traumatismos oculares, cirurgias prévias ou diabetes. Também pode ser provocado por alguns medicamentos, incluindo certos corticoides e antidepressivos

É importante realçar que, embora muito raros, existem casos de Glaucoma em idades pediátricas: 

  • primário congénito - presente desde o nascimento aos 24 meses, resulta  de uma malformação que leva ao aumento da pressão intraocular
  • primário infantil ou juvenil – desenvolve-se entre os 3 anos e a adolescência e não está associado a outras doenças (pode ter componente hereditária)

 

Quais são as causas e fatores de risco do Glaucoma? 

O Glaucoma está frequentemente associado ao aumento da pressão intraocular, que pode danificar, aos poucos, o nervo ótico.
A pressão intraocular é a pressão exercida pelo líquido que existe dentro do olho, chamado humor aquoso. Quando existe um desequilíbrio entre a produção e a drenagem desse líquido, a pressão pode aumentar, contribuindo para o desenvolvimento do Glaucoma.
Mas, esta não é a única causa. 
Existem vários fatores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolver Glaucoma:

  • historial familiar de Glaucoma
  • miopia
  • hipertensão arterial
  • diabetes
  • idade (igual ou superior a 40 anos)
  • uso prolongado de corticoides

 

Quais são os sintomas do Glaucoma? 

O Glaucoma é assintomático, ou seja, muitas vezes não desenvolve sintomas, o que faz com que muitas pessoas só se apercebam da doença quando já existe perda de visão.

No Glaucoma de ângulo aberto, os sintomas incluem, em fases já muito tardias: 

  • perda gradual da visão periférica
  • visão em túnel (vê apenas o que está diretamente à sua frente)
  • dificuldade em adaptar-se a mudanças de iluminação

No Glaucoma de ângulo fechado, os sintomas incluem:

  • dor ocular intensa e dor de cabeça
  • náuseas e vómitos
  • vermelhidão nos olhos
  • perda de visão

Como a doença é silenciosa, muitas pessoas adiam a consulta de Oftalmologia, o que dificulta o diagnóstico precoce e pode comprometer o tratamento. É  determinante que se realizem consultas regulares, sobretudo a partir dos 40 anos, onde seja rastreado o Glaucoma.
 

Como se deteta o Glaucoma? 

O diagnóstico do Glaucoma é feito no âmbito da consulta de Oftalmologia, onde o médico: 

  • avalia a visão
  • mede a pressão intraocular
  • observa o nervo ótico e o campo visual

Em caso de suspeita, o médico Oftalmologista pode prescrever alguns exames adicionais para confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento. 
 

Qual é o tratamento para o Glaucoma?

Existem diversos tratamentos para o Glaucoma. Quando a doença é diagnosticada de forma precoce, o tratamento é iniciado antes que ocorram lesões significativas que o tornam mais eficaz e menos agressivo.
Na maioria dos casos, a doença é tratada mediante a aplicação de colírios, que ajudam a controlar a pressão intraocular. Quando mantido de forma regular, este tratamento é altamente eficaz.
Em casos persistentes que não respondem a estas abordagens convencionais, podem ser utilizados o tratamento a laser ou a cirurgia. O tratamento adequado é definido pelo médico após avaliação.
 

Outras perguntas frequentes sobre Glaucoma

O Glaucoma tem cura?

Não há cura para o Glaucoma. No entanto, existem tratamentos para controlar a doença e assim evitar perda de visão.

Que cuidados devo ter se tiver Glaucoma?

Ter Glaucoma não impede a maioria das atividades do dia a dia, mas existem cuidados importantes para proteger a visão e manter a pressão ocular controlada:

  • não usar medicamentos que possam aumentar a pressão ocular, como alguns colírios ou corticoides
  • comparecer regularmente às consultas de Oftalmologia e seguir as indicações médicas
  • usar proteção ocular em casos de trauma ou atividades de risco

Glaucoma é cancro?

Glaucoma é uma doença do nervo ótico. Não é uma condição cancerígena e não se espalha para outros órgãos. 
 

A reter sobre o Glaucoma

O Glaucoma é silencioso nas fases iniciais, por isso o diagnóstico precoce e o acompanhamento regular são essenciais para proteger a sua visão. A partir dos 40 anos, faça o rastreio.

Artigo revisto por

Fernando Baptista

Oftalmologista (Cédula Profissional: OM 19249)

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