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Miocardiopatia: doenças silenciosas do coração

11 Dezembro 20   |   589

A miocardiopatia é um termo genérico para uma série de distúrbios que afetam o músculo cardíaco. Nestas patologias o músculo cardíaco apresenta alteração da força de contração ou do relaxamento, afetando a normal capacidade de bombear sangue. O resultado pode ser o desenvolvimento de arritmias ou de insuficiência cardíaca. Por outro lado, um coração enfraquecido pode também originar outras complicações, como, por exemplo, problemas nas válvulas cardíacas.

Os principais tipos de miocardiopatia são a miocardiopatia dilatada, hipertrófica e restritiva. Para melhor as compreender, é importante relembrar como funciona o coração, essa máquina que pulsa 100 mil vezes por dia para fazer chegar oxigénio a todo o corpo. Fique a conhecer no que consistem os vários tipos de miocardiopatia e quais os sintomas característicos de cada um deles.
 

Como funciona o coração e para que serve

O coração é um músculo, mais ou menos do tamanho de um punho, que funciona como uma bomba. Este músculo é formado por três camadas: uma primeira camada mais fina e exterior, o pericárdio; outra intermédia, mais forte e responsável pelos movimentos chamada miocárdio; e outra interior, que fica em contacto com o sangue, denominada endocárdio.

O coração é formado por quatro câmaras, duas em cada lado, denominados aurículas (em cima) e ventrículos (em baixo). O sangue flui por estas câmaras, e é o meio de transporte de vários elementos essenciais à vida, entre os quais o oxigénio e os produtos do metabolismo que precisam de ser eliminados como o dióxido de carbono.

O dióxido de carbono é transportado pelo sangue (venoso, rico em dióxido de carbono) e entra no coração pela veia cava até à aurícula direita. Passa depois para o ventrículo direito, através da válvula tricúspide, que o bombeia pela artéria pulmonar até aos pulmões, para que o dióxido de carbono seja expirado.
Após cada inspiração, o sangue (arterial) é oxigenado nos pulmões e chega ao coração pelas veias pulmonares, entrando na aurícula esquerda. Atravessa a válvula mitral e entra no ventrículo esquerdo, sendo bombeado pela artéria aorta para todos os órgãos do corpo.

Este processo permite que as células do corpo usem o oxigénio para metabolizar os açúcares, transformando-os em energia, mas também libertando dióxido de carbono que precisa de ser expelido. No entanto, podem surgir patologias, como a miocardiopatia, que colocam em causa todo este processo.
 

Miocardiopatia dilatada

É a forma mais comum de miocardiopatia e ocorre, sobretudo, em homens entre os 20 e os 60 anos. Afeta ambos os ventrículos mas começa no esquerdo. O músculo dilata e torna-se mais fino, comprometendo a contração normal do coração. Este distúrbio pode levar a situações de insuficiência cardíaca, problemas de insuficiência de válvulas cardíacas, arritmias (batimentos cardíacos anormais) e coágulos no coração.
 

Sintomas

Os sintomas mais comuns são a falta de ar, cansaço e inchaço dos membros inferiores e abdómen.
 

Causas

As causas por trás da miocardiopatia dilatada não são totalmente conhecidas. No entanto, um terço dos casos tem causas genéticas.
Por outro lado, existem algumas doenças que podem apresentar-se como miocardiopatia dilatada, ainda que algumas não sejam doenças primárias do músculo cardíaco. São elas:

  • Doença coronária
  • Enfarte do miocárdio
  • Hipertensão arterial
  • Diabetes
  • Doenças da tiroide
  • Infeções, especialmente de origem viral e que afetem o músculo cardíaco incluindo hepatites virais e a infeção por Vírus da Imunodeficiência Adquirida (VIH)
  • Consumo excessivo de álcool
  • Complicações da gravidez
  • O uso de estupefacientes como a cocaína ou anfetaminas
  • A utilização de alguns medicamentos de quimioterapia.
     

Diagnóstico

A análise dos sintomas, os resultados de um exame físico e o recurso a exames complementares, como o ecocardiograma ou a ressonância magnética, são fundamentais para o diagnóstico. A este propósito, um artigo de revisão em que o Dr. João Silva Marques, Cardiologista na Cintramédica, é coautor, aponta que o recurso a várias técnicas de Imagiologia (utilizadas com critério individualizado) pode contribuir decisivamente para o diagnóstico, prognóstico e escolha terapêutica da miocardiopatia dilatada.
Por outro lado, pode ser necessário um cateterismo cardíaco para excluir doença coronária ou para fazer biopsias do músculo cardíaco. O eletrocardiograma e o Holter podem ser úteis na estratificação do risco e no planeamento da estratégia de tratamento.
 

Terapêutica

É sobretudo baseada em medicação para a insuficiência cardíaca que permite melhorar os sintomas e o prognóstico. Este tipo de tratamentos tem sofrido desenvolvimentos significativos nos últimos anos. Por vezes pode ser necessária a realização de procedimentos cardíacos terapêuticos ou cirurgia cardíaca. De realçar que o esclarecimento das causas da miocardiopatia dilatada e o contexto clínico são importante. Por exemplo, pode ser necessário um ajuste da medicação durante a gravidez e aleitamento.
 

Miocardiopatia hipertrófica

Este tipo de miocardiopatia é habitualmente provocada por uma anomalia genética, muitas vezes hereditária, que afeta o músculo cardíaco. Nesta patologia as paredes do ventrículo esquerdo tornam-se mais espessas, dificultando a injeção de sangue oxigenado na corrente sanguínea.

Há duas formas de miocardiopatia hipertrófica: obstrutiva e não obstrutiva. A primeira ocorre quando o septo intraventricular causa obstrução do fluxo de sangue do ventrículo esquerdo para a aorta. Esta é a situação mais comum. A forma não obstrutiva caracteriza-se por um endurecimento dos ventrículos, limitando a capacidade do coração de receber e bombear sangue.

A miocardiopatia hipertrófica é uma doença crónica que, sobretudo numa fase inicial, pode ser assintomática. Estima-se que 0,5% da população sofra de miocardiopatia hipertrófica, sendo muito elevada a percentagem destas pessoas que não está diagnosticada. Aliás, é a forma mais comum de morte prematura de atletas com menos de 35 anos.
 

Sintomas

Os sintomas, quando se manifestam, surgem normalmente numa fase adiantada da doença. Entre estes incluem-se dores no peito e dificuldade respiratória (principalmente após esforço físico), fadiga, tonturas, episódios de desmaio, arritmia cardíaca e inchaço nos membros inferiores e abdómen.
Com a progressão da doença, podem ainda surgir outras comorbilidades (outras doenças associadas). Assim, aumenta-se o risco de fibrilhação auricular (que pode dar origem a coágulos no sangue), acidente vascular cerebral (AVC) e paragem cardíaca.
 

Diagnóstico

O diagnóstico é baseado no historial clínico e familiar onde são questionados casos na família de miocardiopatia hipertrófica, insuficiência cardíaca ou paragem cardíaca. O exame físico inclui a avaliação cardíaca e respiratória. O exame complementar de referência é o ecocardiograma que avalia a espessura e rigidez do músculo cardíaco e permite avaliar as alterações do fluxo sanguíneo que caracterizam as formas obstrutivas. Em alguns casos pode ser necessário recorrer a ressonância magnética. Frequentemente, o eletrocardiograma,, prova de esforço, Holter e testes genéticos fornecem informação adicional.
 

Terapêutica

A terapêutica centra-se, sobretudo, nos sintomas, através da utilização de beta-bloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio e diuréticos. Por outro lado, é importante a estratificação do risco de morte súbita que vai definir outro tipo de intervenções. Nesse sentido, pode justificar-se a colocação de dispositivos cardíacos como um pacemaker ou um desfibrilhador implantável, miectomia septal cirúrgica ou ablação septal em cateterismo e, em casos selecionados, equacionar a possibilidade de transplante cardíaco.
 

Miocardiopatia restritiva

Este tipo de miocardiopatia ocorre caracteristicamente em pessoas mais idosas. Os ventrículos tornam-se mais rígidos devido à presença de tecido cicatricial nas paredes ventriculares. Por consequência, os ventrículos não distendem normalmente e limitam a circulação do sangue, conduzindo a dilatação das aurículas. Assim sendo, e com o passar do tempo, reduz-se o fluxo sanguíneo, o que pode conduzir a insuficiência cardíaca ou arritmias.

As causas incluem, por exemplo:

  • emocromatose, uma doença que provoca o depósito de ferro e que pode afetar o coração.
  • Sarcoidose, doença que provoca uma inflamação em vários órgãos do corpo que pode ter origem num distúrbio do sistema imunitário.
  • Amiloidose, doença que provoca a acumulação anormal de proteínas em vários órgãos, incluindo o coração.
  • Distúrbios do tecido conjuntivo.
  • Radioterapia e quimioterapia.
     
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Referências bibliográficas:

Autor do artigo

João Silva Marques

Cardiologista