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Dores de crescimento: os factos por trás dos mitos

31 Maio 22   |   560

A maior parte dos adultos lembra-se como era ter dores de crescimento. Na verdade, são a principal queixa de dores nas pernas em crianças dos 3 aos 12 anos. São tão frequentes que, quando uma criança se queixa de dores nas pernas, o “diagnóstico” é sempre “dores de crescimento”. Apesar destas dores serem bem reais e de se conhecer as suas características, na verdade não se pode atribuir as causas a um “pico de crescimento”. Fique a saber no que consistem estas "dores de crescimento" e como os pode ajudar a aliviar as queixas.
 

O fim de um mito

As “dores de crescimento” foram descritas pela primeira vez por um médico francês no século XIX. No seu entendimento as dores que as crianças se queixavam estavam associadas a um crescimento rápido. Hoje sabemos que tal não é verdade. Apesar de não haver um consenso científico nas Ciências Médicas sobre o que provoca estas dores, estas não podem ser atribuídas a um pico de crescimento. A razão é bastante simples: as fases de maior crescimento registam-se entre o nascimento e os 2 anos de idade, e na puberdade, após os 12 anos. Uma vez que nestas faixas etárias não há queixas de dores, não se podem atribuir as queixas entre os 3 e os 12 ao crescimento.
As chamadas dores de crescimento podem ser, muitas vezes, atribuídas a um esforço provocado pelo exercício ou pelas brincadeiras do dia a dia e são bem conhecidos os seus sintomas.

 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico das dores de crescimento obedece a uma lista de sintomas e características bem conhecida A localização das queixas, as horas em que ocorrem, a sua duração e o facto de se verificarem sempre da mesma forma identificam as dores de crescimento:

  • Afetam sempre ambas as pernas, nas coxas, barriga das pernas ou atrás dos joelhos
  • Não afetam as articulações
  • As queixas surgem ao fim do dia, antes de ir para a cama ou logo nas primeiras horas da noite
  • Não há queixas de manhã ao acordar
  • Podem ser intensas o suficiente para causar o choro e duram menos de uma hora
  • Há, em regra, apenas uma crise de dores por noite
  • As dores manifestam-se sempre da mesma forma
  • As dores melhoram com uma massagem suave

As dores de crescimento acontecem em intervalos muito variáveis. Podem ocorrer uma vez por dia ou uma vez por noite, durante vários dias ou noites seguidas, ao longo de uma semana ou mesmo durante várias semanas. Depois desaparecem durante algum tempo e reaparecem passadas umas semanas.
 

Exceção à regra e atenção aos sinais diferentes de dor noturna

Para um médico, qualquer sinal de dor noturna na infância aponta para uma origem renal. As dores de crescimento são a exceção a essa regra.
No entanto, é muito importante conhecer como se manifestam as dores de crescimento para poder despistar qualquer sintoma que ocorra fora desse quadro. Eis alguns sintomas a que deve estar atento e que podem motivar uma ida ao médico:

  • Dores quando a criança tem menos de 3 anos e mais de 12 anos
  • Dores que se localizam noutras zonas do corpo além das pernas
  • Dores num só membro, bem localizadas, e em articulações
  • Ter queixas de dor de manhã
  • Dores contínuas e com alteração nas características
  • Dores que surgem com movimentos
  • Alterações num exame objetivo de Imagiologia
     
Vigilância dos sintomas e como ajudar

As dores de crescimento justificam uma vigilância das primeiras queixas para excluir outros diagnósticos, mas, em geral, não requerem exames complementares de diagnóstico.

É importante tranquilizar os pais e informar acerca do caráter benigno das dores de crescimento. As massagens na zona da dor são, normalmente, apaziguadoras das queixas. A aplicação de calor local também pode ser benéfico.

Na maioria dos casos não se justifica a toma de qualquer analgésico. No entanto, se as dores noturnas forem intensas e frequentes, a toma de um analgésico pode ajudar a uma noite mais descansada.

Artigo revisto por

Nuno Jacques Pena

Pediatra