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Depressão e COVID-19: como e quem afeta?

17 Novembro 22   |   106

Um dos principais efeitos secundários da pandemia de COVID-19 foi na saúde mental. O aumento de casos de ansiedade e depressão, entre outros quadros clínicos, motivou o alerta de médicos, doentes e autoridades de saúde para repercussões na saúde mental da população.

Nesse sentido, entrevistámos o Dr. Ricardo Caetano, Psiquiatra na Cintramédica, de modo a perceber a magnitude do impacto da COVID-19 em quadros depressivos e como podemos todos estar alerta para a manutenção da saúde mental.
 

Como descreveria o impacto da pandemia da COVID-19 na saúde mental?

O impacto da pandemia por COVID-19 na saúde mental das pessoas foi muito elevado. Estima-se que no primeiro ano da pandemia a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou 25%. Os estudos realizados em Portugal revelaram um aumento do sofrimento psicológico, da ansiedade e da depressão moderada a grave, do stress pós-traumático e do burnout.
 

A pandemia trouxe mais casos novos de depressão ou o agravamento de casos já diagnosticados?

Com a pandemia por COVID-19 aumentaram os novos casos de depressão, mas também ocorreu o agravamento sintomático de depressões que já estavam diagnosticadas. Sabemos que a probabilidade de ter uma depressão durante a pandemia foi maior nas pessoas que tiveram uma depressão antes da pandemia.
 

Existe alguma relação direta entre a infeção pelo vírus SARS-CoV-2 e a degradação da saúde mental?

O vírus SARS-CoV-2 tem uma ação direta no sistema nervoso central, através da infeção das células nervosas e de mecanismos inflamatórios e imunológicos.

A persistência de sintomas de ansiedade e depressão e de queixas cognitivas, vários meses após a infeção aguda, é um dos indicadores desta ação do vírus no sistema nervoso central.
 

O stress intenso é um dos gatilhos para a depressão. Como caracterizaria os grupos de risco?

A depressão é uma doença na qual intervém fatores ambientais e genéticos. O stress intenso e prolongado no tempo é um factor de risco para o desenvolvimento de depressão em pessoas com vulnerabilidade genética para esta patologia. O sexo feminino, traumas na infância e episódios depressivos no passado também constituem fatores de risco.
 

Que sintomas podem sinalizar um estado de depressão?

Os sintomas que podem sinalizar o aparecimento de uma depressão são a perda de prazer e de vontade na realização de atividades que antes davam prazer, diminuição da energia e cansaço permanente, tristeza constante com impacto na vida da pessoa. Muitas vezes, a ansiedade está associada. Podem ocorrer baixa autoestima, sentimentos de culpa e inutilidade, dificuldades de concentração, irritabilidade e alterações do apetite e do sono, como, por exemplo, insónia. Em casos mais graves pode estar presente pensamentos recorrentes de morte e ideação suicida.
 

Na sua opinião, porque é que algumas pessoas ainda hesitam em procurar ajuda para cuidar da sua saúde mental?

Ainda existe um estigma associado às doenças mentais. Este estigma existe na sociedade em geral, mas também nas pessoas que sofrem de doença mental.

O facto de cada vez mais se falar em saúde mental e na sua importância para a saúde plena das pessoas está a contribuir para a diminuição deste estigma.   
 

Que recomendações preventivas daria como pilares fundamentais para uma saúde mental?

Os pilares fundamentais para uma boa saúde mental são ter uma atividade profissional gratificante e que seja equilibrada com a vida pessoal e familiar, ter passatempos e hobbies, conviver com amigos e família e praticar exercício físico.

Entrevista a

Ricardo Caetano

Psiquiatra