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Atividade Física nos Idosos: benefícios e cuidados

05 Abril 22   |   1899
A atividade física nos idosos é um fator decisivo na manutenção da saúde das pessoas desta faixa etária. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 3,2 milhões de mortes todos os anos são atribuídas à inatividade física. Após os 65 anos, a prática de atividade física traduz-se em inúmeros benefícios, não só a nível físico, mas também psicológico e cognitivo, proveitos que poderão ditar uma melhoria substancial da qualidade de vida na terceira idade. No entanto, a atividade física para idosos deve ser ponderada com o seu médico Fisiatra de modo a poder ser benéfica e não colocar em risco a sua saúde. A Dra Carla Vera-Cruz, médica Fisiatra e Diretora-Clínica da Unidade de Medicina Física e Reabilitação, responde a algumas questões:
 
Qual a importância do exercício físico para idosos num contexto de manutenção da saúde e melhoria da qualidade de vida?
É de extrema importância, pois melhora a aptidão física e contribui para a prevenção de quedas. Por outro lado, a realização de exercício físico adequado em quantidade e qualidade, diminui o risco de morte por doenças cardiovasculares, melhora a força muscular e previne a evolução para a osteoporose.
 
De modo geral, quais são os exercícios ou que tipo de atividades são mais recomendados depois dos 65 anos e com que frequência?
De uma maneira geral nos idosos, o exercício físico deve comtemplar cargas mais baixas e mais repetições. Deve ser realizado pelo menos 10 minutos seguidos e pelo menos, duas vezes por semana. É muito importante associar atividades que promovam a melhoria do equilíbrio e da coordenação, o que se torna extremamente importante na prevenção de quedas. Neste contexto, podemos destacar o tai-chi ou o pilates, ou mesmo a dança, jogos de equipa ou marcha nórdica (com bastões).
 
Qual a importância de um plano de treinos e acompanhamento durante a atividade física para prevenir lesões decorrentes desses exercícios?
É de facto muito importante haver monitorização da atividade física, para que não surjam nem lesões decorrentes desses exercícios, nem agravamento de patologias que possam existir. Daí a importância de uma avaliação médica prévia, garantindo que há condições para o seu desempenho. Isto é particularmente importante para os indivíduos que estão no início da idade geriátrica, que sempre fizeram exercício físico, gostam de o praticar e têm de o adaptar à idade que vai requerendo adaptação gradual.
 
Após os 65 anos, as pessoas poderão ter algumas comorbilidades que dificultem a atividade física. O que se deve fazer antes de começar?
Após os 65 anos, é comum haver a presença de doenças crónicas e por vezes polimedicação (toma de vários medicamentos) por esse facto, o que não é, muito pelo contrário, contraindicação à prática de atividade física.
Na maioria dos casos, a prática de exercício físico adequado vai promover a melhoria da qualidade de vida. Claro que deve sempre ser feita uma avaliação médica prévia antes de iniciar essa atividade, até para adequar o tipo e frequência da sua realização.
 
Uma vez que as alterações hormonais decorrentes da menopausa podem colocar em risco a massa óssea das mulheres, que precauções devem ser tomadas antes do início da atividade física?
No caso da existência de perda de massa óssea (osteopenia ou mesmo osteoporose) e depois de conselho médico confirmando que não há contraindicação à prática de exercício físico, é mais benéfica a prática de atividade física que implique carga, como a marcha, do que as atividades em meio aquático.
 
Muitas pessoas podem pensar que a partir dos 65 anos já é tarde para começar a atividade física. É um mito? Como se podem motivar essas pessoas?
Nunca é tarde para começar, pois os ganhos são sempre visíveis. Acho que é motivador para todos sabermos que com a realização de exercício físico regular na idade geriátrica, se pode reverter parcialmente a deterioração funcional ligada ao envelhecimento, melhorar a qualidade de vida e prevenir as quedas. Por outro lado, abre a possibilidade de maior convívio social com atividades de grupo e até, usando plataformas de jogos digitais que melhoram o equilíbrio, pode promover uma agradável partilha de tempo com os netos!

Entrevista a

Carla Vera-Cruz

Fisiatra