O que é a doença de Alzheimer?
A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de Demência, constituindo cerca de 50% a 70% de todos os casos. Trata-se de uma doença degenerativa do cérebro que leva à perda progressiva das capacidades intelectuais. Afeta sobretudo a população idosa, podendo, raramente, afetar pessoas abaixo dos 55 anos de idade.
Um relatório da
Alzheimer Europe, divulgado pela
Alzheimer Portugal - Associação Portuguesa de Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer, indica que possam existir cerca de 240 mil pessoas que vivem com demência no nosso país.
"É da idade" ou um sinal de alerta?
Inicialmente, os sintomas podem ser muito subtis e podem desenvolver-se de forma gradual, passando despercebidos durante muito tempo.
É fundamental reconhecer os sinais da doença, permitindo uma intervenção atempada, com os objetivos de atrasar o seu avanço e melhorar a qualidade de vida da pessoa com doença de Alzheimer e dos seus familiares.
Envelhecimento normal
- ter uma vaga lembrança de um acontecimento
- manter a capacidade de seguir indicações
- esquecer nomes ou palavras, mas recordá-las mais tarde
- manter a capacidade de realizar atividade da vida diária como comer, lavar-se ou vestir-se, apesar das limitações físicas
- tomar uma decisão errada pontualmente
- cometer erros ocasionais (ao efetuar um pagamento, por exemplo)
- ficar confuso com o dia da semana em que se encontra, mas depois lembrar-se
- esquecer-se pontualmente de qual palavra usar
- perder um objeto, mas conseguir encontrá-lo através do raciocínio lógico
Sinais de Alzheimer
- esquecer-se de parte ou da totalidade de um acontecimento
- perder progressivamente a capacidade de seguir indicações escritas ou verbais
- perder a capacidade de seguir a história de um filme, novela ou livro
- esquecer a informação de dados históricos ou políticos que conhecia
- perder a capacidade de realizar atividades da vida diária como comer, lavar-se ou vestir-se
- perder progressivamente a capacidade de tomar decisões
- perder a capacidade de gerir o seu orçamento
- não saber a data ou estação do ano em que está
- dificuldade em manter uma conversa, quebrando o raciocínio ou esquecendo-se de palavras
- esquecer-se do local onde guardou um objeto e não conseguir fazer o processo reconstrutivo para se lembrar
Nota: a presença de um ou mais destes sinais não significa necessariamente que exista doença de Alzheimer.
Qual a importância de um diagnóstico precoce de Alzheimer?
Ainda que reconhecendo que alguma coisa não está bem, muitas pessoas adiam a ida ao médico por receio do diagnóstico.
Contudo, saber o que se passa com antecedência traz muitas vantagens:
- compreender a causa dos sintomas: obter uma explicação para os sintomas permite compreender melhor o que está a acontecer e tomar decisões informadas
- exclusão de outras causas: uma avaliação especializada pode ajudar a identificar outras condições que podem provocar problemas de memória ou alterações cognitivas e que, em alguns casos, podem ser tratáveis
- acesso a tratamentos: permite iniciar terapêuticas farmacológicas e não-farmacológicas (como a estimulação cognitiva) numa fase em que o cérebro responde melhor, preservando a autonomia durante mais tempo
- capacidade de decisão e planeamento: a pessoa ainda tem capacidade de participar nas decisões sobre o seu futuro, cuidados de saúde e questões financeiras/jurídicas
- apoio e preparação dos cuidadores: dá tempo à família para compreender a condição, adaptar a casa e procurar redes de apoio
Como é feito o diagnóstico da doença de Alzheimer?
Não existe um teste específico para diagnosticar a doença de Alzheimer.
O diagnóstico pode incluir a realização de:
- história clínica
- exame físico
- exames laboratoriais (análises ao sangue e urina e, se necessário, exames de Imagiologia, como raio-X, TC/TAC, Ressonância Magnética, entre outros)
- avaliação cognitiva
- revisão de medicação
Qual o papel da família em todo o processo?
O Alzheimer coloca diversos desafios às famílias, que têm um papel muito importante no acompanhamento e apoio da pessoa ao longo da evolução da doença.
Desde os primeiros sinais, a família pode:
- ajudar a identificar alterações no comportamento e nas capacidades cognitivas
- incentivar a procura de avaliação especializada
- acompanhar a pessoa nas diferentes etapas do processo
Cuidar de uma pessoa com Alzheimer pode ser emocional e fisicamente exigente, por isso é muito importante procurar apoio, partilhar responsabilidades e recorrer às redes de suporte disponíveis. O acompanhamento adequado da família pode contribuir para melhorar o bem-estar de todos os envolvidos.
Conclusão: Quanto mais cedo agir melhor
Apesar de não existir uma cura para a doença de Alzheimer, existem tratamentos que ajudam a controlar os sintomas e que contribuem para a autonomia e segurança da pessoa, facilitando a adaptação à doença.
Por isso, alterações persistentes ou progressivas da memória e de outras capacidades cognitivas não devem ser simplesmente atribuídas à idade.
Quanto mais cedo procurar ajuda, mais cedo será possível perceber o que está a acontecer, esclarecer a causa dos sintomas e definir um plano de acompanhamento adequado.