As crianças são naturalmente curiosas e irrequietas. No entanto, quando mostram sinais de falta de atenção ou de agitação são vistas como “difíceis”, “teimosas” ou “mal-educadas”.
Enquanto muitas estão apenas a comportar-se de forma típica para a sua idade, outras podem apresentar Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), um distúrbio no desenvolvimento do sistema nervoso que afeta:
- a atenção
- o controlo de impulsos
- os níveis de atividade
Neste artigo, explicamos o que é a PHDA, como identificar os sinais de alerta, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento disponíveis. Se tem dúvidas sobre o comportamento do seu filho, este artigo pode ajudá-lo a compreender melhor o que é a PHDA e quando procurar ajuda.
O que é Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA)?
A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é um dos problemas de comportamento e de neurodesenvolvimento mais frequentes nas crianças e adolescentes em idade escolar, tanto em Portugal como a nível mundial.
Esta condição também é conhecida por ADHD (Attention Deficit Hyperactivity Disorder, em inglês) ou TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, no português do Brasil).
Quais são os sinais de alerta da PHDA?
Os sintomas da PHDA podem depender da idade, mas os sinais-chave são:
- hiperatividade - irrequietude difícil de controlar
- impulsividade - dificuldade em esperar pela sua vez ou em planear ações
- desatenção - dificuldade em completar tarefas e tendência para a desorganização
Existem diferentes apresentações da PHDA, consoante a tipologia de sintomas mais predominantes:
- tipo predominantemente desatento
- tipo predominantemente hiperativo/impulsivo
- tipo combinado (misto)
Os sintomas podem mudar ao longo da vida: a impulsividade e a desatenção tendem a manter-se mais estáveis, enquanto a hiperatividade costuma diminuir com a idade.
Impacto social da PHDA na criança
A PHDA pode afetar de forma significativa o quotidiano da criança: em casa, na escola e nas suas relações com a família, amigos, professores e colegas.
Entre as principais consequências está a dificuldade em manter a atenção, que pode dar origem a maus resultados escolares e levar ao afastamento ou isolamento social.
O facto de não conseguirem concluir as suas tarefas faz também com que as crianças fiquem frustradas, o que acaba por lhes gerar:
- tristeza
- baixa autoestima
- problemas de stress
Mas com o correto acompanhamento, estas dificuldades podem ser ultrapassadas.
Fazer o diagnóstico de PHDA em crianças
O diagnóstico da PHDA é clínico e baseia-se:
- na história clínica detalhada da criança
- na observação direta do seu comportamento
- em entrevistas com os pais e professores
Estes elementos são fundamentais para compreender como a criança se comporta em diferentes ambientes. É imprescindível que esta avaliação seja feita por profissionais, para que os sintomas possam ser analisados corretamente.
Não existem exames que permitam confirmar ou excluir de forma definitiva o diagnóstico de PHDA. Por isso, é essencial que a criança seja avaliada de forma cuidadosa, preferencialmente por uma equipa multidisciplinar, que pode incluir Pediatra, Neuropediatra e Psicólogo.
É importante lembrar que outras condições médicas podem provocar agitação e hiperatividade. Nesses casos, antes de confirmar o diagnóstico de PHDA, o especialista pode solicitar que sejam feitas análises ao sangue e à urina ou exames de imagem, para excluir outras causas.
Existe tratamento para a PHDA?
O tratamento é realizado por uma equipa multidisciplinar e assenta em dois pilares fundamentais:
- intervenção psicoterapêutica: visa ajudar a criança a compreender os seus pensamentos, emoções e comportamentos, promovendo o autocontrolo e a gestão da atenção. Esta intervenção deve envolver a família e a escola
- intervenção farmacológica: constitui uma abordagem complementar, especialmente recomendada quando os sintomas são mais graves e interferem com o funcionamento diário da criança
Casa e Escola devem estar em sintonia
Pela sua proximidade, pais e professores são peças essenciais para compreender o perfil da criança e para lhe oferecer um ambiente estável, seguro e estimulante.
É fundamental implementar planos de organização e comunicação, em casa e na escola, adequadas às crianças com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção, que favoreçam o seu desenvolvimento e o seu bem-estar.
- Em casa –
- Criar rotinas. As rotinas ajudam a criança a prever o que vai acontecer e isso deixa-as mais tranquilas
- Definir um local específico para o estudo, longe de fontes de distração (como janelas ou dispositivos eletrónicos)
- Ajudar a criança a organizar as suas tarefas e materiais
- Permitir pausas regulares durante o estudo, para facilitar a concentração
- Na escola –
- Tornar as aulas mais dinâmicas
- Destacar a informação essencial e realizar pequenos resumos dos conteúdos mais importantes
- Dividir as tarefas mais longas, por fases
- Reforçar positivamente o esforço e o desempenho da criança
A PHDA não é falta de educação, preguiça ou teimosia. É uma condição neurológica que requer compreensão, acompanhamento e apoio adequados.
Com a intervenção certa, a criança pode atingir o seu potencial e ter uma vida equilibrada.