Facebook

Infeções Ginecológicas no verão

data de publicação29 julho 2025 Dr. Rui Gomes, especialista em Ginecologia e Obstetrícia na Cintramédica autor do artigo
Dr. Rui Gomes  |  Ginecologista
Imagem Lateral
Infeções Ginecológicas no verão
No verão, a combinação de roupas molhadas (como fatos de banho e biquínis), ambientes quentes e húmidos e o uso de produtos de higiene íntima inadequados, pode levar a alterações da flora vaginal e ao aparecimento de bactérias e fungos.
Este cenário favorece o desenvolvimento de problemas ginecológicos mais sérios, como candidíase, vaginose bacteriana e infeções urinárias. Aprender a identificá-los é essencial para que cada mulher possa tomar decisões informadas sobre a sua saúde.
 

Infeções Ginecológicas que podem surgir mais no verão

Candidíase

A Candidíase  uma infeção ginecológica muito frequente, afetando a maioria das mulheres, pelo menos uma vez na vida. Trata-se de uma doença provocada por um fungo do género Candida, que habita, naturalmente, no corpo humano, mas certos desequilíbrios (originados por antibióticos, alterações do pH vaginal, etc…), a humidade ou em caso de gravidez, pode haver o desenvolvimento excessivo destes fungos. Caracteriza-se por ardor durante a micção, comichão genital intensa, dor durante o ato sexual e corrimento vaginal branco abundante.
 

Vaginose Bacteriana

A Vaginose Bacteriana é uma infeção vaginal causada por bactérias, e ocorre quando há um desequilíbrio na microflora vaginal. O pH da vagina é ácido, o que impede o crescimento excessivo de bactérias nocivas e ajuda a manter um nível saudável da flora local. Mas, às vezes, as condições podem alterar-se e o pH vaginal pode tornar-se menos ácido, o que permite um crescimento excessivo de bactérias "más”, causando a denominada vaginose bacteriana. Os sintomas associados a esta condição são: corrimento vaginal amarelo anormal, acompanhado de odor desagradável, desconforto e ardor.


Infeção urinária

No Verão, perdemos naturalmente mais água, através da transpiração. Se não hou­ver um reforço da hidratação que compense essas perdas, há uma redução da quan­tidade de urina produzida, ficando mais concentrada e com odor intenso. Os intervalos entre micções ficam maio­res, o que propicia o crescimento bacte­riano no interior da bexiga, facilitando o aparecimento de infeções urinárias, que se caracterizam pela dor e ardor ao uri­nar, vontade urgente e frequente de urinar, sensação de bexiga cheia, urina com odor forte, e, por vezes, presença de sangue na urina.

 

Prevenção das infeções ginecológicas

Existem, contudo, pequenos hábitos que podem ser adotados para reduzir a probabilidade de ser “apanhada” por uma destas infeções, e que passam por:

  • usar roupas leves e respiráveis - evitar roupas interiores muito justas ou sintéticas e optar pelas de algodão, pois ajudam a manter a região genital seca e ventilada.
  • evitar ficar muito tempo com fato de banho molhado - os fungos proliferam em ambientes húmidos.
  • manter uma higiene íntima adequada - embora a vagina tenha um sistema de autolimpeza, é importante ter cuidados de higiene. O uso de água morna é a melhor opção. Se preferir, pode usar um sabão suave, sem cheiro ou cor.
  • beber bastante água e ter uma alimentação equilibrada - a ingestão de água ajuda a diluir a urina e a eliminar bactérias que possam estar presentes no trato urinário. Também existem alimentos que ajudam a prevenir o crescimento de bactérias nocivas, como por exemplo, os iogurtes, ricos em probióticos.
  • evitar o uso excessivo de protetores diários - os pensos higiénicos e os tampões, se utilizados durante demasiado tempo, favorecem o desenvolvimento de infeções vaginais.
  • lavar corretamente a roupa interior - é recomendado lavar as peças à mão ou na máquina, utilizando sabão neutro ou específico para roupas delicadas, e secando-as ao sol ou em local arejado para evitar a proliferação de bactérias e fungos. 

Caso note alterações como mau odor, corrimento vaginal, comichão, ardor ao urinar ou suspeite de uma infeção vaginal ou urinária, procure o seu ginecologista, para obter um diagnóstico adequado.

Autor do artigo

Rui Gomes

Ginecologista (Cédula Profissional: OM 36778)

Faça o seu comentário

Envie-nos o seu comentário, questão ou opinião.