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Hepatite de A a E: conheça os vírus e como prevenir a doença

21 Julho 22   |   155
A hepatite é uma inflamação do fígado. A maioria das hepatites têm etiologia viral. No entanto, o excesso de consumo de álcool, alguns medicamentos, ou ainda mecanismos autoimunes, podem também provocar a doença. Neste artigo, vamo-nos focar nas hepatites virais, uma causa importante de doença e morte em Portugal.
 
Quais são os sintomas da hepatite
O fígado permite que o corpo humano processe nutrientes essenciais ao seu funcionamento, ao mesmo tempo que ajuda à limpeza de inúmeras substâncias tóxicas ao organismo. A inflamação do fígado afeta o seu funcionamento, podendo conduzir, nos casos mais graves, a falência hepática, cirrose ou ao cancro do fígado. No entanto, nem todos os vírus da hepatite afetam o fígado do mesmo modo e nem todos são preocupantes. Em muitos casos a doença pode mesmo ser assintomática. Noutros, pode causar sintomas como:
  • Fadiga
  • Perda de apetite
  • Náuseas
  • Vómitos
  • Diarreia
  • Urina escura
  • Fezes claras
  • Dores abdominais
  • Coloração amarela da pele e dos olhos (icterícia)
As hepatites com maior impacto na saúde pública são as hepatites B e C. Em Portugal estima-se que haja 150 mil pessoas portadoras de hepatites virais, embora nem todas estejam diagnosticadas.
 
Vírus da hepatite: de A a E
As hepatites virais são um importante problema de saúde a nível mundial, estimando-se que cerca de 1 milhão de pessoas morrem todos os anos por causa da doença. Ao contrário da maior parte das doenças infecciosas (malária, tuberculose, etc.), as hepatites virais têm aumentado nas últimas décadas, apesar de existirem vacinas e tratamentos eficazes. O conhecimento sobre estes vírus é, por isso, fundamental para a promoção da saúde pública.
 


Hepatite A

Este vírus é transmitido sobretudo através do consumo de água ou comida contaminadas. Pode também ser transmitido por via sexual.
A maior parte das infeções por hepatite A são ligeiras, e apenas uma pequena percentagem de doentes desenvolve hepatite grave.
Os sintomas são semelhantes aos de uma gripe, e incluem febre, dores musculares e mal-estar geral. Posteriormente surgem sintomas mais específicos como icterícia, falta de apetite e vómitos. Raramente há necessidade de internamento. Não existe um tratamento específico para a hepatite A. Por forma a aliviar os sintomas recomenda-se repouso e o consumo de refeições ligeiras e em pequena quantidade. Em regra, a doença cura-se ao fim de 3 a 5 semanas e não evolui para doença crónica. Após um primeiro contacto com a doença é expectável que se desenvolva imunidade.
A prevenção passa sobretudo por medidas de higiene, nomeadamente pela lavagem das mãos e pelo consumo de água engarrafada em países cuja água potável possa estar contaminada.
Estão disponíveis vacinas para a prevenção da hepatite A que são recomendadas para viajantes para países onde esta doença é mais frequente como é o caso de África, América do Sul e Central, Extremo Oriente, Europa de Leste e subcontinente indiano.
 


Hepatite B

Este tipo de hepatite é transmissível através do contacto com sangue infetado, sémen e outros fluidos corporais. Pode também ser transmitido de mães grávidas para os fetos ou na altura do parto. A hepatite B pode tornar-se crónica com consequências fatais, evoluindo para cirrose ou cancro do fígado. A Organização Mundial da Saúde calcula que, todos os anos, haja 1,5 milhões de novas infeções. Em Portugal afeta entre 1% a 1,5% da população. Felizmente existe vacinação para a hepatite B, extremamente eficaz e já incluída no plano de vacinação, bem como medidas de prevenção à contracção da infecção pelos recém-nascidos filhos de mães infetadas pelo vírus. Existem ainda fármacos que permitem um controlo adequado da infecção em indivíduos portadores da doença.
 


Hepatite C

A principal forma de transmissão da hepatite C é o contacto com sangue contaminado com o vírus (transfusões de sangue, partilhas de seringas). A transmissão por via sexual também é possível mas menos comum. A hepatite C evolui com muita frequência para doença crónica, sendo a principal causa de cancro do fígado (60% do total de casos) e de cirrose (25% do total de casos). Estima-se que existam 70 mil casos de hepatite C em Portugal. Felizmente, nos últimos anos, mais de 15 mil pessoas iniciaram o tratamento com medicação antivírica, com taxas de cura que rondam os 97%. Não existe vacina para a hepatite C.
 


Hepatite D

Este vírus apenas infeta quem já tenha o vírus da hepatite B. A transmissão dá-se por contacto com sangue contaminado ou por via sexual. Pode ocorrer em simultâneo com uma infeção com hepatite B (coinfeção) ou após a pessoa já estar infetada com hepatite B (superinfeção). Felizmente, as vacinas para a hepatite B oferecem proteção contra a hepatite D.
 


Hepatite E

Do mesmo modo que a hepatite A, a principal fonte de transmissão da hepatite E consiste em fontes de água e alimentos contaminados. De modo geral, a hepatite E não evolui para doença crónica, sendo apenas muito grave em casos (raros) de hepatite fulminante. As grávidas são a população de maior risco, sobretudo durante o 3º trimestre.
 
Rastreio Hepatite B e hepatite C
No Programa Nacional para as Hepatites Virais é dada uma ênfase maior a estes dois vírus uma vez que são as hepatites que constituem maior risco de saúde pública. O rastreio destes dois tipos de hepatite é fundamental para interromper as cadeias de transmissão e para a obtenção de um diagnóstico precoce que conduza ao tratamento da hepatite B e hepatite C.
O Laboratório de Análises Clínicas da Cintramédica dispõe de análises de rastreio destas duas infeções, assim como da hepatite A e E.
 
 
Prevenção das hepatites B e C
Desde 1994 que a vacina contra a hepatite B está incluída no Plano Nacional de Vacinação. Esta é a forma mais eficaz de prevenir a doença, uma vez que apresenta uma eficácia de 95% a 99% contra a infeção. Esta vacina tem, em Portugal, uma taxa de cobertura de 98%.
Outra forma de prevenção das infeções de hepatite B e hepatite C é a utilização correta do preservativo, masculino ou feminino, em todas as relações sexuais. Por outro lado, tem sido observado que em determinados comportamentos de risco, como o consumo de drogas injetáveis, tem sido um terreno fértil para novas infeções destes dois vírus. Nesse sentido, os organismos públicos de saúde têm levado a cabo programas de troca de seringas, diminuindo a incidência de hepatite B e hepatite C nessa populações de risco.

Artigo revisto por

Susana Mão de Ferro

Gastrenterologista