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A osteoporose e o risco de fraturas

23 Março 22   |   776
A osteoporose é uma doença óssea que afeta cerca de 800 mil portugueses, ou seja, 10% da população adulta. De acordo com o Estudo Epidemiológico de Doenças Reumáticas, esta patologia é ainda responsável por 40 mil fraturas ósseas por ano em Portugal. A nível mundial, 1 em cada 3 mulheres e 1 em cada 5 homens vão sofrer uma fratura osteoporótica. É um problema de saúde pública, pelo impacto pessoal, familiar e socioeconómico associado à ocorrência de fraturas.
 
O que é a osteoporose?
A quantidade máxima de massa óssea é adquirida entre os 20 e os 30 anos de idade. A partir dos 40 ou 45 anos, a massa óssea vai diminuindo de forma contínua em ambos os sexos, com a particularidade que, no caso das mulheres, diminui de forma abrupta e rápida a partir da menopausa.
A osteoporose caracteriza-se pela diminuição da resistência e qualidade do osso, diminuição da sua capacidade de suportar carga e consequente aumento do risco de fratura.
As fraturas relacionadas com a osteoporose designam-se por fraturas osteoporóticas ou de fragilidade. Estas fraturas ocorrem em contexto de baixo impacto, isto é, fraturas ocorridas após queda da própria altura ou sem história de traumatismo.
Até à ocorrência de fratura, a osteoporose é uma doença silenciosa e não causa manifestações clínicas.
 
Quais as pessoas mais afetadas?
A osteoporose pode afetar ambos os sexos, mas as mulheres são mais afectadas, sobretudo após a menopausa.
O pico da massa óssea é determinado geneticamente em 70% a 80%. Este pico é atingido, em ambos os sexos, durante o início da idade adulta. Medidas de estilo de vida durante a infância e adolescência, como a alimentação saudável e variada, boa absorção de cálcio e de vitamina D, exercício físico ou a evitação do consumo de tabaco e álcool, podem melhorar o pico de massa óssea.
 
Fatores de risco
Como fatores de risco de fratura osteoporótica e/ou de osteoporose podemos enumerar:
  • Sexo feminino
  • Idade avançada
  • Baixo índice de massa corporal
  • Imobilização prolongada (por exemplo, pessoas acamadas)
  • Existência de fraturas de baixo impacto após os 40 anos
  • Existência de fraturas da anca em familiares de primeiro grau
  • Ingestão elevada de álcool
  • Tabagismo
  • Artrite reumatóide
  • Medicamentos: corticóides, anticoagulantes e antiepilépticos
  • Doenças da tiroide ou paratiroides
  • Síndromes de má absorção intestinal (por exemplo, doença celíaca)
  • Menopausa precoce (idade inferior a 45 anos de idade)
  • Alterações do ciclo menstrual (amenorreia)
 
Quais as manifestações e consequências da doença?
A osteoporose constitui um grave problema de saúde pública, com sérias consequências para o doente, família, cuidados de saúde e sociedade em geral.
A fratura osteoporótica mais grave é a fratura da anca (colo do fémur). Esta fratura está associada a aumento de mortalidade, com 20% das pessoas a não sobreviverem a um ano após a fratura. Associa-se também a uma morbilidade significativa, com dor crónica, perda de autonomia, dependência de terceiros e depressão.
A doença representa encargos associados aos cuidados de saúde imediatos (internamento, cirurgia ortopédica e fisioterapia) e encargos a longo prazo com cuidados continuados e de institucionalização temporária ou permanente em casas de repouso ou lares. Outras fraturas osteoporóticas são a fratura vertebral (vértebras lombares ou dorsais), punho e úmero.
Qualquer uma destas fraturas/localizações sugere fortemente o diagnóstico de osteoporose e deve ser motivo de consulta para confirmação do diagnóstico e orientação do tratamento necessário.
 
Como se faz o diagnóstico?
O diagnóstico é feito com base num questionário sobre fatores de risco e a ocorrência de fraturas. Como exames complementares, podem ser requisitados a densitometria óssea, radiografias da coluna dorsal e lombar, análises de sangue e análises de urina.
A densitometria óssea é o exame mais relevante e permite medir a densidade do osso. Este exame está recomendado para mulheres com idade superior a 65 anos, homens com idade superior a 70 anos ou para ambos os sexos acima dos 50 anos se estiverem presentes fraturas osteoporóticas ou os fatores de risco previamente mencionados.
 
Medidas preventivas e tratamento
O tratamento inclui medidas não farmacológicas (com base no estilo de vida) e medidas farmacológicas (com base na instituição de medicação). As medidas não farmacológicas, além do deixar de fumar e do consumo moderado de álcool são:
Prática regular de atividade física: são recomendados exercícios de carga, como as caminhadas ou o jogging, e exercícios aeróbicos, como o tai chi. O exercício melhora a condição física, a coordenação motora e a tonicidade muscular.
Adoção de dieta saudável, equilibrada e rica em cálcio: a quantidade de cálcio recomendada situa-se entre os 800 e 1000 mg/dia. Os produtos ricos em cálcio são o leite, iogurte, queijo, legumes verdes, cereais e pão. Na ausência de um consumo dietético, poderá ser necessário fazer suplemento de cálcio em comprimidos.
Exposição solar diária: a vitamina D é indispensável para a absorção de cálcio e para o fortalecimento ósseo e muscular. A exposição ao sol deve ser moderada (10 a 20 minutos). O doseamento da vitamina D no sangue é importante para avaliar a carência e necessidade de suplementação.
Avaliação e prevenção do risco de quedas: sobretudo no que diz respeito à população idosa, é importante remover em casa obstáculos como tapetes ou fios eléctricos, iluminar adequadamente as divisões, utilizar calçado adequado com sola de borracha antiderrapante, corrigir perturbações da visão e audição, e rever medicação que possa afetar o equilíbrio.
 
Tratamento farmacológico
A decisão da instituição e duração do tratamento farmacológico é decidido em conjunto pelo médico e doente, atendendo ao seu perfil e patologias associadas. Os fármacos antiosteoporóticos são:
Inibidores de reabsorção óssea: estrogénios com ou sem progestagéneos, raloxifeno, bifosfonatos (alendronato, risendronato, ibandronato, zolendronato), tibolona.
Estimuladores de formação óssea: teriperatida.
O objetivo do tratamento é reduzir a prevalência de fraturas osteoporóticas e consiste na adoção das medidas preventivas atrás descritas em associação às terapêuticas farmacológicas.

Autor do artigo

Susana Fernandes

Reumatologista