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Pneumonia: causas além da COVID-19

12 Novembro 20   |   618
A pneumonia é uma infeção nos pulmões que afeta principalmente crianças e idosos. De acordo com a Sociedade Portuguesa de Pneumologia atinge, todos os anos, 12 em cada mil pessoas. Num contexto de pandemia por COVID-19, falámos com a Drª Mónica Grafino, Pneumologista na Cintramédica, para perceber os contornos de um quadro clínico de pneumologia perante vírus respiratórios como o SARS-CoV-2.
O que é uma pneumonia e como pode afetar os pulmões?
A pneumonia corresponde à infeção do tecido dos pulmões, a parênquima pulmonar. A infeção pode ser causada por vários microrganismos, nomeadamente bactérias (como, por exemplo, a Streptococcus pneumoniae ou pneumococos) e vírus (Influenza – vírus da gripe e SARS-CoV-2 – COVID-19). Como resultado dessa inflamação, os bronquíolos e os alvéolos (onde ocorrem as trocas gasosas) ficam cheios de líquido, comprometendo a capacidade a realização das trocas gasosas e reduzindo a elasticidade do pulmão.

Ao comprometer a função dos pulmões, podem decrescer os níveis de oxigénio no sangue, enquanto que os níveis de dióxido de carbono podem aumentar. Tendo em conta que o oxigénio é essencial para o adequado funcionamento de todos os órgãos, os baixos níveis de oxigénio no sangue comprometem o funcionamento de todos os órgãos.
 
Qual a principal diferença entre uma pneumonia provocada pelo SARS-CoV-2 e uma pneumonia provocada por outro vírus ou bactéria?
Não existem sintomas específicos que nos permitam distinguir a pneumonia por SARS-CoV-2 vs a pneumonia por outras bactérias ou vírus. A febre, tosse, falta de ar, dores no corpo, alterações dos sentidos do olfato e paladar são comuns a outras infeções. Porém, existem alterações visíveis quer em raio-X ou em tomografia computadorizada do tórax que podem sugerir infeção por SARS-CoV-2. Contudo, estes exames, por si só, não permitem excluir ou afirmar a infeção por este vírus.
 
Em caso da pneumonia provocada pela COVID-19, quais as abordagens terapêuticas?
A manifestação da infeção por SARS-CoV-2 é ampla. Pode ser assintomática (sem sintomas), ou apresentar características de doença ligeira a crítica. A abordagem à COVID-19 depende do risco de doença grave e do grau de gravidade da infeção.

Nos casos mais ligeiros, além das medidas para controlo da infeção e a vigilância, é recomendado o tratamento sintomático. Ou seja, com recurso a analgésicos e/ou antipiréticos, repouso e boa hidratação.
Por outro lado, a correção da disfunção de outros órgãos e/ou outras doenças descompensadas também é fundamental, assim como também uma hidratação e nutrição adequadas.

Nos casos graves, que comprometem os níveis de oxigénio e, ocasionalmente, os de dióxido de carbono, existem várias estratégias que podem ser utilizadas dependendo da situação. São elas a administração de oxigénio, ventilação não invasiva, ventilação invasiva (entubação) e/ou oxigenação por membrana extracorporal (ECMO).

Relativamente à terapêutica farmacológica, a dexametasona (ou outro corticoide) está recomendada nos casos graves que necessitam de terapêutica com oxigénio e/ou suporte ventilatório. Os estudos mostraram menor mortalidade neste grupo de doentes a quem foi administrada a dexametasona, mas não naqueles que não necessitaram de oxigénio e/ou suporte ventilatório.

Por outro lado, o remdesivir é um medicamento que inibe a replicação viral do SARS-CoV-2. Em doentes hospitalizados com COVID-19 e necessidade de oxigénio, este fármaco reduziu o tempo de recuperação.
Entretanto, à medida que se conhece melhor a doença, tem sido estudada a administração de outros medicamentos.
 
Num caso em que os sintomas sejam comuns à gripe ou ao SARS-CoV-2, qual a utilidade de uma análise para identificação do vírus responsável pelos sintomas?
Muitos dos sintomas observados pela infeção pelo vírus SARS-CoV-2 são comuns à infeção pelo vírus da gripe (Influenza), sendo por isso difícil distinguir uma da outra. Uma vez que a abordagem a cada uma destas infeções é distinta (tratamento, necessidade de isolamento e de identificação dos contactos, vigilância) é fundamental identificar o vírus responsável. Nesse sentido, a análise é de extrema utilidade.
 
Que pessoas estão em maior risco de vir a ter pneumonia derivada da COVID-19?
De acordo com o conhecimento científico existente sobre a COVID-19, todas as pessoas podem ser infetadas pelo SARS-CoV-2. Contudo, existem algumas situações que estão associadas a uma maior probabilidade de doença grave. Neste capítulo destaca-se a idade avançada, doença cardiovascular, diabetes, doença pulmonar crónica, cancro (nomeadamente, do sangue, pulmão e doença metastática), doença renal crónica, obesidade e tabagismo.
 
Nesses casos, a vacina contra a Pneumonia Bacteriana pode ser útil?
A pneumonia de causa bacteriana é a mais comum, sendo o Streptococcus pneumoniae (ou pneumococos) a bactéria mais frequentemente identificada. Atualmente, as vacinas disponíveis protegem contra esta bactéria também normalmente associada à pneumonia mais grave. Os fatores de risco para pneumonia por esta bactéria são muito idênticos aos fatores de risco para pneumonia COVID-19. Há poucos dados que documentem que, após infeção por SARS-CoV-2, haja maior risco para infeção bacteriana. Contudo, os sintomas de pneumonia bacteriana vs COVID-19 podem ser difíceis de distinguir. Desse modo, considero que a vacinação pneumocócica é uma mais valia, nomeadamente, nos indivíduos de maior risco.
 
Como podem as pessoas com maior risco de COVID-19 e pneumonia prevenir estas duas doenças?
Para prevenção da COVID-19 é essencial cumprir as recomendações da Direção-Geral da Saúde. A saber: lavagem/desinfeção das mãos, manter distanciamento de segurança de outras pessoas, utilizar máscara e evitar aglomerações.

A vacinação pneumocócica é importante para prevenir a pneumonia a esta bactéria e as suas complicações.

Por outro lado, é recomendada a adoção de hábitos de vida saudáveis. Falamos de deixar de fumar, praticar exercício físico regularmente, diminuir o consumo de álcool e manter uma alimentação saudável. Do mesmo modo, é importante manter um controlo adequado controlo das doenças crónicas e uma utilização criteriosa da terapêutica imunossupressora. Estes são, de maneira geral, os aspetos essenciais para prevenção da pneumonia.
 
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Autor do artigo

Mónica Grafino

Pneumologista