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O que é a Insuficiência Renal?

data de atualização14 março 2026 Sónia Afonso Ramos artigo revisto por
Dra. Sónia Afonso Ramos  |  Urologista
Imagem Lateral
Saúde renal e função dos rins representadas por rins ilustrados sobre mãos

A Insuficiência Renal é a incapacidade dos rins filtrarem o sangue e eliminarem certas toxinas produzidas pelo organismo. Embora existam duas formas principais de Insuficiência Renal, a Doença Renal Crónica (DRC) representa o maior desafio. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações graves.
 

Quais são os tipos de Insuficiência Renal?

A Insuficiência Renal pode ser: 

  • Aguda - quando existe perda rápida e súbita da função renal. Se identificada atempadamente, é reversível e não progride para insuficiência renal crónica.
  • Crónica - quando a perda da função renal acontece de forma lenta, progressiva e se torna eventualmente irreversível

 

Insuficiência Renal Aguda (IRA)

A Insuficiência Renal Aguda aparece de forma brusca (numa questão de dias ou horas), tendendo normalmente a recuperar. 
Esta situação pode causar uma redução do volume de urina produzido (sobretudo se ambos os rins estiverem afetados), o que origina uma acumulação súbita de líquidos e de resíduos tóxicos no organismo.
Em algumas pessoas, pode levar à Doença Renal Crónica (DRC).

Doença Renal Crónica (DRC)

A Insuficiência Renal é crónica quando a falência dos rins se produz de forma lenta e progressiva, sem possibilidade de recuperação. Neste caso, ambos os rins são afetados ao mesmo tempo. 

Estima-se que 1 em cada 10 adultos sofre de algum estadio de Doença Renal Crónica (DRC), em todo o mundo, de acordo com números da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais
A gravidade da doença renal crónica é quantificada em estadios, do 1 ao 5. Em casos graves pode haver progressão para uma doença renal terminal (estadio 5), termo que se utiliza quando os rins funcionam a menos de 15% da sua capacidade global e deixam de poder realizar funções determinantes para o organismo: 

  • eliminação das toxinas e da água através da filtração do sangue
  • produção de hormonas e glóbulos vermelhos

Em Portugal, existem cerca de 14 mil doentes com esta forma mais grave desta doença, necessitando de diálise ou transplantes renais.
 

Quais são os primeiros sintomas de Doença Renal Crónica? 

A DRC não apresenta sintomas iniciais e evolui até fases mais avançadas sem o doente ter conhecimento, porque os rins são capazes de se adaptar à perda progressiva das suas funções.
Mas, existem alguns sinais que ajudam na deteção precoce da doença:

  • começar a urinar em grandes quantidades com maior frequência, principalmente durante a noite
  • aparecimento de urina espumosa
  • falta de apetite
  • náuseas e vómitos
  • cansaço progressivo e fadiga a realizar pequenos esforços

Contudo, estes sintomas podem surgir em muitas outras situações e não significam necessariamente que tenha doença renal crónica. Deve, sim, consultar um médico para a sua situação ser avaliada e serem realizados exames adequados.
 

Como é feito o diagnóstico da Doença Renal Crónica? 

O diagnóstico da Doença Renal Crónica (DRC) é sempre feito através de análises ou exames clínicos que avaliam a função dos rins. 
A mais frequentemente utilizada é a medição da creatinina no sangue, a partir da qual se calcula a Taxa de Filtração Glomerular (TFG), considerada o melhor indicador da função renal e utilizada para determinar o estadio da doença. 
Paralelamente, realizam-se análises à urina para detetar a presença de proteína, albumina ou sangue, que podem indicar lesão renal mesmo quando a TFG ainda se encontra normal.
Para que seja considerada crónica, a alteração da função renal deve persistir por mais de três meses.
 

Qual é o tratamento para a Insuficiência Renal?

O tratamento da Insuficiência Renal Aguda é muito variável e depende do problema, habitualmente reversível, que a está a originar. 
São várias as situações que podem resultar em insuficiência renal: intoxicação com medicamentos, desidratação (em contexto de diarreia importante ou vómitos, por exemplo), infeção, obstrução do rim pela presença de um cálculo, retenção urinária, etc. 
O seu médico irá explicar-lhe o tratamento em cada um destes casos. 
O tratamento da Insuficiência Renal Crónica depende da fase da doença. Nos estadios iniciais, pode ser controlada com alterações no estilo de vida e medicação. Nos casos mais avançados, pode ser necessário recorrer a outras terapêuticas.  

Em situações menos graves, o doente deve:

  • reduzir o consumo de sal e de proteína animal na dieta
  • controlar a pressão arterial
  • manter os níveis de glicémia no sangue controlados, se for diabético
  • evitar tomar frequentemente medicamentos anti-inflamatórios sem indicação médica
  • manter uma hidratação adequada 

É fundamental informar sempre o médico sobre toda a medicação que esteja a tomar.

Em situações mais graves 

Em doentes com doença renal terminal (estadio 5) o tratamento passa por substituir o funcionamento dos rins através de diálise peritoneal, hemodiálise ou através de um transplante de um rim saudável.

  1. Diálise Peritoneal
    A diálise peritoneal é uma técnica em que o sangue é purificado no interior do corpo, através da utilização de um cateter colocado no peritoneu (membrana peritoneal). A diálise divide-se em dois tipos:
    Diálise Peritoneal Contínua Ambulatória: técnica que limpa o sangue dentro do corpo, utilizando a própria membrana peritoneal e através de um cateter peritoneal implantado no abdómen. Este líquido é trocado 4 vezes ao dia, em casa, no emprego ou noutro lugar. Os controlos com o médico são feitos mensalmente ou de 2 em 2 meses.
    Diálise Peritoneal Automática: é realizada em casa através da utilização de uma máquina que efetua a troca de líquido geralmente durante a noite. É necessário ir ao médico 1 vez por mês para o controlo das análises.
     
  2. Hemodiálise
    A hemodiálise é o processo pelo qual o sangue é purificado através de uma máquina externa ao corpo. Neste tratamento, o sangue circula através de tubos até à máquina onde decorre a filtração. Este tratamento demora entre 4 e 6 horas e é realizado, em regra, 3 vezes por semana.
     
  3. Transplante Renal
    O transplante renal consiste na implantação de um rim saudável numa pessoa cujos rins deixaram de funcionar. 
    Após o transplante, o doente tem de se deslocar ao Hospital, de forma periódica, para ser vigiado pelo seu médico. Deve ainda ter um controlo rigoroso da tensão arterial e evitar o excesso de peso.

 

Como prevenir a Insuficiência Renal? 

Existem hábitos de vida saudável que permitem prevenir este tipo de doença:

  • alimentação variada, rica em vegetais e fruta, pobre em gorduras (evitando os fritos, enlatados e enchidos), sem excesso de proteínas e com pouco sal
  • limitar a ingestão de álcool
  • deixar de fumar
  • prática regular de atividade física
  • controlar a hipertensão arterial e a diabetes
  • realizar exames de rastreio regularmente, especialmente se tiver fatores de risco como diabetes ou hipertensão.

 

Outras perguntas frequentes sobre Insuficiência Renal

É possível reverter a Insuficiência Renal?

A Insuficiência Renal Aguda pode ser reversível com tratamento médico. A Doença Renal Crónica geralmente não tem cura, mas os tratamentos podem permitir que não piore e que não progrida para as fases mais avançadas da doença.  

Qual é a maior causa da Insuficiência Renal?

Existem diversas condições que estão na origem da Insuficiência Renal. Mas hipertensão, diabetes, obesidade, colesterol alto e o tabagismo são as principais causas para esta condição. 

O que fazer em caso de Insuficiência Renal?

Após o diagnóstico, é essencial adotar um papel ativo no controlo da doença, com alterações nos hábitos alimentares e acompanhamento médico regular.
Nas fases mais avançadas, podem surgir alterações hormonais e de fertilidade, devendo estas questões ser discutidas com o médico assistente.

Quais são as complicações da Doença Renal Crónica?

Tendo em conta as principais funções dos rins, a sua falência associa-se a várias complicações, desde alterações da tensão arterial, anemia, alterações no metabolismo dos ossos, cansaço e fadiga. Em situações extremas, pode levar a arritmias cardíacas. 

Quais são os estadios da Doença Renal Crónica?

A DRC tem 5 estadios diferentes, que variam do estadio 1 ao estadio 5. 

  • Estadio 1 - os seus rins estão danificados, mas conseguem funcionar quase normalmente
  • Estadio 2 – os danos causaram uma perda ligeira na função renal
  • Estadio 3 – os danos causaram uma perda moderada na função renal
  • Estadio 4 – os danos causaram uma perda grave na função renal
  • Estadio 5 – falha total do funcionamento dos rins

 

Tabela Comparativa: Insuficiência Renal Aguda e Doença Renal Crónica

Artigo revisto por

Sónia Afonso Ramos

Urologista (Cédula Profissional: OM 56352)

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Luana
28 abril 2021
Bom dia. Tenho uma duvida a questionar. Sinto ardência e micçao ao urinar, urina tem cheiro muito forte, vontade constante de urinar(urina sai aos poucos) e uma especie de alto na barriga que nao desaparece. Sinto-me preocupada e nao sei do que se trata. O que poderá ser?
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