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O que está por trás da vertigem

23 Outubro 20   |   514

A vertigem é um sintoma e não uma doença em si. Assim, caracteriza-se por uma ilusão do corpo ou do meio envolvente estarem em movimento, frequentemente rotatório. No entanto, pode também ocorrer a sensação do corpo ser empurrado para um dos lados ou sentir uma descida ou subida, como se o doente estivesse na coberta de um navio ou sofresse uma queda num poço.
Fique a conhecer as causas e patologias por trás desta sensação, assim como as estratégias terapêuticas para lidar com cada caso.

 

Quem afeta?

Um estudo[1] realizado pelo Dr. Vaz Garcia et al, analisou os processos clínicos de cerca de 160 mil pacientes, todos os que recorreram às urgências de adultos do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, em 1993. Nesta pesquisa identificou-se que uma em cada 100 pessoas referia queixas de tonturas ou vertigem. Destas, cerca 64% eram mulheres, tendo-se observado uma maior prevalência destes sintomas entre os 41 e os 70 anos. Nesta análise observou-se que as tonturas e vertigens constituíram o sintoma principal ou único sintoma que tinham levado cerca de 82% dessas pessoas à urgência hospitalar. No entanto, na altura da alta, o diagnóstico da patologia por trás das queixas de tonturas e/ou vertigem foi frequentemente inconclusivo, insuficiente ou incorreto. Nesse sentido, levanta-se a questão da importância do diagnóstico correto das patologias que originam as vertigens e tonturas.

De acordo com o Dr. Vaz Garcia, responsável pela Unidade de Vertigem e Desequilíbrio da Cintramédica, qualquer sinal de ilusão de movimento ou desequilíbrio, associado ou não a náuseas e vómitos, é razão para se procurar o médico especialista numa Consulta de Vertigem.

 

Vertigem, tonturas ou desequilíbrio?

Deve-se distinguir vertigem e tonturas, o que é frequentemente difícil. Por outro lado, importa perceber o que é o equilíbrio e o seu papel nos sintomas associados a tonturas e vertigens.

Assim, em primeiro lugar, tonturas são uma designação genérica para o distúrbio das relações do indivíduo com o espaço. São, por vezes, difíceis de descrever. Podem ser causadas por alterações do ritmo cardíaco, hipoglicémia, descida brusca da tensão arterial, mas também por quadros de ansiedade, que levam o paciente a constantes inspirações profundas, podendo originar quadros de síncopes confundidos com vertigens. Também a mudança de graduação das lentes dos óculos pode provocar tonturas.

Por outro lado, as vertigens podem ser consideradas uma forma particular de tonturas. Assim, resultam de qualquer lesão a nível vestibular, seja dos seus receptores periféricos no ouvido interno - que recebem as informações da aceleração a que a cabeça está sujeita no espaço, bem como da sua posição no espaço, seja das vias que conduzem essas informações ou dos centros do Sistema Nervoso Central que as “tratam”.

Finalmente, o equilíbrio é a função que assegura a manutenção do centro de gravidade do corpo em repouso e em movimento numa área que garante sua estabilidade. Resulta de um conjunto de reflexos com origem nos olhos, ouvidos internos, recetores de sensibilidade dos ossos, articulações, músculos e planta dos pés. As informações recolhidas visam estabilizar a visão e a postura. Qualquer lesão num destes recetores periféricos pode desencadear vertigens e/ou desequilíbrio. Aliás, as perturbações de visão e de sensibilidade na pele, ossos, músculos e articulações (sensibilidade propriocetiva) também provocam tonturas. Assim, torna-se particularmente complexa a sua distinção das vertigens.

 

Patologias por trás da vertigem

Apesar de uma fatia considerável dos episódios de vertigens serem de causa desconhecida, sabe-se que estas queixas podem ser desencadeadas por infeções, inflamações, traumatismos, acidentes vasculares ou medicamentos tóxicos para o ouvido (ototóxicos), como sucede com alguns antibióticos. Esta panóplia de possíveis causas tornam complexo o diagnóstico clínico e exigente o conjunto de testes que devem ser feitos à cabeceira do doente. A Otoneurologia é a área médica que se dedica ao estudo e tratamento das causas de vertigem, zumbidos e perturbações do equilíbrio. A Cintramédica dispõe de uma Consulta da Vertigem onde se estudam e tratam estas patologias. Nesse sentido, vejamos as mais frequentes:

- Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB)

Representa um em cada três casos de vertigem. A pessoa sente que, por segundos, elas ou o meio envolvente se movem ou giram quando voltam a cabeça. Normalmente ocorre quando a pessoa se levanta da cama ou quando levanta muito a cabeça para, por exemplo, tirar um livro de uma estante. Decorre da presença anormal de certas partículas (os “cristais”, como vulgarmente são conhecidos), que se deslocaram da sua sede, para outra estrutura indevida do ouvido interno. Esta condição não é grave, daí denominar-se “benigna”. Assim, e na maioria dos casos, resolve-se com manobras adaptadas ao local onde os “cristais” se alojaram, o qual é identificado pelo exame clínico.

- Enxaqueca vestibular

É uma patologia que envolve o ouvido interno (daí a denominação “vestibular”), a qual provoca episódios repetidos de tonturas e/ou vertigem. Ao contrário das enxaquecas tradicionais, nem sempre são acompanhadas de cefaleias. Os sintomas de vertigem ou tontura são intermitentes, podendo ser acompanhados de náuseas, vómitos e sensibilidade à luz e ao som. No entanto, ainda não está absolutamente definida a causa da enxaqueca vestibular.

- Vertigem postural fóbica

É um tipo de vertigem com origem psíquica que compreende um conjunto de sintomas de vertigem e desequilíbrio que ocorrem subitamente e em situações específicas. É, muitas vezes, uma condição psicossomática associada à ansiedade, depressão, pânico e agorafobia.

- Doença de Menière

É uma patologia caraterizada por sintomas de vertigem, surdez, acufenos (zumbidos) e sensação de pressão no ouvido. As crises de vertigens têm duração variável, que podem durar várias horas, durante um ou dois dias. Após cada episódio a pessoa adormece, acordando sem vertigens. A surdez evolui ao longo dos anos atingindo, primeiro, as frequências mais graves, de intensidade variável, acompanhada de zumbidos. A pressão no ouvido e sensação de entupimento pode acompanhar todos os outros sintomas. Em casos de surdez completa, normalmente, as vertigens desaparecem. Por vezes as vertigens e zumbidos ocorrem também no outro ouvido.

- Nevrite vestibular

É uma lesão de um ouvido interno resultante de uma infeção respiratória viral, como uma vulgar constipação. O episódio de vertigem é de início brusco. No entanto, pode ir aumentando de intensidade, com características rotatórias, normalmente acompanhado por vómitos. Pode ser totalmente incapacitante durante vários dias ou semanas, mas depois, gradualmente, tende a atenuar-se, sobretudo com tratamento adequado. Na grande maioria dos casos ocorre uma única vez. No entanto, no momento do episódio de nevrite, é fundamental um exame clínico competente, uma vez que se pode confundir com quadros de morbilidade elevada como sucede em alguns acidentes vasculares cerebrais.

- Vestibulopatia Bilateral

Esta patologia ocorre quando o sistema responsável pelo equilíbrio, envolvendo os dois ouvidos internos, é afetado, com sintomas de desequilíbrio e vertigem. É igualmente frequente a sensação de oscilação das imagens, que se intensifica durante os movimentos cefálicos e na marcha (oscilopsia). As causas podem ser de ordem farmacológica (ototoxicidade), meningite, doença de Menière, entre outras.

Exame Vertigem

 

Tipos de tratamento

A estratégia terapêutica é definida conforme a patologia que provoca a vertigem. Nesse sentido, pode envolver medicação, cirurgia ou reabilitação vestibular. Esta última, apesar de ser complementar às outras abordagens, pode revelar-se decisiva no resultado da terapia. Neste caso são aplicadas técnicas de neuroplasticidade. Estas técnicas de reeducação do sistema nervoso permitem diminuir os episódios de vertigem e a recuperação do equilíbrio.

 

Unidade de Vertigem da Cintramédica

A Unidade de Vertigem e Desequilíbrio da Cintramédica está especialmente dedicada ao despiste e tratamento da vertigem e patologias associadas. Assim, além da Consulta de Vertigem, está disponível também um departamento de Reabilitação Vestibular, além de exames de estudo das vertigens e desequilíbrio como:
- Videonistagmografia,
- Posturografia Dinâmica Computorizada
- vHIT (Video Head Impulse Test).
Adicionalmente, a Cintramédica disponibiliza ainda exames de Audiologia, como o Audiograma Tonal, Audiograma Vocal, Impedância Acústica, ERA - Potenciais Evocados e Acufenometria.
Outros métodos importantes de diagnóstico disponíveis, a nível de Imagiologia e igualmente disponíveis na Cintramédica, são a Tomografia Axial Computadorizada (TAC) e a Ressonância Magnética.
O objetivo destes exames é avaliar o grau de compromisso da função vestibular e do Sistema Nervoso Central. São auxiliares preciosos ao diagnóstico causal e topográfico das vertigens e desequilíbrio e ao estabelecimento de um tratamento eficaz.
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Referências bibliográficas:

  • http://vertigem.org/
  • https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-do-ouvido,-nariz-e-garganta/dist%C3%BArbios-do-ouvido-interno/vertigem-posicional-parox%C3%ADstica-benigna
  • https://www.webmd.com/migraines-headaches/vestibular-migraines
  • https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2004000400019
  • https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-do-ouvido,-nariz-e-garganta/dist%C3%BArbios-do-ouvido-interno/doen%C3%A7a-de-m%C3%A9ni%C3%A8re
  • https://www.webmd.com/brain/what-is-labyrinthitis#1
  • https://www.dizziness-and-balance.com/disorders/bilat/bilat.html
  • [1] Dizzyness Prevalence in the Emergency Room of a Lisbon Central Hospital, F. Vaz Garcia, P. Marques in Neurootology Newsletter, Volume 2, No. 2

Autor do artigo

Vaz Garcia

Otorrinolaringologista
Especialista em Vertigem