A Reabilitação Vestibular (RV) consiste num método de tratamento com diversos tipos de exercícios que visam tratar situações de tontura e/ou desequilíbrio, principalmente de causa vestibular, sejam periféricos (por exemplo por uma perda súbita da função vestibular) ou centrais (mais do foro neurológico, mas também as situações de sensibilidade aumentada ao movimento, como o enjoo durante as deslocações de carro ou após períodos de menor atividade), embora também possa ser útil para outro tipo de situações, nomeadamente nas quedas dos idosos.
Tem como principal objetivo promover a adaptação do reflexo vestíbulo ocular (RVO), permitindo a estabilização da imagem durante o movimento da cabeça. Pretende-se com isto, se possível, minimizar as queixas de tontura, náusea e/ou desiquilíbrio, com o intuito de maximizar a independência funcional, a segurança, autonomia e qualidade de vida do doente.
A Reabilitação Vestibular é indicada para:
- Lesão vestibular uni ou bilateral
- Enxaqueca vestibular
- Sensibilidade aumentada ao movimento da cabeça ou do meio ambiente, incluindo a cinetose (enjoo de movimento)
- Plano de prevenção de quedas
Na Reabilitação Vestibular cada doente é avaliado previamente em consulta de Vertigem, onde é realizado o diagnóstico adequado e imprescindível para o início e condução do programa de tratamento, e definidas as estratégias de intervenção (exercícios), que têm como objetivo minimizar as queixas e dificuldades nas atividades do dia-a-dia do doente. No final de cada programa, que pode ter um número de sessões variável dependendo da sua evolução, o doente regressa à consulta de Vertigem onde é reavaliado o seu estado clínico.
Tipos de Programa de Reabilitação Vestibular
Os programas de Reabilitação Vestibular devem ser adaptados às causas do desequilíbrio e não obedecer a esquema único.
- Quando a causa é fundamentalmente vestibular realizamos exercícios em cadeira rotatória;
- Quando há compromisso proprioceptivo e instabilidade devem ser introduzidos exercícios para corrigir essas alterações na plataforma dinâmica;
- Quando há um predomínio do compromisso visual são realizadas estimulações optocinéticas (exercícios com estímulo visual discordante/móvel);
Em alguns casos a Reabilitação Vestibular é a primeira opção de tratamento, no entanto funciona também como complemento ao tratamento medicamentoso e cirúrgico.
Programa de Prevenção de Quedas
Com o aumento da esperança de vida, o número de idosos que caem com sequelas, por vezes muito graves, é cada vez maior. Acrescenta-se ainda que uma lesão vestibular bilateral (que pode decorrer do processo normal de envelhecimento), frequentemente sub ou não diagnosticada, de acordo com a literatura atual, pode incrementar muito o risco de queda.
É por isso importante identificar o risco extrínseco (condições das habitações, tapetes, etc.), a (eventual) lesão vestibular, as patologias concomitantes e os fármacos que os doentes tomam, o número de quedas e quase-quedas, para depois ensinar estratégias para aumentar a atividade funcional diária, segurança, autonomia e qualidade de vida do idoso, como melhorar a marcha (com eventual introdução de auxiliar de marcha, treino de atividades quotidianas (deitar/levantar, sentar, apanhar objetos do chão, subir e descer escadas, levantar após queda, ajudas técnicas que melhorem a segurança durante a higiene diária).
Por tudo isso, é importante uma intervenção em comum dos vários especialistas da Unidade de Vertigem e Desequilíbrio, pois só assim é possível minimizar o número de quedas, principalmente nos idosos.
Exames Complementares
- Videonistagmografia (VNG): trata-se de um exame constítuido por várias provas que permite observar e registar os movimentos oculares através de óculos com câmara infra-vermelha. Desta forma, é possível avaliar os reflexos vestíbulo-oculomotores e os reflexos visuo-oculomotores na presença ou ausência de luz e interferências visuais. As várias provas do VNG incluem o registo de nistagmo espontâneo, movimentos sacádicos, perseguição ocular e nistagmo optocinético. Tem uma duração média de 45 minutos.
- Posturografia Dinâmica Computorizada (PDC): é um exame que permite avaliar os 3 domínios principais do equilíbrio – visual, vestibular (ouvido) e proprioceptivo, planear e realizar protocolos de reabilitação vestibular e analisar a evolução do programa de reabilitação. Utiliza uma plataforma que permite testar o desempenho de cada paciente em piso estável, instável e mediante estimulação visual. Tem uma duração média de 30 minutos.
- vHIT (Video Head Impulse Test): é um exame que permite uma avaliação mais fiável e completa do reflexo vestíbulo-ocular, responsável pelos movimentos de compensação dos olhos durante os movimentos da cabeça, de modo a garantir a estabilização do olhar.
Acordos e Convenções para Reabilitação Vestibular
- Allianz
- CGD
- Future Healthcare
- Médis
- Médis CTT
- Medicare
- Multicare
- Multicare PT
- RNA
- Sorriso +
- SAMS Quadros
- SAMS SIBS
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